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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Manutenção de vasos na primavera: renovar a terra, cuidar das raízes e despertar o jardim

 



A primavera chega trazendo mais luz, temperaturas mais agradáveis e um ritmo novo para as plantas. É também uma boa época para olhar para os vasos com atenção.

Depois dos meses mais frios, o substrato pode estar compactado, alguns nutrientes podem ter sido consumidos e as raízes podem ter ocupado todo o espaço disponível. Com o aumento da luminosidade e da temperatura, muitas plantas retomam o crescimento e passam a exigir mais água e nutrientes.

A manutenção de primavera não significa simplesmente trocar a terra de todos os vasos. O primeiro passo é observar.

1. Comece pela inspeção

Observe folhas, caules, flores e a superfície do substrato.

Folhas amareladas, crescimento muito lento, raízes aparecendo pelos furos de drenagem e água que permanece muito tempo sobre a terra são sinais de que o vaso precisa de atenção.

Também examine a presença de cochonilhas, pulgões, ácaros, moscas-brancas e outros organismos que podem se multiplicar rapidamente com a retomada do crescimento.




2. Limpe o vaso e retire o que está velho

Comece retirando folhas secas, flores passadas e partes mortas da planta. Esse material pode esconder pragas e doenças.

Aproveite também para limpar a parte externa do vaso e verificar os furos inferiores. Eles precisam permanecer livres para permitir a saída da água.

Não deixe o vaso permanentemente apoiado em um prato cheio de água. O excesso de umidade junto às raízes reduz a disponibilidade de oxigênio e pode favorecer o apodrecimento.


3. Observe o estado do substrato

Com o tempo, o substrato perde estrutura. Ele pode ficar endurecido, compactado ou apresentar pouca capacidade de retenção equilibrada de água e nutrientes.

Faça uma avaliação simples: pressione levemente a superfície com os dedos. Se estiver muito dura, faça uma escarificação superficial, tomando cuidado para não cortar as raízes.

Quando o substrato estiver muito degradado ou a planta estiver com raízes excessivamente compactadas, pode ser necessário o replantio.





4. Quando trocar o vaso?

Nem toda planta precisa de um recipiente maior.

O transplante é indicado principalmente quando as raízes ocupam grande parte do torrão, aparecem pelos furos de drenagem, a planta seca rapidamente depois da rega ou o crescimento está claramente limitado pelo recipiente.

Escolha um vaso apenas um pouco maior que o anterior. Um recipiente grande demais pode acumular água em excesso no substrato, especialmente quando a planta ainda possui poucas raízes para ocupar o espaço.

No transplante, mantenha o colo da planta na mesma altura em que estava anteriormente.





5. Renove o substrato com equilíbrio

Um bom substrato precisa conciliar três características importantes: retenção adequada de água, drenagem e circulação de ar.

Para muitas plantas ornamentais cultivadas em vasos, pode-se utilizar uma mistura estruturada com matéria orgânica estabilizada e componentes que favoreçam a aeração e a drenagem.

Evite colocar uma camada grossa de pedras ou brita no fundo do vaso como solução para drenagem. O mais importante é que o recipiente tenha furos adequados e que todo o substrato apresente boa estrutura física.

A matéria orgânica deve estar bem decomposta. Composto imaturo ou esterco fresco pode prejudicar raízes e favorecer desequilíbrios.


6. Adubação: menos é mais

Com a primavera, muitas plantas aumentam o crescimento vegetativo. É o momento de verificar a necessidade de reposição de nutrientes.

Mas adubar não significa colocar grandes quantidades de fertilizante.

O excesso de sais pode danificar as raízes e provocar sintomas semelhantes aos de deficiência nutricional. Prefira seguir a recomendação do fabricante quando utilizar fertilizantes comerciais.

Em sistemas de jardinagem orgânica, composto bem maturado, húmus de minhoca e outros insumos apropriados podem participar do manejo, sempre considerando a espécie, o tamanho do vaso e a fertilidade já existente no substrato.





7. A rega muda com a primavera

Com mais calor e luminosidade, a evaporação aumenta. Algumas plantas passam a precisar de regas mais frequentes.

Mas não existe uma regra de “regar todos os dias”.

Antes de molhar, toque o substrato e observe a necessidade da espécie. Plantas de ambientes secos possuem necessidades muito diferentes de espécies tropicais que preferem umidade mais constante.

