quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Gramado Saudável o Ano Inteiro: Calendário Prático de Manutenção por Estação

 


Manter um gramado denso, verde e resistente exige planejamento ao longo do ano. A manutenção deve acompanhar o ritmo das estações climáticas, respeitando o crescimento da grama, a umidade do solo e a temperatura.

Este guia organiza as atividades semana a semana dentro de cada estação, indicando ferramentas adequadas para cada manejo.

As recomendações seguem princípios técnicos amplamente adotados em manejo de gramados ornamentais e esportivos, conforme orientações da Embrapa, da University of Florida IFAS Extension e da Royal Horticultural Society.


🌱 PRIMAVERA – Retomada do Crescimento

Período de reativação metabólica das gramíneas. Ideal para recuperação pós-inverno.

Semana 1–2

Atividades:

  • Escarificação leve (remoção de palha)

  • Aeração do solo

  • Revisão de falhas no gramado

Ferramentas:

  • Rastelo escarificador

  • Aerador manual ou perfurador de solo

  • Ancinho metálico

Semana 3–4

Atividades:

  • Adubação nitrogenada equilibrada

  • Cobertura com composto peneirado

  • Replantio de placas ou sementes

Ferramentas:

  • Espalhador manual ou carrinho distribuidor

  • Pá reta

  • Regador ou sistema de irrigação

Observação técnica:
A adubação nesta fase estimula perfilhamento e fechamento das falhas.




☀️ VERÃO – Crescimento Intenso e Controle

Alta taxa de crescimento exige cortes regulares e monitoramento constante.

Semanalmente

Atividades:

  • Corte frequente (sem retirar mais que 1/3 da lâmina)

  • Irrigação profunda e espaçada

  • Inspeção de pragas e fungos

Ferramentas:

  • Cortador de grama (manual, elétrico ou a combustão)

  • Aspersor ou mangueira com esguicho

  • Pulverizador costal (se necessário)

Quinzenal

Atividades:

  • Adubação leve de manutenção

  • Controle manual de plantas invasoras

Ferramentas:

  • Extrator de ervas daninhas

  • Luvas de jardinagem

Observação técnica:
Evitar cortes muito baixos reduz estresse térmico e perda de umidade.




🍂 OUTONO – Preparação e Fortalecimento

Momento estratégico para fortalecer raízes antes da redução de crescimento.

Semana 1–2

Atividades:

  • Remoção de folhas secas

  • Corte levemente mais alto

  • Adubação com maior teor de potássio

Ferramentas:

  • Rastelo plástico

  • Cortador com regulagem de altura

  • Distribuidor de adubo

Semana 3–4

Atividades:

  • Sobressemeadura (se necessário)

  • Aplicação de cobertura orgânica fina

Ferramentas:

  • Semeador manual

  • Pá larga

  • Regador

Observação técnica:
O potássio aumenta tolerância ao frio e resistência a doenças.




❄️ INVERNO – Manutenção Preventiva

Fase de crescimento reduzido para a maioria das gramíneas tropicais.

Mensalmente

Atividades:

  • Corte eventual (se houver crescimento)

  • Limpeza geral da área

  • Manutenção de equipamentos

  • Cobertura com leve camada de areia ( 1 vez na estação)

Ferramentas:

  • Cortador (uso eventual)

  • Caixa de ferramentas

  • Lima ou afiador de lâmina

Avaliação estrutural

Atividades:

  • Teste de pH do solo

  • Verificação de drenagem

Ferramentas:

  • Kit medidor de pH

  • Pá de inspeção

Observação técnica:
Evitar adubação nitrogenada intensa nesta fase.




🔧 Equipamentos Essenciais para Manutenção Anual

  • Cortador de grama regulável

  • Rastelo escarificador

  • Aerador manual

  • Espalhador de adubo

  • Pulverizador costal

  • Kit de análise de solo

A escolha entre equipamentos manuais ou motorizados depende da área total do gramado e da intensidade de uso.


📚 Referências Técnicas

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Culturas de ciclo curto para preencher espaços vazios em jardins

 


Produtividade, cobertura do solo e diversidade no jardim agroecológico

Em todo jardim produtivo surgem intervalos: canteiros recém-colhidos, mudas ainda pequenas, frutíferas em formação ou falhas naturais no plantio. Esses espaços não precisam ficar descobertos. Pelo contrário — podem se transformar em áreas produtivas e regenerativas com o uso de culturas de ciclo curto.

