O final do verão costuma deixar marcas no jardim: solo compactado, perda de matéria orgânica, plantas estressadas pelo calor e maior incidência de pragas. Nesse cenário, o biofertilizante de bokashi surge como uma estratégia eficiente, ecológica e regenerativa para restaurar a vitalidade do solo e estimular novos ciclos de crescimento.
O bokashi é um fertilizante orgânico fermentado, tradicional da agricultura japonesa, produzido a partir da mistura de farelos, fontes minerais naturais e microrganismos eficientes. Seu diferencial está na fermentação controlada, que disponibiliza nutrientes de forma gradual e estimula a microbiologia do solo.
O que é o bokashi e por que usar no pós-verão?
O bokashi é resultado de um processo de fermentação anaeróbica ou semiaeróbica, conduzido por microrganismos benéficos como bactérias ácido-láticas, leveduras e actinomicetos.
Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a matéria orgânica e a atividade biológica são fundamentais para recuperação de solos degradados e manutenção da fertilidade agrícola (FAO, 2017).
Já a Embrapa destaca que fertilizantes orgânicos fermentados aumentam a atividade microbiana, melhoram a estrutura física do solo e favorecem a disponibilidade de nutrientes (EMBRAPA, 2020).
No jardim pós-verão, o bokashi contribui para:
Repor matéria orgânica perdida
Estimular raízes enfraquecidas
Melhorar retenção de água
Reequilibrar microbiota do solo
Reduzir impacto de estresses climáticos
Composição básica do bokashi
Embora existam variações regionais, uma formulação comum inclui:
Farelo de arroz ou trigo
Torta de mamona
Farinha de ossos
Cinzas vegetais
Pó de rocha
Açúcar mascavo ou melaço
Microrganismos eficientes (EM)
Como preparar o bokashi (versão artesanal)
Materiais básicos:
20 kg de farelo
5 kg de torta de mamona
3 kg de farinha de ossos
1 kg de pó de rocha
1 litro de EM ativado
1 litro de melaço diluído em 10 litros de água
Passo a passo:
Misture os ingredientes secos em superfície limpa.
Dilua o melaço na água e adicione o EM.
Incorpore lentamente a solução aos secos até atingir umidade semelhante a “terra úmida que forma torrão sem escorrer”.
Cubra com lona e deixe fermentar por 7 a 14 dias.
Revolva a cada dois dias para controlar a temperatura (ideal até 50°C).
O bokashi estará pronto quando apresentar odor levemente adocicado e coloração homogênea.
Aplicação no jardim pós-verão
Em canteiros:
Aplicar de 100 a 200 g por m² e incorporar superficialmente.
Em vasos:
Adicionar 1 colher de sopa para vasos pequenos e até 3 colheres para vasos grandes, misturando levemente ao substrato.
Em frutíferas:
Distribuir ao redor da projeção da copa, evitando contato direto com o tronco.
Após aplicação, irrigar moderadamente.
A Embrapa recomenda que fertilizantes orgânicos sejam aplicados preferencialmente em solo levemente úmido para melhor eficiência microbiológica (EMBRAPA, 2018).
Benefícios observados após 30 dias
Rebrota mais vigorosa
Folhas com coloração verde intensa
Melhor estrutura do solo
Redução de sintomas de deficiência nutricional
Maior resistência a pragas secundárias
Importante destacar que o bokashi não age como fertilizante químico de efeito imediato. Ele promove fertilidade biológica, com resposta progressiva e sustentável.
Manejo integrado
Para potencializar resultados:
Associar com cobertura morta (mulching)
Evitar revolvimento excessivo do solo
Manter diversidade de plantas
Utilizar irrigação equilibrada
Essa abordagem está alinhada aos princípios da agroecologia e do manejo regenerativo do solo.
O uso de bokashi no período pós-verão é uma estratégia eficaz para restaurar equilíbrio físico, químico e biológico do solo. Sua ação vai além da nutrição vegetal, atuando na reconstrução da vida do solo — base para um jardim resiliente.
A adoção contínua favorece ciclos produtivos mais estáveis e reduz dependência de insumos sintéticos.




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