Quando for necessário regar, molhe de maneira uniforme até que uma pequena quantidade de água comece a sair pelos furos inferiores. Depois, deixe o excesso escorrer.

O objetivo é manter o equilíbrio: nem seca extrema, nem encharcamento permanente.


8. Luz: faça ajustes gradualmente

A primavera também é uma boa época para revisar a posição dos vasos.

Algumas plantas podem receber mais luz direta, enquanto outras preferem luz filtrada. Mudanças bruscas de sombra para sol intenso podem provocar queimaduras nas folhas.

Quando for necessário aumentar a exposição solar, faça a mudança gradualmente, permitindo que a planta se adapte.

Observe a própria planta. Folhas muito pálidas e crescimento alongado podem indicar pouca luz. Já manchas claras ou áreas queimadas podem indicar excesso de radiação solar.





9. Aproveite para podar e conduzir

A primavera também favorece a retomada de crescimento de muitas espécies.

Retire ramos secos, folhas danificadas e partes doentes utilizando ferramentas limpas e bem afiadas.

Em plantas que aceitam poda, pequenos cortes podem ajudar a estimular novas brotações e melhorar o formato da copa.

Para plantas trepadeiras ou de crescimento pendente, aproveite para instalar suportes e conduzir os novos ramos.

Evite podas intensas sem conhecer as características da espécie. Algumas plantas florescem em ramos formados anteriormente e podem perder a floração se forem podadas no momento inadequado.


10. Faça uma inspeção semanal

Depois da manutenção inicial, estabeleça uma pequena rotina.

Uma vez por semana, observe:

  • estado das folhas;
  • presença de insetos e doenças;
  • umidade do substrato;
  • drenagem;
  • crescimento de novas brotações;
  • necessidade de tutoramento;
  • aparecimento de raízes;
  • limpeza do vaso.

Essa observação frequente permite identificar problemas ainda pequenos.

Uma cochonilha encontrada no início é muito mais fácil de controlar do que uma infestação instalada em toda a coleção.





Primavera é tempo de recomeçar

Cuidar dos vasos na primavera é, antes de tudo, observar o que a planta está dizendo.

Nem todo vaso precisa de adubo. Nem toda planta precisa de poda. Nem todo recipiente precisa ser trocado.

O bom jardineiro aprende a diferenciar necessidade de excesso.

Uma pequena limpeza, uma correção no substrato, uma rega adequada ou simplesmente uma mudança de lugar podem fazer grande diferença.

A primavera nos lembra que o crescimento acontece quando encontramos equilíbrio entre luz, água, ar, nutrientes e espaço para as raízes.

E talvez essa seja uma das melhores lições do jardim: antes de fazer alguma coisa, pare um instante e observe


Observação 

A recomendação de que “nem todo vaso precisa de uma camada de pedras ou brita no fundo” está correta como orientação geral. O fator fundamental é a existência de drenagem adequada e um substrato com propriedades físicas apropriadas.

A frequência de irrigação não deve ser determinada simplesmente pela estação do ano. Temperatura, radiação solar, espécie, tamanho do recipiente, tipo de substrato e estágio de desenvolvimento são determinantes. A primavera pode aumentar a demanda hídrica, mas a decisão deve ser baseada na observação do substrato e da planta. 


Referências Técnicas 

.Embrapa – Flores anuais: uso de substratos

A publicação explica a função do substrato como meio de crescimento em recipientes e destaca a importância de suas características físicas e químicas para o desenvolvimento das plantas. 

.Embrapa – Produção de mudas de girassol ornamental em vasos

Antunes, Azevedo e Correia (2019) estudaram substratos orgânicos no cultivo de girassol ornamental em vasos, demonstrando a importância das propriedades físicas e químicas do substrato para o desenvolvimento das plantas. 

.Embrapa – Nutrição e adubação de plantas ornamentais

A publicação aborda manejo nutricional e adubação de plantas ornamentais, incluindo práticas voltadas à produção sustentável. 

.Instituto Agronômico – IAC, Boletim Técnico nº 233

A publicação reúne informações sobre cultivo de plantas ornamentais, incluindo irrigação, drenagem, adubação, pragas e doenças em plantas cultivadas em vasos. 

