quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Manejo Integrado de Pragas: Soluções baseadas na natureza para jardins saudáveis

 



O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma estratégia que busca prevenir, reduzir e controlar pragas de forma equilibrada, utilizando principalmente processos naturais, observação constante e intervenções graduais. No jardim agroecológico, o objetivo não é eliminar todos os insetos, mas manter o equilíbrio entre pragas, plantas e inimigos naturais, evitando o uso de agrotóxicos.

Pragas surgem quando há desequilíbrio ambiental: excesso de uma única planta, solo empobrecido ou ausência de biodiversidade. O manejo integrado atua justamente na correção dessas causas.


1. Princípios do Manejo Integrado de Pragas

Antes de qualquer receita, o jardineiro precisa compreender alguns princípios básicos:

  • Monitoramento constante das plantas

  • Identificação correta da praga

  • Intervenção gradual, começando pelas técnicas menos agressivas

  • Fortalecimento das plantas, não apenas combate aos insetos

  • Uso de soluções naturais apenas quando necessário

Esses princípios reduzem custos, trabalho e impactos ambientais.




2. Soluções Baseadas na Natureza (SBN)

As Soluções Baseadas na Natureza utilizam extratos vegetais, minerais simples e microrganismos que já existem nos ecossistemas, respeitando os ciclos naturais.

Abaixo estão receitas tradicionais, amplamente estudadas e utilizadas na agroecologia.


3. Calda de Alho e Cebola

Repelente natural de insetos sugadores

Pragas-alvo:
Pulgões, cochonilhas, tripes e mosca-branca.

Propriedades

  • Repelente natural

  • Ação antibacteriana e antifúngica leve

  • Não tóxica ao solo e aos polinizadores quando usada corretamente

Receita – passo a passo

  1. Triturar:

    • 2 cabeças de alho

    • 1 cebola média

  2. Misturar em 1 litro de água

  3. Deixar em repouso por 24 horas

  4. Coar bem

  5. Diluir em mais 9 litros de água

Aplicação

  • Pulverizar sobre folhas (frente e verso)

  • Preferir início da manhã ou final da tarde

Indicações

  • Aplicar 1 vez por semana

  • Evitar pulverizar flores abertas




4. Calda de Fumo (uso restrito e consciente)

⚠️ Uso apenas em último caso e com critério, pois é mais forte.

Pragas-alvo:
Pulgões, lagartas pequenas e percevejos.

Propriedades

  • Ação inseticida de contato

  • Atua no sistema nervoso dos insetos

Receita – passo a passo

  1. Colocar 100 g de fumo de rolo picado em 1 litro de água

  2. Deixar em repouso por 24 horas

  3. Coar

  4. Diluir em 9 litros de água

  5. Adicionar 1 colher de sabão neutro (adesivo natural)

Aplicação

  • Pulverizar somente folhas atacadas

  • Nunca aplicar em plantas com flores ou próximo à colheita

Indicações

  • Uso pontual

  • Nunca aplicar repetidamente



5. Calda de Pimenta

Repelente e irritante natural

Pragas-alvo:
Lagartas, formigas, besouros e insetos mastigadores.

Propriedades

  • Repelente natural

  • Ação irritante que afasta insetos

Receita – passo a passo

  1. Triturar 5 pimentas malaguetas

  2. Misturar em 1 litro de água

  3. Deixar repousar por 24 horas

  4. Coar

  5. Diluir em 9 litros de água

Aplicação

  • Pulverizar folhas e caule

  • Usar luvas durante o preparo

Indicações

  • Aplicar a cada 7–10 dias

  • Evitar horários de sol forte




6. Controle biológico: aliados invisíveis

Insetos benéficos são parte essencial do MIP:

  • Joaninhas → controlam pulgões

  • Vespas parasitoides → controlam lagartas

  • Louva-a-deus → predadores naturais

Para atraí-los:

  • Plantar flores como coentro, erva-doce e tagetes

  • Evitar pulverizações frequentes

  • Manter diversidade no jardim




7. Manejo preventivo: o melhor controle é não precisar controlar

A prevenção inclui:

  • Solo bem nutrido

  • Adubação orgânica equilibrada

  • Plantio diversificado

  • Rotação de culturas

  • Plantas sadias resistem melhor às pragas

No manejo integrado, plantas fortes sofrem menos ataques.





