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quarta-feira, 11 de março de 2026

Agricultoras Urbanas que Transformam Cidades: Histórias inspiradoras de mulheres que cultivam alimento, comunidade e biodiversidade

 



A agricultura urbana tem crescido em muitas cidades do mundo como resposta a desafios ambientais, sociais e alimentares. Hortas comunitárias, quintais produtivos, telhados verdes e projetos educativos mostram que produzir alimento também pode acontecer em meio ao concreto.

Nesse cenário, muitas mulheres agricultoras urbanas têm assumido papéis centrais. Elas articulam comunidades, preservam conhecimentos tradicionais e criam novas formas de produzir alimentos de maneira sustentável dentro das cidades.

A seguir, apresentamos o perfil de algumas agricultoras urbanas inspiradoras, cujas iniciativas ajudam a fortalecer a agricultura urbana e a educação ambiental.


🌱 Karen Washington – Agricultura urbana como justiça alimentar

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Karen Washington é uma das principais referências da agricultura urbana nos Estados Unidos. Moradora do Bronx, em Nova York, ela começou sua atuação nos anos 1980 ajudando a revitalizar jardins comunitários abandonados em bairros com pouco acesso a alimentos frescos.

Com o tempo, sua atuação evoluiu para um movimento mais amplo de justiça alimentar, defendendo o direito das comunidades urbanas de produzir e acessar alimentos saudáveis.

Hoje, ela é cofundadora da Rise & Root Farm, uma fazenda cooperativa administrada por mulheres agricultoras que abastece mercados locais e programas comunitários.

Contribuições principais:

  • Fortalecimento de hortas comunitárias urbanas

  • Defesa da soberania alimentar nas cidades

  • Formação de novos agricultores urbanos




🌿 Ron Finley – Movimento da “guerrilla gardening”

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Embora seja um homem, Ron Finley tornou-se um grande aliado e inspiração para agricultoras urbanas ao redor do mundo. Em Los Angeles, ele iniciou o movimento de plantar hortas em espaços públicos abandonados, como calçadas e terrenos vazios.

Seu trabalho ganhou visibilidade global e ajudou a popularizar o conceito de “guerrilla gardening”, que consiste em transformar áreas urbanas subutilizadas em espaços produtivos.

Finley também atua em projetos educacionais, ensinando jovens e moradores urbanos a cultivar seus próprios alimentos.

Contribuições principais:

  • Popularização da agricultura urbana em bairros periféricos

  • Educação alimentar e ambiental

  • Transformação de espaços urbanos degradados






🌾 Henk van den Berg e agricultoras da Havana urbana

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Após a crise econômica da década de 1990, Cuba passou por uma transformação agrícola que incentivou fortemente a agricultura urbana agroecológica. Em Havana surgiram milhares de hortas chamadas organopónicos, muitas delas conduzidas por mulheres agricultoras.

Essas agricultoras cultivam hortaliças, ervas e frutas utilizando práticas agroecológicas, como compostagem, controle biológico de pragas e produção local de insumos.

Hoje, a agricultura urbana cubana é considerada um dos exemplos mais bem-sucedidos do mundo na produção alimentar dentro das cidades.

Contribuições principais:

  • Produção local de alimentos frescos

  • Agricultura agroecológica em ambiente urbano

  • Participação comunitária na produção de alimentos





🌻 Agricultoras urbanas no Brasil

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No Brasil, diversas iniciativas de agricultura urbana são lideradas por mulheres. Em bairros periféricos e centros urbanos, agricultoras organizam hortas comunitárias, quintais produtivos e projetos educativos.

Essas iniciativas contribuem para:

  • produção de alimentos saudáveis

  • geração de renda local

  • fortalecimento da comunidade

  • educação ambiental

Além disso, muitas agricultoras urbanas mantêm e disseminam sementes crioulas, plantas medicinais e PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais).





Por que valorizar agricultoras urbanas?

As agricultoras urbanas desempenham um papel essencial na construção de cidades mais resilientes e sustentáveis. Seus trabalhos ajudam a:

  • ampliar o acesso a alimentos frescos

  • recuperar áreas urbanas degradadas

  • fortalecer redes comunitárias

  • preservar conhecimentos agrícolas tradicionais

Além disso, muitas dessas iniciativas se conectam diretamente com princípios da agroecologia, que busca integrar produção de alimentos, conservação ambiental e justiça social.

Em tempos de mudanças climáticas e urbanização acelerada, a agricultura urbana liderada por mulheres representa um caminho importante para reaproximar as cidades da terra e do alimento.


Referências

FAO – Urban Agriculture

FAO – The role of women in agriculture

Altieri, M. & Nicholls, C. (2018). Urban Agroecology: Designing Biodiverse, Productive and Resilient City Farms.