.IAC – Boletim Técnico 233

Instituto de Avaliação de São Paulo

University of Minnesota Extension – Fertilizing and watering container plants


A extensão universitária recomenda atenção à umidade uniforme do substrato, evitando tanto o ressecamento prolongado quanto o encharcamento, e ressalta que a frequência de irrigação depende do recipiente, temperatura e condições ambientais. Também alerta para os riscos da adubação excessiva. 




terça-feira, 21 de outubro de 2025

Controle de pragas de jardim



 

Controle agroecológico de pulgões (Aphididae) e cochonilhas (Coccoidea) em jardins e vasos

O controle agroecológico baseia-se na integração de medidas culturais, de monitoramento, bióticas (predadores/parasitoides), físicas e, quando necessário, produtos de baixo impacto (sabões, óleos hortícolas, neem). O objetivo é reduzir a população da praga abaixo do limiar de dano econômico/estético e preservar inimigos naturais, minimizando insumos químicos sintéticos.

Monitoramento

  • Inspecione semanalmente: verifique a face inferior das folhas, gemas e rebentos. Procure presença de pulgões, ninfas de cochonilha, secreção açucarada (melada) e fumagina (fungo preto que indica povoamentos de sugadores).

  • Use métodos simples: lupa 10×, crachá amarelo (armadilhas adesivas para pragas voadoras/níveis de infestação), e registro fotográfico para acompanhar evolução.

                         

Quando intervir

  • Em jardins ornamentais ou vasos a ação é recomendada quando houver: (a) manchas de melada/fumagina cobrindo folhas; (b) deformação visível de brotos; (c) presença numerosa de indivíduos (quando a população aumenta rapidamente) — em vasos pequenos, uma colônia localizada já costuma justificar ação. (Não existe um “número mágico” universal; avalie dano e tendência.)

Medidas culturais e preventivas (prioridade)

  1. Evitar estresse hídrico e nutricional: plantas vigorosas toleram melhor ataque e permitem maior atividade de inimigos naturais.

  2. Diversificar plantas: consorciar com flores e ervas que atraem predadores (ex.: flores umbelíferas atraem sírfidos e vespas parasitoides).

  3. Remoção mecânica: poda de ramos muito infestados e eliminação de colônias grandes de cochonilha (retirar manualmente com cotonete embebido em álcool para cochonilhas isoladas).

  4. Lavagem por jato de água: para pulgões em plantas robustas, jatos fortes de água removem grande parte das colônias sem uso de químicos.
    Essas medidas reduzem a pressão populacional e favorecem inimigos naturais.




Inimigos naturais recomendados (controle biológico)

  • Joaninhas (Coccinellidae): devoram pulgões; eficazes em jardins e vasos quando há alimento disponível.

  • Lacewings (Chrysoperla spp.): predadores de ninfas de pulgões e pequenas cochonilhas.

  • Vespas parasitoides (ex.: Aphidius sp.): parasitam pulgões — recomendadas em áreas protegidas/estufas.
    Favorecer o habitat desses agentes (flores hospedeiras, abrigos, evitar sprays de amplo espectro).

Produtos de baixo impacto (receitas, indicações e evidências)

Os produtos a seguir são compatíveis com manejo agroecológico quando aplicados corretamente: sabões inseticidas, óleos hortícolas (ou óleo mineral/vegetal apropriado), extratos de nim (neem) e preparações fitoterápicas. Estudos e revisões mostram eficácia variável — bons resultados em controle de pulgões e estágios jovens de cochonilha, com limitações (curta persistência, necessidade de contato direto).

Atenção geral antes de aplicar

  • Teste sempre numa folha pequena e espere 48–72 h por fitotoxicidade (algumas espécies sensíveis: cítricos jovens, begônias, certas fucsias).

  • Aplique no início da manhã ou ao entardecer (evitar sol forte e temperaturas altas).

  • Reaplicar conforme necessidade (intervalo 5–10 dias) até controle — porque esses materiais atuam por contato e têm baixa persistência.

   Insecticida de sabão (inseticida caseiro, solução de sabão potássico ou      água + sabão neutro)

  • Concentração efetiva: 1–2% (v/v) é o intervalo usual e seguro para a maioria das plantas. Isso equivale a 10–20 mL de sabão líquido/óleo de coco suave por litro de água (ou 10–20 g por litro se for sabão em barra dissolvido).