Espécies de ciclo curto são aquelas que completam seu desenvolvimento em poucas semanas (20 a 60 dias, em média). Elas ajudam a proteger o solo, produzir alimento e aumentar a biodiversidade do sistema.


🌱 Por que ocupar os espaços vazios?

Segundo a Embrapa, manter o solo coberto reduz erosão, conserva umidade e estimula a vida microbiana. Já a FAO destaca que a diversificação de culturas melhora a saúde do solo e reduz a pressão de pragas e doenças.

Benefícios práticos no jardim:

  • Proteção contra sol intenso e chuvas fortes

  • Redução do surgimento de plantas espontâneas indesejadas

  • Produção de alimentos em curto prazo

  • Melhor aproveitamento de nutrientes

  • Estímulo à microbiota do solo


🥬 Hortaliças de ciclo curto

Exemplos indicados:

  • Alface (30–45 dias)

  • Rúcula (25–35 dias)

  • Rabanete (25–35 dias)

  • Coentro (30–40 dias)

  • Mostarda (30–40 dias)

Essas espécies são ideais para plantar entre linhas de culturas maiores, como couve, brócolis ou tomate em fase inicial.





🌾 Adubos verdes de ciclo rápido

Quando o objetivo é regenerar o solo, os adubos verdes são excelentes aliados.

Espécies recomendadas:

  • Feijão-de-porco (45–60 dias)

  • Crotalária (50–60 dias)

  • Mucuna-anã (60 dias)

Eles promovem cobertura intensa do solo e, quando manejados antes da floração completa, fornecem matéria orgânica e nutrientes.






🌻 Plantas companheiras e flores úteis

Flores de ciclo curto também cumprem função ecológica importante.

Opções interessantes:

  • Tagetes (controle biológico de nematoides)

  • Calêndula (atrai polinizadores)

  • Capuchinha (atrai insetos benéficos e é comestível)

  • Girassol-anão (atração de polinizadores)


📅 Quando plantar?

No hemisfério sul, o período de transição entre estações é ideal para introduzir culturas rápidas. Aproveite:

  • Pós-colheita de verão

  • Intervalo antes das culturas de inverno

  • Entre linhas de frutíferas jovens

  • Falhas no canteiro

O importante é observar insolação, disponibilidade hídrica e compatibilidade entre espécies.




🌎 Princípio ecológico

Um solo exposto é um sistema vulnerável. Em ambientes naturais, a terra raramente fica descoberta. Ao ocupar cada espaço com vida, fortalecemos o equilíbrio ecológico do jardim.

Cultivar espécies de ciclo curto não é apenas estratégia produtiva — é manejo inteligente do solo.


📚 Referências técnicas

  • Embrapa – Sistemas de produção de hortaliças e adubação verde. Disponível em: https://www.embrapa.br

  • FAO – Crop diversification and soil management guidelines. Disponível em: https://www.fao.org

  • Altieri, M. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Manual do Jardineiro - 25 anos



No dia de hoje fazem 25 anos(5 lustros) que o Manual do Jardineiro (livro) foi concluído e disseminado via fotocópias.

 Inicialmente concebido para ser um material de apoio aos alunos que concluíam o Curso de Formação de Jardineiro, realizados na cidade de São Paulo em instituições que promoviam a formação profissional a público em situação de vulnerabilidade social, moradores de rua, com deficiências e outros, mas que também era utilizado por pessoas que praticavam a jardinagem sem objetivos profissionais.


               Oficina Boracéa, Alunos do Curso Jardinagem e Horticultura, Prefeitura de São Paulo, 2003

Ao mesmo tempo que eu seguia minha carreira de extensionista nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Tocantins com público diversificado como agricultores familiares, quilombolas, indígenas e outros; também procurava, sem sucesso, parceiros para sua publicação como editoras, fabricantes de ferramentas, organismos governamentais e não governamentais.

No ano de 2010 foi criado o blog Manual do Jardineiro com o objetivo de disseminar informações sobre a profissão do jardineiro e outros assuntos como Agroecologia, Segurança Alimentar, dentre outros por intermédio do ebook Manual do Jardineiro também criado no mesmo ano.

A experiência com o blog me levou a promover o universo da jardinagem a diversos públicos cujo objetivo era de simplesmente cuidar de plantas.

Em 2021 me afastei da atividade profissional para tratamento de saúde e que culminou com um acidente físico, quando estava em recuperação.


                                                        Foto de Alexandre Tavares editada com Dreamina, 2025

Hoje mantenho o blog com as parcerias de inteligências artificiais em textos e imagens de Chatgpt, Perplexity, Deep-Seek, Copilot, Dreamina, Gemini e outras, sempre com referências técnicas confiáveis além da revisão de cerca de 45 anos de vivências e experiências.