O Manejo Integrado de Pragas, baseado na natureza, transforma o jardineiro em observador e cuidador do ecossistema, e não apenas em combatente de insetos. Com receitas simples, atenção ao ambiente e respeito aos ciclos naturais, é possível manter jardins produtivos, equilibrados e vivos — sem venenos.


Fontes e referências confiáveis

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Controle de Ervas Espontâneas no Jardim

 


Técnicas naturais, eficientes e em harmonia com o solo

No jardim agroecológico, as chamadas ervas espontâneas não são inimigas. Elas surgem como resposta do solo ao manejo, ao clima e às condições de luz e umidade. Mais do que combater, o objetivo do jardineiro consciente é controlar, mantendo o equilíbrio entre as plantas cultivadas e a vegetação espontânea, sem recorrer a agrotóxicos que degradam o solo, contaminam a água e afetam a vida ao redor.

O controle natural exige observação, constância e respeito aos ciclos da natureza — e pode ser feito com técnicas simples, acessíveis e eficazes.


1. Cobertura do solo (Mulching): o solo nunca deve ficar nu

A cobertura do solo é uma das estratégias mais eficientes para reduzir o surgimento de ervas espontâneas. Ao cobrir a terra, bloqueamos a luz necessária para a germinação das sementes indesejadas e, ao mesmo tempo, protegemos o solo da erosão e da perda de umidade.

Materiais recomendados:

  • Palha seca

  • Folhas secas trituradas

  • Capim roçado

  • Serragem curtida

  • Casca de árvores

  • Restos de poda triturados

Além de controlar ervas espontâneas, a cobertura alimenta a vida do solo, favorecendo minhocas e microrganismos benéficos.






2. Capina manual consciente: menos esforço, mais estratégia

A capina manual continua sendo uma técnica importante, especialmente em jardins pequenos. O segredo está no momento certo: ervas jovens são muito mais fáceis de remover e ainda não competem fortemente por nutrientes.

Algumas orientações importantes:

  • Capinar com o solo levemente úmido

  • Evitar revolver excessivamente a terra

  • Priorizar a remoção antes da floração e produção de sementes

  • Utilizar ferramentas simples, como enxadas leves e garfos de jardim

Sempre que possível, os restos das ervas arrancadas podem ser reaproveitados como cobertura morta, desde que não tenham sementes.






3. Plantio adensado e consórcios: ocupar o espaço é prevenir

Na natureza, o solo raramente fica vazio. Quanto mais espaço livre, maior a chance de surgirem ervas espontâneas. Por isso, o plantio adensado e os consórcios de plantas são aliados poderosos.

Exemplos eficientes:

  • Hortaliças intercaladas com ervas aromáticas

  • Flores entre canteiros de legumes

  • Plantas de crescimento rápido cobrindo áreas expostas

Essas associações reduzem a luz no solo, dificultam a germinação de sementes indesejadas e ainda favorecem a biodiversidade.






4. Roçagem e manejo periódico: controle sem revolver o solo

Em áreas maiores, como quintais e pomares, a roçagem regular substitui a capina intensa. Ao cortar as ervas espontâneas rente ao solo, sem arrancar as raízes, evita-se o revolvimento da terra e a exposição de novas sementes.

O material roçado pode permanecer no local, formando uma cobertura vegetal natural.

Essa técnica é especialmente recomendada para:

  • Pomares

  • Jardins naturais

  • Áreas de transição entre cultivo e mata






5. Uso consciente de plantas espontâneas

Nem toda erva espontânea precisa ser eliminada. Muitas indicam a qualidade do solo e podem até trazer benefícios, como:

  • Proteção contra erosão

  • Atração de polinizadores

  • Melhoria da estrutura do solo

O manejo agroecológico inclui observar, selecionar e manter algumas espécies, evitando apenas que dominem o espaço das plantas cultivadas.





Controlar é conviver, não exterminar

O controle de ervas espontâneas sem agrotóxicos é uma prática que fortalece o solo, reduz o trabalho a longo prazo e cria jardins mais saudáveis e resilientes. Com cobertura do solo, diversidade de plantas e manejo consciente, o jardineiro passa a trabalhar com a natureza, e não contra ela.