  • Modo de preparo: dissolver o sabão em água morna, esfriar, colocar em pulverizador e aplicar cobrindo bem a face inferior das folhas.

  • Efeito: age por contato, rompendo a camada cerosa e desidratando pulgões e ninfas de cochonilha jovens. Não controla ovos. Repetir 3 aplicações em intervalos de 5–7 dias.

  • Fonte/nota técnica: orientações de extensões e literatura técnica sobre sabões inseticidas corroboram 1–2% como faixa segura/eficaz.




    Óleo hortícola / óleo mineral (para cochonilhas e estágios de pulgões)

  • Concentração: produtos comerciais indicam 1–3% (ver rótulo). Em uso caseiro, 1–2% (10–20 mL por litro) é comum para aplicações foliares em vasos.

  • Modo de ação: sufocamento (recobrimento do corpo do inseto), boa eficácia em ninfas/estágios móveis e em ovos jovens; menor efeito em cochonilhas muito encravadas ou protegidas.

  • Aplicação: cobrir completamente o inseto (face inferior), repetir conforme observado. Estudos mostram mortalidade substancial em cochonilhas jovens com óleos e sabões.

     Neem (Azadirachta indica) — extrato ou óleo

  • Concentração prática doméstica: 0,25–0,5% v/v é uma boa referência para pulverização foliar (ou seja, 2.5–5 mL de óleo de neem por litro de água); algumas receitas práticas usam 3–8 mL/L. Sempre seguir instruções do produto comercial quando houver.

  • Como preparar: misture o óleo de neem com água morna + 1–2 mL (algumas gotas) de sabão líquido para emulsificar; agitar bem antes de aplicar. Aplicar ao entardecer ou manhã cedo.

  • Efeito: neem contém azadiractina e outros constituintes que atuam como antialimentares, inibidores de crescimento e têm efeito de contato/repelência. Revisões científicas mostram boa eficácia contra pulgões; eficácia contra cochonilhas varia com formulação e estágio do inseto.

   Combinações práticas (exemplo de pulverização para infestação                 moderada)

  • Receita (1 L): 1 L água morna + 5 mL óleo de neem + 10 mL sabão líquido (≈1% soap + 0.5% neem). Agitar bem e pulverizar. Reaplicar após 7 dias se houver reinfestação. Testar antes em parte da planta. 

  Outras preparações com respaldo técnico (receitas tradicionais)

  • Embrapa e manuais de controle alternativo descrevem preparações à base de sabão, extratos de pimenta, álcool para cochonilhas localizadas, e decocções específicas — úteis como complemento, mas sempre testar fitotoxicidade.

  Táticas físicas e de intervenção local

  • Cotonete com álcool (70%) — para cochonilhas isoladas (mealybugs/cochonilhas farinhentas): esfregar diretamente e remover.

  • Poda — retirar partes muito infestadas em vasos pequenos.

  • Cobertura de solo e limpeza — evitar queda de brotos infestados que possam reinfestar.

   Segurança e impactos não intencionais

  • Sabões e óleos são menos tóxicos para mamíferos, mas podem afetar insetos benéficos que entrarem em contato direto com o spray. Portanto, evite pulverizar em flores com visitas de abelhas e aplique preferencialmente em horários de menor atividade de polinizadores.

  • Leia rótulos dos produtos comerciais (óleo, neem) e respeite recomendações; alguns óleos não são indicados em altas temperaturas.



   Fluxo de ação recomendado (passo a passo resumido)

  1. Monitorar semanalmente.

  2. Ao detectar colônias iniciais: tentar lavagem por jato de água e retirada manual.

  3. Se persistir: usar sabão 1–2% (aplicar cobrindo bem). Repetir 2–3 vezes em 5–7 dias.

  4. Para infestações estabelecidas (cochonilha com melada/ fumagina): combinar poda, cotonete com álcool em colônias localizadas + aplicação de óleo hortícola (1–2%) em duas aplicações com 7–10 dias.

  5. Estimular/introduzir inimigos naturais e evitar inseticidas de amplo espectro.

   Limitações e evidências

  • Produtos biorracionais (sabões, óleos, neem) apresentam boa eficácia sobre estágios móveis e ninfas de pulgões e cochonilhas jovens, mas têm baixa persistência e exigem aplicação de contato e repetições. Evidências científicas e extensões descrevem mortalidades altas quando aplicados corretamente, porém variabilidade existe segundo formulação, espécie da praga e estágio.