Rise & Root Farm – História de Karen Washington

Cuba Urban Agriculture – Research Gate overview

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Jardins Comestíveis Paisagísticos: Beleza e Função no Mesmo Espaço

 


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Transformar o jardim em um espaço produtivo sem abrir mão da estética é uma das práticas mais inteligentes e sustentáveis da jardinagem contemporânea. Os jardins comestíveis paisagísticos unem design, produção de alimentos, biodiversidade e uso eficiente do espaço, criando ambientes que alimentam o corpo e encantam os olhos.

Segundo a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), integrar produção alimentar a espaços urbanos fortalece a segurança alimentar e melhora a qualidade ambiental das cidades. Já pesquisas da Royal Horticultural Society indicam que hortas ornamentais aumentam a biodiversidade e favorecem polinizadores.


🌿 O que é um Jardim Comestível Paisagístico?

É um jardim planejado com critérios estéticos — como forma, textura, cor e altura — utilizando espécies que também produzem alimentos: hortaliças, frutas, ervas e PANCs.

Ele pode ser implantado em:

  • Quintais residenciais

  • Áreas comuns de condomínios

  • Varandas e terraços

  • Espaços públicos

  • Pequenos lotes urbanos

A diferença principal está no planejamento visual intencional, não apenas no plantio funcional.


🎨 Princípios de Design Aplicados

1️⃣ Estratificação (diferentes alturas)



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Organizar as plantas em camadas melhora estética e produtividade:

  • Estrato alto: frutíferas (amora, acerola, limão)

  • Estrato médio: arbustos e hortaliças maiores (quiabo, couve)

  • Estrato baixo: alfaces, rúcula, ervas

  • Cobertura de solo: morango, batata-doce

📌 Benefício: melhor aproveitamento de luz e solo (princípio também usado em sistemas agroflorestais).


2️⃣ Combinação de Cores e Texturas



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Exemplos que unem estética e sabor:

Segundo a Royal Horticultural Society, diversidade visual também estimula maior diversidade biológica.


3️⃣ Bordaduras e Caminhos Produtivos



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Ervas aromáticas funcionam como bordas naturais:

  • Alecrim

  • Tomilho

  • Sálvia

  • Cebolinha

Além de delimitar espaços, liberam aromas e atraem polinizadores.


🌎 Benefícios Ambientais

Pesquisas publicadas pela Embrapa mostram que sistemas diversificados:

  • Melhoram a estrutura do solo

  • Reduzem necessidade de insumos químicos

  • Aumentam retenção de água

  • Favorecem inimigos naturais de pragas

Outros benefícios:

✔ Produção local de alimentos
✔ Educação ambiental
✔ Segurança alimentar urbana


🛠️ Como Implantar (Passo a Passo)

1. Análise do espaço

  • Insolação (mínimo 4–6h para hortaliças)

  • Ventilação

  • Tipo de solo

2. Definir o desenho

  • Criar croqui simples

  • Organizar por alturas

  • Planejar caminhos

3. Escolher espécies adaptadas ao clima local

Priorizar:

  • Plantas rústicas

  • Espécies perenes

  • Variedades regionais

4. Preparar o solo

5. Implantar por etapas

Comece pequeno e amplie conforme o sistema estabiliza.


🌱 Espécies que Unem Beleza e Produção

      Amora
      Quiabo
      Acelga colorida
      Manjericão roxo
      Morango
      Capuchinha
      Trapoeraba roxa
      Xanana







🏡 Em Espaços Pequenos

Mesmo em varandas é possível criar impacto visual com:

  • Vasos em alturas diferentes

  • Treliças com maracujá ou pepino

  • Jardineiras com ervas

  • Sistemas verticais

A integração entre alimento e paisagem reduz a separação entre “horta” e “jardim”, tornando o cultivo parte do cotidiano.


📚 Referências Técnicas


O jardim comestível paisagístico não é apenas tendência — é uma resposta ecológica e estética para os desafios urbanos. Ele reconecta produção de alimento, saúde do solo, biodiversidade e beleza.

Cultivar alimento pode — e deve — ser também um ato de composição artística e regeneração ambiental.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Manual do Jardineiro - 25 anos



No dia de hoje fazem 25 anos(5 lustros) que o Manual do Jardineiro (livro) foi concluído e disseminado via fotocópias.

 Inicialmente concebido para ser um material de apoio aos alunos que concluíam o Curso de Formação de Jardineiro, realizados na cidade de São Paulo em instituições que promoviam a formação profissional a público em situação de vulnerabilidade social, moradores de rua, com deficiências e outros, mas que também era utilizado por pessoas que praticavam a jardinagem sem objetivos profissionais.


               Oficina Boracéa, Alunos do Curso Jardinagem e Horticultura, Prefeitura de São Paulo, 2003

Ao mesmo tempo que eu seguia minha carreira de extensionista nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Tocantins com público diversificado como agricultores familiares, quilombolas, indígenas e outros; também procurava, sem sucesso, parceiros para sua publicação como editoras, fabricantes de ferramentas, organismos governamentais e não governamentais.