Fontes e referências confiáveis

  • FAO – Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura
    Agroecology Knowledge Hub

  • EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
    Plantas espontâneas e manejo agroecológico

  • Altieri, M. A.
    Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável
    Editora Expressão Popular

  • Primavesi, A.
    Manejo ecológico do solo
    Editora Nobel

  • Ministério do Meio Ambiente – Brasil
    Princípios da agroecologia

sábado, 3 de janeiro de 2026

Diabólica Trindade. Composição de Acioly Neto. Interpretação de Chico César


 

Rachel Carson: a voz que ensinou o mundo a escutar a Terra

 


Há pessoas que não gritam para mudar o mundo. Elas escrevem. Observam com atenção, escutam a natureza com humildade e transformam ciência em consciência. Rachel Carson foi assim. Uma mulher de fala serena, olhar atento e palavras firmes, que mudou para sempre a forma como a humanidade se relaciona com a vida no planeta.


Infância, sensibilidade e ciência

Rachel Louise Carson nasceu em 1907, na Pensilvânia (EUA), em uma pequena propriedade rural cercada por campos, riachos e aves. Foi nesse contato íntimo com a natureza que se formou sua sensibilidade. Desde cedo, aprendeu a observar os ciclos da vida, a escutar os sons do ambiente e a respeitar os limites naturais.

Formou-se em Biologia Marinha e construiu carreira como cientista e escritora. Diferente de muitos acadêmicos de sua época, Rachel tinha o dom raro de traduzir a linguagem científica em palavras acessíveis, poéticas e profundamente humanas. Para ela, ciência não era apenas dados e números, mas uma forma de cuidar do mundo.


A escritora dos mares

Antes de se tornar símbolo do ambientalismo, Rachel Carson já era uma autora respeitada. Seus livros sobre os oceanos — Under the Sea-Wind, The Sea Around Us e The Edge of the Sea — revelavam a beleza, a complexidade e a interdependência dos ecossistemas marinhos. Neles, a natureza aparece não como recurso, mas como comunidade viva.

Essas obras ajudaram a despertar no público a percepção de que os seres humanos fazem parte da teia da vida, e não estão acima dela. Essa visão ecológica integrada seria a base de sua contribuição futura à agroecologia e ao pensamento ambiental.



Primavera Silenciosa: um alerta ao mundo

Em 1962, Rachel Carson publicou Silent Spring (Primavera Silenciosa). O livro denunciava os efeitos devastadores do uso indiscriminado de pesticidas sintéticos, especialmente o DDT, sobre aves, insetos, solos, águas e sobre a própria saúde humana.

Rachel mostrou que o veneno aplicado para eliminar “pragas” não desaparecia. Ele se acumulava no solo, contaminava rios, entrava na cadeia alimentar e silenciava a primavera — sem pássaros, sem insetos, sem vida.

A reação foi imediata e violenta. Indústrias químicas tentaram desacreditá-la, atacando sua credibilidade como mulher e cientista. Ainda assim, sua escrita calma, baseada em evidências científicas sólidas, prevaleceu.



A raiz da agroecologia

Rachel Carson não usava o termo “agroecologia”, mas seus princípios estão profundamente presentes em sua obra:

  • Respeito aos ciclos naturais

  • Compreensão dos ecossistemas como sistemas integrados

  • Crítica ao controle químico simplista da natureza

  • Defesa da diversidade biológica

  • Valorização do conhecimento científico aliado à ética

Ao questionar o modelo agrícola dependente de insumos químicos, Rachel abriu caminho para práticas agrícolas mais sustentáveis, baseadas no equilíbrio ecológico, no cuidado com o solo, na proteção da biodiversidade e na saúde das comunidades humanas.

Seu pensamento inspira, até hoje, agricultoras e agricultores agroecológicos, jardineiros, pesquisadores e movimentos que defendem uma agricultura viva, diversa e regenerativa.



Um legado que floresce

Rachel Carson faleceu em 1964, aos 56 anos, vítima de câncer. Não viveu para ver a proibição do DDT em vários países, a criação de agências ambientais ou o fortalecimento do movimento ambientalista global — todos profundamente influenciados por sua obra.

