sábado, 14 de fevereiro de 2026

Biofertilizante de bokashi para revitalização do jardim pós-verão

 



O final do verão costuma deixar marcas no jardim: solo compactado, perda de matéria orgânica, plantas estressadas pelo calor e maior incidência de pragas. Nesse cenário, o biofertilizante de bokashi surge como uma estratégia eficiente, ecológica e regenerativa para restaurar a vitalidade do solo e estimular novos ciclos de crescimento.

O bokashi é um fertilizante orgânico fermentado, tradicional da agricultura japonesa, produzido a partir da mistura de farelos, fontes minerais naturais e microrganismos eficientes. Seu diferencial está na fermentação controlada, que disponibiliza nutrientes de forma gradual e estimula a microbiologia do solo.


O que é o bokashi e por que usar no pós-verão?

O bokashi é resultado de um processo de fermentação anaeróbica ou semiaeróbica, conduzido por microrganismos benéficos como bactérias ácido-láticas, leveduras e actinomicetos.

Segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a matéria orgânica e a atividade biológica são fundamentais para recuperação de solos degradados e manutenção da fertilidade agrícola (FAO, 2017).

Já a Embrapa destaca que fertilizantes orgânicos fermentados aumentam a atividade microbiana, melhoram a estrutura física do solo e favorecem a disponibilidade de nutrientes (EMBRAPA, 2020).

No jardim pós-verão, o bokashi contribui para:

  • Repor matéria orgânica perdida

  • Estimular raízes enfraquecidas

  • Melhorar retenção de água

  • Reequilibrar microbiota do solo

  • Reduzir impacto de estresses climáticos


Composição básica do bokashi

Embora existam variações regionais, uma formulação comum inclui:

  • Farelo de arroz ou trigo

  • Torta de mamona

  • Farinha de ossos

  • Cinzas vegetais

  • Pó de rocha

  • Açúcar mascavo ou melaço

  • Microrganismos eficientes (EM)

Cada componente tem função específica:
farelos fornecem carbono, torta de mamona aporta nitrogênio, farinha de ossos é fonte de fósforo e cálcio, enquanto o pó de rocha contribui com micronutrientes.





Como preparar o bokashi (versão artesanal)

Materiais básicos:

  • 20 kg de farelo

  • 5 kg de torta de mamona

  • 3 kg de farinha de ossos

  • 1 kg de pó de rocha

  • 1 litro de EM ativado

  • 1 litro de melaço diluído em 10 litros de água

Passo a passo:

  1. Misture os ingredientes secos em superfície limpa.

  2. Dilua o melaço na água e adicione o EM.

  3. Incorpore lentamente a solução aos secos até atingir umidade semelhante a “terra úmida que forma torrão sem escorrer”.

  4. Cubra com lona e deixe fermentar por 7 a 14 dias.

  5. Revolva a cada dois dias para controlar a temperatura (ideal até 50°C).

O bokashi estará pronto quando apresentar odor levemente adocicado e coloração homogênea.





Aplicação no jardim pós-verão

Em canteiros:

Aplicar de 100 a 200 g por m² e incorporar superficialmente.

Em vasos:

Adicionar 1 colher de sopa para vasos pequenos e até 3 colheres para vasos grandes, misturando levemente ao substrato.

Em frutíferas:

Distribuir ao redor da projeção da copa, evitando contato direto com o tronco.

Após aplicação, irrigar moderadamente.

A Embrapa recomenda que fertilizantes orgânicos sejam aplicados preferencialmente em solo levemente úmido para melhor eficiência microbiológica (EMBRAPA, 2018).





Benefícios observados após 30 dias

  • Rebrota mais vigorosa

  • Folhas com coloração verde intensa

  • Melhor estrutura do solo

  • Redução de sintomas de deficiência nutricional

  • Maior resistência a pragas secundárias

Importante destacar que o bokashi não age como fertilizante químico de efeito imediato. Ele promove fertilidade biológica, com resposta progressiva e sustentável.


Manejo integrado

Para potencializar resultados:

  • Associar com cobertura morta (mulching)

  • Evitar revolvimento excessivo do solo

  • Manter diversidade de plantas

  • Utilizar irrigação equilibrada

Essa abordagem está alinhada aos princípios da agroecologia e do manejo regenerativo do solo.

O uso de bokashi no período pós-verão é uma estratégia eficaz para restaurar equilíbrio físico, químico e biológico do solo. Sua ação vai além da nutrição vegetal, atuando na reconstrução da vida do solo — base para um jardim resiliente.

A adoção contínua favorece ciclos produtivos mais estáveis e reduz dependência de insumos sintéticos.


Referências

Nenhum comentário:

Postar um comentário