    Referências e leituras recomendadas (links)

  1. FAO — Integrated Pest Management (princípios de IPM). Open Knowledge FAO

  2. Pretty J. et al., Integrated Pest Management for Sustainable Intensification — revisão sobre integração de táticas e papel dos inimigos naturais. PMC

  3. EMBRAPA — Preparados para controle de pragas / Controle alternativo (receitas tradicionais e orientações técnicas). Embrapa

  4. Colorado State University Extension — Insect Control: Insecticidal Soap (propriedades, concentrações e cuidados; recomendações 1–2%). extension.colostate.edu

  5. Quesada et al., ASHS HortTechnology (2017) — Efficacy of horticultural oil and insecticidal soap against scale insects (estudo mostrando mortalidade significativa em estágios jovens). ASHS

  6. Campos EVR et al., Neem Oil and Crop Protection: From Now to the Future — revisão sobre neem: mecanismos, potencial e limitações. PMC

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Montar vasos para Polinizadores

 

Como Fazer e Usar “Pollinator Pots” (Vasos para Polinizadores)



🌸 O que são Pollinator Pots?

“Pollinator pots” são vasos ou jardineiras preparados especialmente com plantas que atraem e sustentam polinizadores — como abelhas nativas, borboletas, beija-flores e até morcegos nectarívoros. Eles oferecem néctar, pólen e abrigo, contribuindo diretamente para a conservação da biodiversidade, mesmo em pequenos espaços como varandas, quintais e jardins urbanos.


🚀 Passo a Passo para Montar um Pollinator Pot



🪴 1. Escolha do Vaso

  • Pode ser de cerâmica, barro, cimento ou plástico reciclado.

  • Tamanho mínimo recomendado: 30 a 40 cm de diâmetro e profundidade de pelo menos 25 cm, para que as raízes tenham espaço.

  • Garanta furos no fundo para drenagem.

🌱 2. Preparação do Substrato

  • Mistura rica e bem drenada:

    • 40% terra vegetal

    • 30% composto orgânico (húmus ou composto caseiro)

    • 20% areia grossa ou perlita para drenagem

    • 10% pó de rocha, cinza ou biochar (opcional, para remineralização)

🌼 3. Escolha das Plantas 

  • Opte por plantas com floração contínua, preferencialmente nativas da sua região, que oferecem néctar e pólen.

  • Para abelhas:

    • Manjericão (Ocimum basilicum)

    • Alecrim (Salvia rosmarinus)

    • Alfazema (Lavandula dentata)

    • Malvavisco (Malvaviscus arboreus)

    • Capuchinha (Tropaeolum majus)



  • Para borboletas:

    • Verbena (Verbena rigida)

    • Lantana (Lantana camara) — atenção ao controle, é invasora em alguns biomas

    • Asclepias (Asclepias curassavica) — essencial para borboletas como a monarca

  • Para beija-flores:

    • Hibisco (Hibiscus rosa-sinensis)

    • Russélia (Russelia equisetiformis)

    • Sálvia-vermelha (Salvia splendens)



  • Plantas aromáticas e hortaliças também atraem: coentro, cebolinha, salsinha, hortelã.

🌿 4. Montagem do Vaso

  1. Coloque uma camada de pedras ou cacos no fundo para drenagem.

  2. Adicione o substrato preparado.

  3. Distribua as mudas conforme o porte (maiores no centro, menores nas bordas).

  4. Complete com cobertura morta (palha, folhas secas, serragem) para proteger o solo.


🐝 Cuidados e Manejo dos Pollinator Pots

  • Regas: Frequentes, mantendo o solo úmido, mas nunca encharcado.

  • Poda: Remova flores secas para estimular nova floração.

  • Adubação: A cada 30-45 dias, aplique adubo orgânico (chorume de compostagem, húmus, bokashi).

  • Evite: Agrotóxicos, inseticidas e defensivos químicos que prejudicam os polinizadores.


  Dicas Extras para Maximizar os Benefícios

  • Combine vários vasos, criando um mini jardim para polinizadores.

  • Inclua uma pequena fonte ou pratinho com água e pedrinhas, para que abelhas e borboletas possam beber.

  • Se possível, ofereça também locais de abrigo — como pequenos hotéis para abelhas solitárias (feitos com bambus, troncos perfurados ou blocos de barro).



