segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

De música e natureza


 

PANC’s de outono: identificação e cultivo

 


O outono é uma estação estratégica para diversificar a horta com PANC’s (Plantas Alimentícias Não Convencionais). As temperaturas mais amenas e a maior estabilidade hídrica favorecem espécies rústicas, de ciclo adaptado ao clima mais fresco e com menor pressão de pragas.

Segundo a EMBRAPA, o resgate e o cultivo de PANC’s ampliam a segurança alimentar, fortalecem a biodiversidade e reduzem a dependência de insumos externos. Já o conceito de PANC foi amplamente difundido pelo biólogo e pesquisador Valdely Kinupp, referência nacional no tema.


Por que cultivar PANC’s no outono?

  • 🌱 Melhor adaptação a temperaturas entre 15°C e 25°C

  • 🌧️ Menor estresse hídrico

  • 🐛 Redução na incidência de insetos-praga

  • 🌾 Solo ainda aquecido após o verão, favorecendo enraizamento


1️⃣ Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata)

✔ Identificação

  • Planta trepadeira com espinhos

  • Folhas suculentas e brilhantes

  • Flores brancas aromáticas

  • Alto teor proteico nas folhas

✔ Cultivo no outono

  • Prefere sol pleno

  • Solo bem drenado e rico em matéria orgânica

  • Pode ser podada para estimular brotações

  • Multiplicação por estacas lenhosas

Dica técnica: Realizar adubação orgânica leve após poda para estimular rebrote.




2️⃣ Taioba (Xanthosoma sagittifolium)

✔ Identificação

  • Folhas grandes em formato de coração

  • Nervuras bem marcadas

  • Caule grosso e ereto

⚠ Atenção: Diferenciar da taioba-brava (não comestível). A comestível possui inserção do pecíolo na borda da folha, não no centro.

✔ Cultivo no outono

  • Prefere meia-sombra

  • Solo fértil e úmido

  • Excelente para bordaduras e áreas sombreadas

  • Adubação com composto orgânico



3️⃣ Bertalha (Basella alba)

✔ Identificação

  • Trepadeira de folhas carnosas

  • Caule suculento

  • Flores pequenas rosadas

✔ Cultivo no outono

  • Desenvolvimento mais lento que no verão

  • Necessita tutoramento

  • Irrigação moderada

  • Rica em ferro e mucilagem natural



4️⃣ Capuchinha (Tropaeolum majus)

✔ Identificação

  • Folhas arredondadas

  • Flores amarelas, laranja ou vermelhas

  • Sabor levemente picante

✔ Cultivo no outono

  • Ideal para temperaturas amenas

  • Solo leve e bem drenado

  • Pode ser cultivada em vasos

  • Atrai polinizadores




Manejo técnico para PANC’s no outono

🌿 Preparo do solo

  • Incorporação de composto orgânico maturado

  • Cobertura morta para manutenção da umidade

  • Correção de pH quando necessário (ideal entre 5,8 e 6,8)

💧 Irrigação

  • Reduzir frequência em comparação ao verão

  • Evitar encharcamento

🌱 Consórcios inteligentes

  • Ora-pro-nóbis como cerca viva produtiva

  • Capuchinha como planta atrativa

  • Taioba em áreas sombreadas


Benefícios ecológicos

  • Aumento da biodiversidade alimentar

  • Resgate cultural e regional

  • Redução do uso de agroquímicos

  • Maior resiliência climática


Referências técnicas

  • EMBRAPA – Hortaliças não convencionais. Disponível em: https://www.embrapa.br

  • KINUPP, V. F.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Instituto Plantarum.

  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Manual de Hortaliças Não Convencionais.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Biofertilizante de bokashi para revitalização do jardim pós-verão

 



O final do verão costuma deixar marcas no jardim: solo compactado, perda de matéria orgânica, plantas estressadas pelo calor e maior incidência de pragas. Nesse cenário, o biofertilizante de bokashi surge como uma estratégia eficiente, ecológica e regenerativa para restaurar a vitalidade do solo e estimular novos ciclos de crescimento.