Vamos em frente! Sempre em frente!

Peça seu exemplar gratuito do Ebook no email: alexandredocerrado@gmail.com


domingo, 22 de fevereiro de 2026

De música e natureza


Matança 
Música: Augusto Jatobá
Interpretação: Xangai




 

“Ampó Hu: A Revolução Silenciosa das Sementes Crioulas que Transformou a Agricultura Familiar no Brasil”

Iniciativa pioneira da nação indígena Krahô nos anos 1990 que inspirou a criação dos Bancos Comunitários de Sementes e fortaleceu a soberania alimentar no Brasil.




No início da década de 1990, no território da nação indígena Krahô, no Tocantins, germinava algo que ia muito além do milho. Germinava um gesto de resistência.

O projeto Ampó Hu nasceu da inquietação de anciãos, mulheres guardiãs e lideranças que perceberam que as sementes tradicionais — cultivadas por gerações, adaptadas ao cerrado, carregadas de história — estavam sendo substituídas por variedades comerciais. O risco não era apenas agronômico. Era cultural. Era espiritual.

Entre os Krahô, o milho não é apenas alimento. Ele organiza o calendário agrícola, participa dos rituais, marca o tempo da comunidade. Perder o milho crioulo significaria romper um fio invisível que liga passado e futuro.


🌾 O resgate das sementes crioulas

O Ampó Hu começou com algo simples e poderoso: a busca ativa pelas sementes que ainda restavam nas roças e nas casas. As famílias trouxeram suas espigas guardadas, cada uma com nome, história e características próprias — cores variadas, ciclos diferentes, sabores específicos.

Havia milho amarelo, vermelho, rajado, branco. Havia sementes resistentes à seca, outras adaptadas a solos mais pobres do cerrado. Cada variedade representava um conhecimento acumulado por séculos de seleção comunitária.

O trabalho envolveu:

  • Identificação das variedades tradicionais ainda existentes

  • Multiplicação em roças comunitárias

  • Registro do conhecimento associado às sementes

  • Trocas internas entre aldeias

Mais do que conservação genética, era um movimento de fortalecimento da autonomia alimentar.




🤝 A parceria com a Embrapa

A partir desse processo, estabeleceu-se diálogo com a Embrapa. Pesquisadores passaram a colaborar respeitando os protocolos culturais da comunidade, contribuindo com:

  • Apoio técnico na caracterização das variedades

  • Estudos sobre adaptação e conservação

  • Sistematização das experiências

Foi um encontro delicado entre ciência acadêmica e ciência tradicional. O conhecimento indígena não foi substituído — foi reconhecido. Essa parceria ajudou a dar visibilidade nacional à iniciativa.




🌱 A semente que virou rede

O que começou no território Krahô atravessou fronteiras. A experiência inspirou organizações da sociedade civil, movimentos de agricultura familiar e diversas ONGs que atuavam com agroecologia e soberania alimentar.

A partir daí, multiplicaram-se pelo país os Bancos Comunitários de Sementes — espaços onde agricultores guardam, trocam e reproduzem sementes crioulas. Esses bancos se tornaram estratégia essencial para:

  • Reduzir dependência de sementes comerciais

  • Preservar a biodiversidade agrícola

  • Fortalecer redes de troca entre agricultores

  • Garantir segurança alimentar em períodos de seca

Hoje, os Bancos de Sementes são reconhecidos como ferramenta estratégica para a agricultura familiar e para a conservação da agrobiodiversidade brasileira.




🌽 Mais que milho: soberania

O Ampó Hu mostrou que conservar sementes é também conservar identidade. A iniciativa antecipou debates que hoje são centrais: soberania alimentar, diversidade genética, adaptação climática e autonomia dos povos.

A trajetória do projeto revela algo essencial: a inovação não nasce apenas nos laboratórios. Muitas vezes ela nasce na roça, na memória dos mais velhos, na prática cotidiana de quem cultiva a terra.

O milho Krahô não é apenas uma variedade agrícola. É um símbolo de que a agricultura familiar, quando conectada às suas raízes, é capaz de criar caminhos que alimentam o país inteiro.




📚 Referências e Leituras

  • EMBRAPA Recursos Genéticos e Biotecnologia. Experiências com conservação de recursos genéticos on farm e povos indígenas. Disponível em: https://www.embrapa.br

  • Altieri, M. A. (2012). Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. Editora Expressão Popular.