✅ Cuidados Essenciais para Prevenir o Mosquito da Dengue nos Jardins de Polinizadores (Pollinator Pots)

1. Evitar Acúmulo de Água Parada

  • Drenagem eficiente: Certifique-se de que os vasos, floreiras e potes tenham furos de drenagem adequados.

  • Use uma camada de drenagem (pedrisco, cacos de telha, argila expandida) no fundo dos vasos.

  • Não permita que pratinhos acumulem água. Se forem necessários, encha-os com areia grossa até a borda, que impede o desenvolvimento das larvas do mosquito.

2. Cuidado com Elementos Decorativos e Bebedouros para Polinizadores

  • Se instalar bebedouros para abelhas e borboletas, utilize materiais que permitam renovar a água diariamente.

  • Prefira sistemas com esponjas, pedrinhas ou gravetos, pois além de ajudar os polinizadores a pousar, esses elementos também impedem que o mosquito deposite ovos.

  • Evite pratos fundos, fontes ou recipientes que fiquem sem manutenção diária.

3. Escolha de Plantas

  • As plantas para polinizadores não oferecem risco direto, mas evite aquelas que naturalmente acumulam água em folhas ou estruturas, como:

    • Bromélias de tanque (que acumulam água no centro).

  • Dê preferência a plantas como:

    • Lavanda, alecrim, manjericão, sálvia, girassol, lantana, cosmos, zínias, cravinas, margaridas, verbena, entre outras que atraem polinizadores e não acumulam água.



4. Manutenção Frequente

  • Faça inspeções semanais para:

    • Remover folhas secas que possam formar depósitos.

    • Verificar e limpar ralos, calhas e frestas ao redor dos jardins.

  • Se usar compostagem, tampe bem os recipientes.

5. Uso de Armadilhas Biológicas

  • Instale armadilhas simples para o mosquito da dengue, como as desenvolvidas por instituições públicas (Ex.: armadilha do projeto UFRJ/Fiocruz), que ajudam a monitorar e reduzir a população de Aedes aegypti.

  • Fontes confiáveis de construção de armadilhas:

6. Educação e Conscientização

  • Inclua placas informativas nos jardins indicando os cuidados adotados.

  • Envolver a comunidade na manutenção é uma excelente prática de educação ambiental.


🏡 Esquema Seguro de Pollinator Pots

  • 🌼 Vaso com boa drenagem

  • 🌱 Areia no pratinho (se houver)

  • 🐝 Bebedouro com pedrinhas e água trocada diariamente

  • 🚫 Inspeção semanal por acúmulo de água



quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Jardim de Interiores - Fatores importantes a observar para iniciar a implantação de um jardim interno

 

1.       Aquisição das plantas – observe o aspecto da muda como a sua robustez, constituição, folhagens abundantes, evitando aquelas que apresentam pontos amarelados e marrons no verso das folhas e botões florais.

2.       Escolha do vaso – o vaso deve se adequar à planta em arejamento e umidade. Prefira os de cerâmica – que exigem um pouco mais de rega, devido a grande porosidade e, os de cimento e fibra de vidro. Para plantas que necessitam de muita umidade utilize os de coxim (fibra de coco).


Os vasos de madeira e metal se deterioram com o tempo e podem alterar as condições do solo.


3.       Luz – observe as fontes de luz do ambiente e regularmente vire os vasos para que todos os lados recebam luminosidade. Plantas de verde mais intenso suportam melhor as baixas luminosidades e as de folhagens coloridas necessitam de mais luz.

4.       Água – a necessidade de rega depende de vários fatores como as condições do ambiente: dia quente e local com ar condicionado exigem um pouco mais de água enquanto que a mesma planta em um banheiro teria sua rega diminuída. Outros fatores influenciam a rega das plantas de interior como água clorada (deve ficar em descanso por um dia para poder aplicar), água morna é absorvida mais rapidamente, inverno/outono são épocas de descanso e exigem menos água, horário ideal para as regas são o final de tarde e pela manhã. Observe esses sinais: na falta d’água as pontas das folhas murcham e escurecem; no excesso de água as folhas inferiores dobram-se e murcham.