O bokashi é um fertilizante orgânico fermentado, tradicional da agricultura japonesa, produzido a partir da mistura de farelos, fontes minerais naturais e microrganismos eficientes. Seu diferencial está na fermentação controlada, que disponibiliza nutrientes de forma gradual e estimula a microbiologia do solo.


O que é o bokashi e por que usar no pós-verão?

O bokashi é resultado de um processo de fermentação anaeróbica ou semiaeróbica, conduzido por microrganismos benéficos como bactérias ácido-láticas, leveduras e actinomicetos.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a matéria orgânica e a atividade biológica são fundamentais para recuperação de solos degradados e manutenção da fertilidade agrícola (FAO, 2017).

Já a Embrapa destaca que fertilizantes orgânicos fermentados aumentam a atividade microbiana, melhoram a estrutura física do solo e favorecem a disponibilidade de nutrientes (EMBRAPA, 2020).

No jardim pós-verão, o bokashi contribui para:

  • Repor matéria orgânica perdida

  • Estimular raízes enfraquecidas

  • Melhorar retenção de água

  • Reequilibrar microbiota do solo

  • Reduzir impacto de estresses climáticos


Composição básica do bokashi

Embora existam variações regionais, uma formulação comum inclui:

  • Farelo de arroz ou trigo

  • Torta de mamona

  • Farinha de ossos

  • Cinzas vegetais

  • Pó de rocha

  • Açúcar mascavo ou melaço

  • Microrganismos eficientes (EM)

Cada componente tem função específica:
farelos fornecem carbono, torta de mamona aporta nitrogênio, farinha de ossos é fonte de fósforo e cálcio, enquanto o pó de rocha contribui com micronutrientes.





Como preparar o bokashi (versão artesanal)

Materiais básicos:

  • 20 kg de farelo

  • 5 kg de torta de mamona

  • 3 kg de farinha de ossos

  • 1 kg de pó de rocha

  • 1 litro de EM ativado

  • 1 litro de melaço diluído em 10 litros de água

Passo a passo:

  1. Misture os ingredientes secos em superfície limpa.

  2. Dilua o melaço na água e adicione o EM.

  3. Incorpore lentamente a solução aos secos até atingir umidade semelhante a “terra úmida que forma torrão sem escorrer”.

  4. Cubra com lona e deixe fermentar por 7 a 14 dias.

  5. Revolva a cada dois dias para controlar a temperatura (ideal até 50°C).

O bokashi estará pronto quando apresentar odor levemente adocicado e coloração homogênea.





Aplicação no jardim pós-verão

Em canteiros:

Aplicar de 100 a 200 g por m² e incorporar superficialmente.

Em vasos:

Adicionar 1 colher de sopa para vasos pequenos e até 3 colheres para vasos grandes, misturando levemente ao substrato.

Em frutíferas:

Distribuir ao redor da projeção da copa, evitando contato direto com o tronco.

Após aplicação, irrigar moderadamente.

A Embrapa recomenda que fertilizantes orgânicos sejam aplicados preferencialmente em solo levemente úmido para melhor eficiência microbiológica (EMBRAPA, 2018).





Benefícios observados após 30 dias

  • Rebrota mais vigorosa

  • Folhas com coloração verde intensa

  • Melhor estrutura do solo

  • Redução de sintomas de deficiência nutricional

  • Maior resistência a pragas secundárias

Importante destacar que o bokashi não age como fertilizante químico de efeito imediato. Ele promove fertilidade biológica, com resposta progressiva e sustentável.


Manejo integrado

Para potencializar resultados:

  • Associar com cobertura morta (mulching)

  • Evitar revolvimento excessivo do solo

  • Manter diversidade de plantas

  • Utilizar irrigação equilibrada

Essa abordagem está alinhada aos princípios da agroecologia e do manejo regenerativo do solo.

O uso de bokashi no período pós-verão é uma estratégia eficaz para restaurar equilíbrio físico, químico e biológico do solo. Sua ação vai além da nutrição vegetal, atuando na reconstrução da vida do solo — base para um jardim resiliente.

A adoção contínua favorece ciclos produtivos mais estáveis e reduz dependência de insumos sintéticos.