  • Santilli, J. (2009). Agrobiodiversidade e direitos dos agricultores. Editora Peirópolis.

  • Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Políticas de sementes crioulas e bancos comunitários de sementes. Disponível em: https://www.gov.br

 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Tintura de Plantas Medicinais: Espécies indicadas, passo a passo e cuidados essenciais




Extração alcoólica de princípios ativos para uso tradicional no cuidado natural

A tintura vegetal é uma preparação líquida obtida pela maceração de partes da planta em solução hidroalcoólica. O álcool atua como solvente, extraindo compostos como alcaloides, flavonoides, taninos e óleos essenciais. Esse método é amplamente descrito em farmacopeias e manuais de fitoterapia, por apresentar boa estabilidade e concentração de ativos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso racional de plantas medicinais deve respeitar identificação botânica correta, dosagem adequada e orientação profissional (WHO Traditional Medicine Strategy 2014–2023). No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) regulamenta fitoterápicos e publica monografias de espécies reconhecidas.


1. O que é uma tintura?

Tintura é um extrato alcoólico concentrado obtido por maceração da planta seca ou fresca em álcool de cereais diluído (geralmente entre 40% e 70%).

O álcool:

  • Extrai compostos solúveis

  • Conserva o preparado por longos períodos

  • Inibe crescimento microbiano

📌 Proporção tradicional:

  • Planta seca: 1 parte de planta para 5 partes de álcool (1:5)

  • Planta fresca: 1 parte de planta para 2 partes de álcool (1:2)

Baseado em referências clássicas de farmacognosia e na Farmacopeia Brasileira (ANVISA).




2. Espécies indicadas e usos tradicionais

🌼 Calendula officinalis (Calêndula)

Parte usada: flores
Uso tradicional: ação anti-inflamatória e cicatrizante (uso externo)
Indicação comum: pequenas lesões e irritações cutâneas

Referência: European Medicines Agency (EMA) – monografia herbal de Calendula.




🌿 Rosmarinus officinalis (Alecrim)

Parte usada: folhas
Uso tradicional: estimulante circulatório leve
Indicação comum: cansaço físico leve, uso externo em fricções

Referência: EMA – Monografia de Rosmarinus officinalis.




🌿 Baccharis trimera (Carqueja)

Parte usada: parte aérea
Uso tradicional: apoio digestivo
Indicação comum: má digestão leve

Referência: Farmacopeia Brasileira – ANVISA.




🌿 Passiflora incarnata (Maracujá medicinal)

Parte usada: folhas e partes aéreas
Uso tradicional: leve ação calmante
Indicação comum: ansiedade leve e dificuldade para dormir

Referência: EMA – Monografia de Passiflora incarnata.




3. Passo a passo para preparar tintura

Materiais necessários

  • Planta corretamente identificada

  • Álcool de cereais 70% (ou álcool 96% diluído)

  • Frasco de vidro escuro com tampa

  • Etiqueta

  • Peneira ou filtro de papel

  • Recipiente limpo




🔎 Etapa 1 – Coleta e preparo

  • Colher em dia seco

  • Preferir planta sem sinais de doença

  • Secar à sombra e em local ventilado (quando usar planta seca)

  • Picar grosseiramente


🧪 Etapa 2 – Maceração

  1. Colocar a planta no frasco.

  2. Adicionar álcool até cobrir completamente.

  3. Fechar bem.

  4. Armazenar em local escuro por 14 a 21 dias.

  5. Agitar 1 vez ao dia.


🧴 Etapa 3 – Filtragem e envase

  • Coar com peneira fina ou filtro

  • Armazenar em frasco âmbar

  • Identificar com:

    • Nome da planta

    • Parte usada

    • Data de preparo

    • Proporção

Validade média: 1 a 3 anos, quando armazenado corretamente.




4. Orientações de uso responsável

  • Evitar uso em gestantes e lactantes sem orientação.

  • Não utilizar em crianças sem acompanhamento profissional.

  • Observar possíveis interações medicamentosas.

  • Usar apenas plantas corretamente identificadas.

A OMS reforça que produtos tradicionais não substituem tratamento médico convencional sem acompanhamento profissional.


5. Segurança e base técnica

Fontes confiáveis:

A tintura é uma forma eficiente e tradicional de extrair e conservar princípios ativos das plantas medicinais. Quando preparada com rigor técnico, identificação correta e uso responsável, torna-se uma ferramenta valiosa dentro de um manejo consciente da fitoterapia no jardim.