Seu maior legado talvez seja este: ensinar que a relação entre humanidade e natureza é uma relação moral. Cada escolha — no campo, no jardim, na alimentação — carrega consequências.

No silêncio atento com que observava a vida, Rachel Carson nos deixou um convite permanente: cuidar da Terra como quem cuida de um jardim. Com conhecimento, sensibilidade e responsabilidade.

Que suas palavras continuem ecoando em cada solo vivo, em cada lavoura agroecológica e em cada jardim cultivado com respeito à vida.



Referências e fontes confiáveis

Planejamento de Pomar Doméstico



Como escolher espécies e definir o espaçamento correto

Ter um pomar em casa é mais do que plantar árvores frutíferas: é criar um sistema vivo, produtivo e equilibrado. Um bom planejamento evita problemas futuros, melhora a produção e reduz a necessidade de podas drásticas, defensivos e manutenção excessiva.

Este guia apresenta os princípios básicos para planejar um pomar doméstico agroecológico, mesmo em quintais pequenos.


1. Avaliação do espaço disponível

Antes de escolher as espécies, é fundamental observar o local onde o pomar será implantado.

Pontos principais a observar:

Tamanho do terreno (comprimento, largura e áreas livres)

Incidência de sol (mínimo de 6 horas diárias para frutíferas)

Drenagem do solo (evitar locais encharcados)

Proximidade de construções, muros e redes elétricas

Circulação de pessoas

👉 Regra prática: quanto menor o espaço, mais importante é escolher espécies de porte pequeno ou médio.




2. Escolha das espécies frutíferas

A escolha correta das espécies garante adaptação ao clima, menor incidência de pragas e boa produtividade.

Priorize:

Frutíferas adaptadas ao clima local

Espécies rústicas e resistentes

Plantas com necessidades semelhantes de água e sol

Exemplos de frutíferas indicadas para pomares domésticos no Brasil:

Pequeno porte: acerola, pitanga, romã, limão-cravo, jabuticaba enxertada

Médio porte: goiabeira, caquizeiro, pessegueiro, ameixeira

Grande porte (somente áreas amplas): manga, abacateiro, jaqueira



3. Consórcio e diversidade no pomar

Um pomar diversificado é mais saudável e equilibrado.

Boas práticas:

Misturar espécies diferentes (evita surtos de pragas)

Incluir plantas atrativas de polinizadores (manjericão, lavanda, alecrim)

Usar plantas de cobertura do solo (amendoim-forrageiro, feijão-de-porco)

👉 A diversidade reduz a necessidade de defensivos e melhora a fertilidade do solo.



4. Espaçamento correto entre as árvores

O espaçamento adequado evita competição por água, luz e nutrientes, além de facilitar a circulação de ar.

Espaçamentos recomendados:

Frutíferas de pequeno porte: 2,5 a 3 m

Frutíferas de médio porte: 4 a 5 m

Frutíferas de grande porte: 6 a 10 m

👉 Árvores muito próximas tendem a:

Produzir menos frutos

Ter maior incidência de doenças

Exigir podas constantes das copas 




5. Planejamento do crescimento futuro

Ao plantar, pense no tamanho da árvore daqui a 5, 10 ou 20 anos.

Dicas importantes:

Não plantar frutíferas grandes próximas a muros

Evitar plantio sob fiação elétrica

Prever espaço para crescimento da copa

Manter distância de caixas d’água e encanamentos

👉 Um erro comum é plantar mudas pequenas sem considerar seu porte adulto.



6. Organização do pomar no tempo

O pomar pode ser implantado aos poucos.

Planejamento gradual:

Ano 1: preparo do solo e plantio das primeiras mudas

Ano 2: introdução de novas espécies e plantas de cobertura

Ano 3 em diante: ajustes, podas de formação e enriquecimento do sistema

Isso reduz custos e facilita o manejo.



Planejar um pomar doméstico é um exercício de observação, paciência e respeito ao ritmo da natureza. Escolher espécies adequadas, respeitar o espaçamento e apostar na diversidade são os pilares para um pomar produtivo, bonito e sustentável.