Referências

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Banco de proteínas: plantas forrageiras para adubação verde

 


A construção da fertilidade do solo começa pela diversidade vegetal. Entre as estratégias mais eficientes e sustentáveis está o uso de plantas forrageiras com alto teor proteico como adubação verde — formando o chamado “banco de proteínas” no sistema produtivo.

Esse banco não é um depósito físico, mas sim uma reserva biológica de nitrogênio e biomassa, capaz de nutrir o solo, estimular a vida microbiana e reduzir a dependência de insumos externos.


O que é um banco de proteínas?

O termo se refere ao cultivo de espécies forrageiras, principalmente leguminosas, que acumulam altos níveis de proteína vegetal. Como a proteína é rica em nitrogênio, quando essas plantas são manejadas e incorporadas ou deixadas sobre o solo, ocorre a liberação gradual desse nutriente.

Grande parte dessas espécies realiza fixação biológica de nitrogênio (FBN) por meio da simbiose com bactérias do gênero Rhizobium e Bradyrhizobium, formando nódulos nas raízes.


📌 Base científica:

  • A fixação biológica pode suprir de 50 a mais de 300 kg de N/ha/ano, dependendo da espécie e manejo (EMBRAPA, 2011; FAO, 2019).

  • Leguminosas podem apresentar teor proteico superior a 15–25% na matéria seca (EMBRAPA Gado de Corte).




Por que utilizar forrageiras como adubação verde?

✔ Aumentam a matéria orgânica do solo
✔ Melhoram a estrutura e agregação
✔ Estimulam a microbiota
✔ Reduzem erosão
✔ Ciclam nutrientes profundos
✔ Diminuem uso de fertilizantes nitrogenados

Além disso, podem servir simultaneamente como cobertura, pastagem, banco de sementes e fonte de biomassa para compostagem.




Principais espécies para banco de proteínas

1️⃣ Crotalária (Crotalaria juncea, C. spectabilis)

Destaques técnicos:

  • Alta produção de biomassa

  • Controle de nematoides

  • Fixação expressiva de nitrogênio

  • Ciclo de 90 a 120 dias

Indicação: preparo de área e recuperação de solos degradados.




2️⃣ Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis)

Destaques técnicos:

  • Excelente cobertura de solo

  • Alta rusticidade

  • Boa supressão de plantas espontâneas

  • Produz grande volume de massa verde

Indicação: áreas abertas e sistemas agroecológicos.


3️⃣ Guandu (Cajanus cajan)

Destaques técnicos:

  • Sistema radicular profundo

  • Reciclagem de nutrientes

  • Pode ser perene

  • Uso múltiplo (forragem, grão, biomassa)

Indicação: consórcios e sistemas agroflorestais.


4️⃣ Mucuna-preta (Mucuna pruriens)

Destaques técnicos:

  • Cobertura densa e rápida

  • Controle natural de plantas invasoras

  • Alta produção de nitrogênio

  • Excelente para áreas tropicais

Indicação: rotação de culturas e sistemas de base ecológica.


Como implantar um banco de proteínas

1. Planejamento

  • Avaliar clima e época de semeadura

  • Analisar fertilidade do solo

  • Escolher espécie adaptada à região

2. Semeadura

  • Solo minimamente preparado ou plantio direto

  • Inoculação com rizóbios específicos quando necessário

  • Espaçamento conforme espécie

3. Manejo

  • Corte no florescimento (ponto de maior equilíbrio entre biomassa e lignificação)

  • Incorporação leve ou manutenção como cobertura morta

  • Evitar formação excessiva de sementes se o objetivo for adubação

📌 Estudos indicam que o corte no início da floração maximiza a relação C/N favorável à decomposição (EMBRAPA Soja; FAO Agroecology Reports).




Integração com sistemas agroecológicos

O banco de proteínas é especialmente eficiente quando integrado a:

  • Sistemas agroflorestais

  • Hortas orgânicas

  • Agricultura sintrópica

  • Recuperação de pastagens

  • Cultivos de outono-inverno em sucessão

A diversidade de espécies amplia a resiliência ecológica e reduz riscos fitossanitários.