5.       Temperatura – Em uma casa, cada cômodo tem uma temperatura diferente, por isso deve-se colocar as plantas em local cuja temperatura lhe seja adequada. Plantas gostam de locais arejados, mas não de correntes de ar e frio súbito. Para ventilar, abra uma janela afastada.

6.       Umidade – muitas plantas necessitam além da rega de uma boa umidade do ar como as avencas,pois mesmo com uma boa rega se o ambiente estiver seco as pontas das folhas queimam e enrolam. Para melhorar as condições de umidade do ar pode-se pulverizar água nas folhas, reunir vários vasos em um mesmo local e colocar o vaso em bandejas com água e pedregulhos.

7.       Adubação – deve ser feita a cada 3 meses de modo equilibrado não adubando demais nem de menos. Podem-se usar adubos químicos ou orgânicos em bastões, tabletes, granulados, pós, líquidos e outros. Tenha cuidado ao aplicar adubos foliares, pois uma dosagem acima da recomendada pode causar queimaduras ou até a morte da planta.Em adubação de cobertura, revolva a terra da superfície.


8. Replantio – é necessário quando a planta se torna grande demais para o vaso. Para fazer o replantio deve-se molhar bem o solo do vaso algumas horas antes, para manter o torrão coeso e desgrudar as pontas das raízes das paredes do vaso. Após isso, vire o vaso de cabeça pra baixo, segurando a planta, bata levemente nas bordas e vá virando e batendo até o torrão se desprender. O vaso novo deve ficar imerso em água por algumas horas antes do replantio.    

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Técnicas de jardinagem - Conservação de jardins


Tratos Culturais
Na conservação do jardim diversas são as operações necessárias à manutenção do bom aspecto do conjunto e ao bom desenvolvimento das plantas:
§  Eliminação de ervas invasores – através das capinas para limpeza dos canteiros, extirpando as ervas daninhas que aparecem;
§  Tutoramento (estaqueamento) de plantas herbáceas e trepadeiras – para a mantença do porte elegante das plantas, mesmo das herbáceas, a colocação de estacas ou tutores é de toda conveniência. Nos jardins simétricos, principalmente, os tufos, alegretes, corbelhas e platibandas devem ser mantidos em suas formas geométricas por meio de estacas de bambú ou de outro material. As estacas e tutores devem ser dissimulados, de modo que as plantas apresentem a aparência mais natural possível ;
§  Divisão de touceiras de plantas muito aglomeradas – tem por objetivo melhorar as condições estéticas e de desenvolvimento vegetativo do jardim;
§  Controle de plantas bulbosas – promover a retirada do excesso de bulbos para manter os limites de canteiros e formações;
§  Varreção, catação e retirada  de folhas, flores murchas, galhos e ramos secos – prática responsável pela manutenção das qualidades ambientais necessárias ao bom desenvolvimento das plantas;
§  Semeadura de espécies anuais e bienais – é necessário se ter sementeiras para reposição dessas espécies, para não onerar em muito o custo de manutenção do jardim em seus aspectos estéticos;
§  Manutenção de vasos – é preciso manter os vasos sempre limpos, livres de ervas invasoras, do limo e outras sujeiras que muitas vezes servem de abrigos a insetos nocivos ao desenvolvimento das plantas;
§  Poda de cercas viva, gramados, árvores e arbustos – são operações que não devem deixar de serem realizadas, porquanto da sua realização oportuna depende o bom aspecto das plantas e do jardim;
§  Transplante (repicagem) de arbustos e árvores na época de solo quente e úmido – operação que tem por finalidade aumentar o vigor das plantas e melhorar suas condições de desenvolvimento;
§  Pulverizações preventivas e de controle de pragas e doenças – utilizar material e equipamentos específicos (ao utilizar produtos químicos, seguir sempre a recomendação da receita agronômica);
§  Regas – devem ser abundantes e feitas de preferência à tarde quando o sol começa a declinar no horizonte, tornando a ação de seus raios menos intensa. Pode ser feita por regadores, mangueiras ou aspersores, dependendo do tamanho do jardim;
§  Reposição de plantas dos canteiros e gramados – proceder da mesma forma que a da implantação do jardim (preparo de solo, plantio, etc.);
§  Adubação continuada e equilibrada – é recomendável se ater ao plano de adubação (observando-se as necessidades de cada vegetal existente no jardim), porquanto uma má adubação pode ser nociva às plantas em vez de benéfica.