Fontes e referências técnicas

EMBRAPA – Implantação e manejo de pomares domésticos

https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes

EMBRAPA Clima Temperado – Fruticultura de base agroecológica

https://www.embrapa.br/clima-temperado

Manual de Fruticultura – EPAGRI

https://www.epagri.sc.gov.br

Altieri, M. A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável

Editora Expressão Popular

Primavesi, A. Manejo ecológico do solo

Editora Nobel


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Preparo das caldas sulfocálcica e viçosa

 



Caldas Sulfocálcica e Viçosa

Preparo passo a passo e uso consciente no jardim agroecológico

O uso de caldas minerais faz parte do manejo fitossanitário tradicional na agricultura e na jardinagem agroecológica. Entre as mais conhecidas estão a calda sulfocálcica e a calda viçosa, ambas amplamente estudadas por instituições de pesquisa e utilizadas como ferramentas preventivas, reduzindo a dependência de agrotóxicos sintéticos.

Quando bem preparadas e aplicadas corretamente, essas caldas contribuem para o equilíbrio do jardim, fortalecendo as plantas e auxiliando no controle de pragas e doenças.


1. Calda Sulfocálcica

O que é e para que serve

A calda sulfocálcica é um produto obtido pela reação do enxofre com a cal virgem, resultando em compostos sulfurosos solúveis. Atua principalmente como:

Fungicida e acaricida

Redutor de populações de cochonilhas, ácaros e ovos de insetos

Produto de ação preventiva e curativa leve

É recomendada principalmente para frutíferas, plantas lenhosas e jardins externos, evitando aplicações em plantas sensíveis e em períodos de calor excessivo.


Preparo da Calda Sulfocálcica – Passo a Passo

Ingredientes básicos:

2 kg de enxofre em pó

1 kg de cal virgem (óxido de cálcio)

10 litros de água

Recipiente metálico resistente ao calor

Bastão de madeira para mexer


🔹 Passo 1 – Dissolução inicial do enxofre

Misture o enxofre em parte da água fria até formar uma pasta homogênea.


🔹 Passo 2 – Hidratação da cal virgem

Em outro recipiente, adicione a cal virgem lentamente à água, com cuidado, pois ocorre liberação de calor.


🔹 Passo 3 – Cozimento da mistura

Junte a pasta de enxofre à cal hidratada e leve ao fogo baixo, mexendo sempre, por cerca de 40 a 60 minutos, até a calda adquirir coloração castanho-avermelhada.


🔹 Passo 4 – Resfriamento e armazenamento

Deixe esfriar, coe se necessário e armazene em recipiente escuro, bem fechado.




2. Calda Viçosa

O que é e para que serve

A calda viçosa foi desenvolvida pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e é considerada uma evolução da calda bordalesa. Além do efeito fungicida, atua como fertilizante foliar, fornecendo micronutrientes.

É indicada para:

Prevenção de doenças fúngicas

Correção nutricional

Fortalecimento fisiológico das plantas


Preparo da Calda Viçosa – Passo a Passo

Ingredientes para 100 litros (pode ser proporcionalmente reduzido):

1 kg de sulfato de cobre

0,5 kg de cal hidratada

0,5 kg de sulfato de zinco

0,3 kg de sulfato de magnésio

0,2 kg de ácido bórico

Água limpa


🔹 Passo 1 – Dissolução dos sais

Dissolva cada sal separadamente em recipientes diferentes, utilizando água morna para facilitar a dissolução.



🔹 Passo 2 – Preparo do leite de cal

Em outro recipiente, dilua a cal hidratada até formar um líquido esbranquiçado homogêneo.


🔹 Passo 3 – Mistura correta

Em um recipiente maior, adicione primeiro o leite de cal e, em seguida, os sais dissolvidos, sempre mexendo.




🔹 Passo 4 – Ajuste e uso imediato

Complete o volume com água e utilize a calda no mesmo dia, evitando armazenamento prolongado.



Boas Práticas de Uso no Jardim

Aplicar preferencialmente no início da manhã ou fim da tarde

Evitar dias muito quentes ou chuvosos

Não misturar com óleos minerais ou outros defensivos

Utilizar equipamentos de proteção (luvas e óculos)

Testar em poucas plantas antes de aplicar em todo o jardim


As caldas sulfocálcica e viçosa representam saberes consolidados da agricultura de base ecológica. Quando usadas com critério técnico, fazem parte de um manejo que respeita os ciclos naturais, fortalece as plantas e promove jardins mais resilientes e vivos.