Resultados esperados no solo

Após ciclos contínuos de adubação verde, observa-se:

  • Aumento do teor de matéria orgânica

  • Maior infiltração de água

  • Redução da compactação

  • Elevação gradual da fertilidade natural

Segundo a FAO (2019), sistemas com adubação verde apresentam melhoria significativa na eficiência do uso de nutrientes e maior estabilidade produtiva ao longo dos anos.




Implantar um banco de proteínas é uma estratégia simples, técnica e profundamente regenerativa. Ele transforma o solo em um organismo vivo, autossustentável e menos dependente de fertilizantes sintéticos.

Ao invés de apenas repor nutrientes, o sistema passa a produzir fertilidade.


Referências

  • EMBRAPA. Adubação Verde e Plantas de Cobertura no Brasil. Brasília: Embrapa Informação Tecnológica, 2011.

  • EMBRAPA Gado de Corte. Sistemas com leguminosas forrageiras. Disponível em: https://www.embrapa.br

  • FAO. Agroecology and Sustainable Agriculture Reports, 2019. Disponível em: https://www.fao.org

  • Primavesi, A. Manejo Ecológico do Solo. Nobel, 2002.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Controle natural de pragas em ambientes internos no final do verão


 


O final do verão é um período crítico para quem cultiva plantas em ambientes internos, como apartamentos, varandas fechadas e jardins de inverno. As temperaturas ainda elevadas, combinadas com maior umidade do ar, criam condições ideais para o surgimento de pragas como pulgões, cochonilhas, ácaros e moscas-do-fungo.

A boa notícia é que é possível fazer o controle natural dessas pragas, preservando a saúde das plantas, evitando produtos químicos e mantendo o equilíbrio do ambiente doméstico.


Por que as pragas aumentam no final do verão?

No final do verão, muitos insetos completam seu ciclo reprodutivo. Em ambientes internos, onde não há predadores naturais suficientes e a ventilação costuma ser limitada, as pragas encontram abrigo e alimento com facilidade.

Principais fatores que favorecem o aparecimento de pragas:

  • Calor residual do verão

  • Umidade elevada no substrato

  • Excesso de adubação nitrogenada

  • Plantas estressadas por falta ou excesso de água





Pragas mais comuns em ambientes internos

🐜 Pulgões

Insetos pequenos que se concentram em brotações novas e botões florais, sugando a seiva.

🐞 Cochonilhas

Aparecem como pequenos pontos brancos ou marrons, geralmente nas axilas das folhas e caules.

🕷 Ácaros

Difíceis de ver a olho nu, causam folhas amareladas e aspecto empoeirado.

🪰 Moscas-do-fungo

Comuns em vasos muito úmidos; as larvas vivem no substrato e atacam raízes jovens.





Princípios do controle natural em ambientes internos

O controle natural se baseia na prevenção, no fortalecimento das plantas e no uso de soluções caseiras de baixo impacto.

1. Observação frequente

Inspecione folhas (frente e verso), caules e o substrato pelo menos duas vezes por semana.





2. Manejo correto da água

Evite encharcar o solo. A maioria das pragas se prolifera em substratos constantemente úmidos.

Dica prática:
Regue apenas quando o substrato estiver seco ao toque nos primeiros centímetros.


3. Ventilação e luminosidade adequadas

Ambientes abafados favorecem ácaros e fungos. Sempre que possível:

  • Abra janelas

  • Use ventilação cruzada

  • Afaste plantas muito próximas umas das outras





Preparados naturais para controle de pragas

🌿 Calda de sabão neutro

Indicada para pulgões, cochonilhas e ácaros.

Como preparar:

  • 1 litro de água

  • 1 colher de chá de sabão neutro ou sabão de coco

Aplicar com borrifador nas folhas, especialmente no verso, no final da tarde.




.

🌿 Extrato de alho

Atua como repelente natural.

Como preparar:

  • 2 dentes de alho amassados

  • 1 litro de água

  • Descansar por 12 horas, coar e aplicar


🌿 Canela em pó no substrato

Auxilia no controle de fungos e moscas-do-fungo.

Aplicação:
Polvilhar uma fina camada sobre o solo seco.





Fortalecimento das plantas: prevenção é o melhor controle

Plantas bem nutridas e adaptadas ao ambiente interno são naturalmente mais resistentes.