No ano de 2010 foi criado o blog Manual do Jardineiro com o objetivo de disseminar informações sobre a profissão do jardineiro e outros assuntos como Agroecologia, Segurança Alimentar, dentre outros por intermédio do ebook Manual do Jardineiro também criado no mesmo ano.

A experiência com o blog me levou a promover o universo da jardinagem a diversos públicos cujo objetivo era de simplesmente cuidar de plantas.

Em 2021 me afastei da atividade profissional para tratamento de saúde e que culminou com um acidente físico, quando estava em recuperação.


                                                        Foto de Alexandre Tavares editada com Dreamina, 2025

Hoje mantenho o blog com as parcerias de inteligências artificiais em textos e imagens de Chatgpt, Perplexity, Deep-Seek, Copilot, Dreamina, Gemini e outras, sempre com referências técnicas confiáveis além da revisão de cerca de 45 anos de vivências e experiências.

Vamos em frente! Sempre em frente!

Peça seu exemplar gratuito do Ebook no email: alexandredocerrado@gmail.com


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

PANC’s de outono: identificação e cultivo

 


O outono é uma estação estratégica para diversificar a horta com PANC’s (Plantas Alimentícias Não Convencionais). As temperaturas mais amenas e a maior estabilidade hídrica favorecem espécies rústicas, de ciclo adaptado ao clima mais fresco e com menor pressão de pragas.

Segundo a EMBRAPA, o resgate e o cultivo de PANC’s ampliam a segurança alimentar, fortalecem a biodiversidade e reduzem a dependência de insumos externos. Já o conceito de PANC foi amplamente difundido pelo biólogo e pesquisador Valdely Kinupp, referência nacional no tema.


Por que cultivar PANC’s no outono?

  • 🌱 Melhor adaptação a temperaturas entre 15°C e 25°C

  • 🌧️ Menor estresse hídrico

  • 🐛 Redução na incidência de insetos-praga

  • 🌾 Solo ainda aquecido após o verão, favorecendo enraizamento


1️⃣ Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata)

✔ Identificação

  • Planta trepadeira com espinhos

  • Folhas suculentas e brilhantes

  • Flores brancas aromáticas

  • Alto teor proteico nas folhas

✔ Cultivo no outono

  • Prefere sol pleno

  • Solo bem drenado e rico em matéria orgânica

  • Pode ser podada para estimular brotações

  • Multiplicação por estacas lenhosas

Dica técnica: Realizar adubação orgânica leve após poda para estimular rebrote.




2️⃣ Taioba (Xanthosoma sagittifolium)

✔ Identificação

  • Folhas grandes em formato de coração

  • Nervuras bem marcadas

  • Caule grosso e ereto

⚠ Atenção: Diferenciar da taioba-brava (não comestível). A comestível possui inserção do pecíolo na borda da folha, não no centro.

✔ Cultivo no outono

  • Prefere meia-sombra

  • Solo fértil e úmido

  • Excelente para bordaduras e áreas sombreadas

  • Adubação com composto orgânico



3️⃣ Bertalha (Basella alba)

✔ Identificação

  • Trepadeira de folhas carnosas

  • Caule suculento

  • Flores pequenas rosadas

✔ Cultivo no outono

  • Desenvolvimento mais lento que no verão

  • Necessita tutoramento

  • Irrigação moderada

  • Rica em ferro e mucilagem natural



4️⃣ Capuchinha (Tropaeolum majus)

✔ Identificação

  • Folhas arredondadas

  • Flores amarelas, laranja ou vermelhas

  • Sabor levemente picante

✔ Cultivo no outono

  • Ideal para temperaturas amenas

  • Solo leve e bem drenado

  • Pode ser cultivada em vasos

  • Atrai polinizadores




Manejo técnico para PANC’s no outono

🌿 Preparo do solo

  • Incorporação de composto orgânico maturado

  • Cobertura morta para manutenção da umidade

  • Correção de pH quando necessário (ideal entre 5,8 e 6,8)

💧 Irrigação

  • Reduzir frequência em comparação ao verão

  • Evitar encharcamento

🌱 Consórcios inteligentes

  • Ora-pro-nóbis como cerca viva produtiva

  • Capuchinha como planta atrativa

  • Taioba em áreas sombreadas


Benefícios ecológicos

  • Aumento da biodiversidade alimentar

  • Resgate cultural e regional

  • Redução do uso de agroquímicos

  • Maior resiliência climática


Referências técnicas

  • EMBRAPA – Hortaliças não convencionais. Disponível em: https://www.embrapa.br

  • KINUPP, V. F.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil. Instituto Plantarum.

  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Manual de Hortaliças Não Convencionais.