Referências Técnicas e Fontes Confiáveis

EMBRAPA – Manejo Alternativo de Pragas e Doenças

https://www.embrapa.br

Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Calda Viçosa: formulação e uso

https://www.ufv.br

MAPA – Ministério da Agricultura

Instruções técnicas sobre defensivos alternativos

https://www.gov.br/agricultura

Altieri, M. A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável

Editora Expressão Popular

Primavesi, A. Manejo ecológico do solo

Editora Nobel

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Caldas Fitoprotetoras no Jardim

 



Bordalesa, Sulfocálcica e Viçosa: proteção natural para plantas mais saudáveis

O manejo fitossanitário no jardim pode ser feito de forma preventiva e sustentável por meio do uso de caldas fitoprotetoras. Essas preparações tradicionais, desenvolvidas a partir de minerais simples e amplamente estudadas, atuam no controle de doenças e pragas sem causar desequilíbrios ambientais quando utilizadas corretamente.

Entre as mais conhecidas e utilizadas estão a calda bordalesa, a calda sulfocálcica e a calda viçosa, todas permitidas na agricultura orgânica no Brasil, conforme normas do Ministério da Agricultura.


O que são caldas fitoprotetoras?

As caldas fitoprotetoras são misturas aquosas de origem mineral, usadas principalmente de forma preventiva, fortalecendo as plantas e reduzindo a incidência de fungos, bactérias, ácaros e insetos sugadores.

Diferentemente dos agrotóxicos sintéticos, essas caldas:

Têm ação multissítio, dificultando resistência de patógenos

Apresentam baixo impacto ambiental

São adequadas para jardins, hortas e pomares agroecológicos.




Calda Bordalesa

O que é

A calda bordalesa é uma mistura de sulfato de cobre, cal virgem ou hidratada e água, criada na França no século XIX para o controle de míldio em videiras.


Principais funções

Controle de doenças fúngicas: míldio, ferrugem, antracnose, mancha foliar

Controle de algumas bactérias fitopatogênicas


Onde usar

Frutíferas (citros, videiras, mangueiras)

Hortaliças

Plantas ornamentais


Cuidados importantes

Aplicar preferencialmente em períodos sem chuva

Evitar uso em plantas jovens ou em floração

Não aplicar sob sol forte.



Calda Sulfocálcica

O que é

A calda sulfocálcica é produzida a partir da reação do enxofre com a cal, formando compostos sulfurados com forte ação inseticida, acaricida e fungicida.


Principais funções

Controle de ácaros

Controle de cochonilhas e pulgões

Redução de fungos superficiais


Onde usar

Frutíferas caducifólias

Plantas ornamentais lenhosas

Pomares domésticos


Características importantes

Possui odor forte

Deve ser usada com equipamentos de proteção

Não aplicar em temperaturas muito altas



Calda Viçosa

O que é

A calda viçosa é uma evolução da calda bordalesa, desenvolvida pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Além do cobre e da cal, contém micronutrientes essenciais como zinco, boro, magnésio e manganês.


Principais funções

Nutrição foliar

Prevenção de doenças fúngicas

Fortalecimento geral da planta


Onde usar

Hortas

Pomares

Plantas ornamentais em solos pobres


Benefícios adicionais

Reduz deficiências nutricionais

Melhora a resistência natural das plantas



Boas práticas de uso das caldas


Utilizar sempre dosagens corretas

Fazer testes em poucas folhas antes da aplicação geral

Alternar caldas para evitar acúmulo de cobre no solo

Priorizar o uso preventivo, não curativo



O uso consciente das caldas bordalesa, sulfocálcica e viçosa reforça uma jardinagem mais ética, ecológica e eficiente, alinhada aos princípios da agroecologia. Quando bem aplicadas, essas caldas contribuem para jardins mais resilientes, plantas mais saudáveis e menor impacto ambiental.


Fontes e referências técnicas

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Instrução Normativa nº 46/2011 (Produção Orgânica)

https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sustentabilidade/organicos

Embrapa – Uso de caldas tradicionais no controle de doenças

https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes

Universidade Federal de Viçosa (UFV) – Calda Viçosa: formulação e uso

https://www2.ufv.br

Altieri, M. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável – Editora Expressão Popular