Boas práticas:

  • Adubação equilibrada (evitar excesso de nitrogênio)

  • Uso de composto orgânico bem curtido

  • Limpeza periódica das folhas com pano úmido


O controle natural de pragas em ambientes internos no final do verão exige atenção constante e manejo simples, mas eficaz. Ao evitar produtos químicos, você protege sua saúde, a biodiversidade doméstica e cria um ambiente mais equilibrado para suas plantas atravessarem a transição para o outono.

🌱 No Manual do Jardineiro, cuidar das plantas é também cuidar do ambiente como um todo.


📚 Referências e fontes confiáveis

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Projeto de construção de canteiro em mandala para pequenos espaços

 


O canteiro em mandala é um modelo de organização do espaço inspirado em princípios da permacultura, que busca eficiência, diversidade e equilíbrio ecológico. Em pequenos quintais, pátios ou até áreas comunitárias urbanas, esse formato permite cultivar mais em menos espaço, facilitando o manejo e valorizando a estética do jardim.

Este texto apresenta um guia técnico-narrativo, em linguagem simples, para planejar e construir um canteiro em mandala adaptado a pequenos espaços, alinhado à proposta do Manual do Jardineiro.


O que é um canteiro em mandala

O canteiro em mandala é organizado em formato circular, geralmente com um ponto central (que pode ser um canteiro, composteira, espiral de ervas ou reservatório de água) e setores ao redor.
Essa disposição reduz caminhos, melhora o aproveitamento da luz solar e facilita o acesso às plantas.

Benefícios principais:

  • Melhor uso da área disponível

  • Facilidade de irrigação e manejo

  • Estímulo à biodiversidade

  • Visual harmonioso e educativo




Planejamento do canteiro em mandala

Antes da construção, o planejamento é essencial para garantir funcionalidade.

1. Escolha do local

  • Receba mínimo de 4 a 6 horas de sol direto por dia

  • Solo com boa drenagem

  • Fácil acesso à água

2. Tamanho ideal
Para pequenos espaços, recomenda-se:

  • Diâmetro total entre 2 e 3 metros

  • Canteiros com largura máxima de 60 a 80 cm, permitindo alcance sem pisoteio





Materiais necessários

Os materiais podem ser adaptados conforme disponibilidade local e reaproveitamento.

  • Barbante e estacas (marcação)

  • Enxada ou pá

  • Tijolos, pedras, madeira ou blocos ecológicos (bordas)

  • Matéria orgânica (composto, esterco curtido)

  • Palhada (capim seco, folhas, palha)

  • Terra vegetal




Passo a passo da construção

1. Marcação da mandala
Fixe uma estaca no centro e use um barbante para marcar o círculo externo e os setores internos.

2. Preparação do solo
Revolva levemente o solo, incorporando matéria orgânica. Evite revolvimento profundo para preservar a vida do solo.

3. Delimitação dos canteiros
Construa as bordas com pedras, tijolos ou madeira, respeitando o desenho circular.

4. Enriquecimento do canteiro
Misture terra com composto orgânico e cubra com palhada para proteção e retenção de umidade.





Organização das plantas

A diversidade é um dos pilares do canteiro em mandala.

Sugestão de arranjo:

  • Centro: ervas medicinais, espiral de ervas ou composteira

  • Anel intermediário: hortaliças de ciclo médio (alface, rúcula, beterraba)

  • Anel externo: plantas maiores ou repelentes naturais (couve, cebolinha, manjericão)

Essa disposição favorece consórcios benéficos e reduz pragas.





Manejo e manutenção

  • Irrigação regular, preferencialmente no início da manhã

  • Reposição periódica de palhada

  • Rotação de culturas a cada ciclo

  • Observação constante da saúde das plantas

O formato circular facilita o cuidado contínuo e estimula a observação ecológica, princípio central da permacultura.


O canteiro em mandala é mais do que um desenho bonito: é uma estratégia funcional e sustentável para quem deseja produzir alimentos em pequenos espaços, respeitando os ciclos naturais e promovendo autonomia alimentar.

Além da produção, ele se torna um elemento educativo, ideal para residências, escolas e projetos comunitários.


Referências técnicas e fontes confiáveis