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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Solo, Substrato e Adubação Orgânica: Por que fazem diferença no seu jardim

 

O solo é mais do que a terra onde suas plantas vivem: é um ecossistema ativo, cheio de vida microscópica, matéria orgânica e minerais. Quando cultivamos em vasos, ele é substituído por um substrato, preparado para ser leve, poroso e rico o suficiente para manter raízes saudáveis.


O que é um bom solo/substrato?

Um substrato de qualidade precisa equilibrar três funções:

  1. Suporte físico – manter a planta firme.

  2. Retenção inteligente de água – guardar umidade, mas sem encharcar.

  3. Reserva de nutrientes – liberar alimento de forma gradual.

Para isso, misturas costumam incluir componentes como fibra de coco, composto orgânico, casca de pinus, perlita ou areia lavada. A combinação ideal favorece a entrada de ar nas raízes e mantém a microbiota ativa — algo que não acontece em substratos puramente minerais ou muito compactados.


Adubação orgânica: o que é e por que funciona

A adubação orgânica utiliza materiais de origem vegetal ou animal, como composto, húmus de minhoca, bokashi, tortas vegetais, esterco curtido e biofertilizantes líquidos.

Seu poder está em três pontos principais:

1. Alimentação gradual e estável

Os nutrientes orgânicos não “explodem” no solo como alguns fertilizantes químicos. Eles se decompõem aos poucos, liberando nutrientes conforme os microrganismos trabalham. Isso evita queimaduras, desequilíbrios e salinização.

2. Melhoria física do solo

Matéria orgânica deixa o solo mais macio, leve e esponjoso, aumentando:

  • porosidade,

  • retenção de água,

  • atividade microbiana.

Um solo vivo retém nutrientes melhor e sofre menos erosão ou compactação.

3. Construção de fertilidade real

A fertilidade orgânica é sustentável: acumula carbono, cria agregados estáveis e torna o solo mais resistente a variações climáticas. Adubos químicos alimentam a planta; os orgânicos alimentam a terra que alimenta a planta.



Por que evitar excesso de fertilizantes químicos?

Os fertilizantes químicos têm uso técnico importante, mas em jardins domésticos apresentam desafios:

  • Risco de queimadura radicular por liberação rápida de nutrientes.

  • Empobrecimento biológico do solo pela salinização.

  • Aumento da dependência: a planta se acostuma à disponibilidade imediata.

  • Impacto ambiental, especialmente quando há lixiviação para cursos d’água.

Em contraste, a adubação orgânica mantém o solo vivo, resistente e equilibrado.




Como usar adubação orgânica na prática

  • Misture 10–20% de composto ou húmus ao substrato em cada replante.

  • Aplique composto ou bokashi a cada 30–60 dias em vasos.

  • Use biofertilizantes líquidos diluídos semanalmente ou quinzenalmente.

  • Mantenha cobertura morta com folhas secas, cascas ou palha, para conservar umidade e alimentar o solo aos poucos.


Referências e fontes confiáveis

Embrapa – Solos e matéria orgânica:

Embrapa Hortaliças – Compostagem e uso de adubos orgânicos:

FAO – Soil organic matter and soil health:

IBD – Agricultura orgânica e fundamentos:


quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Faça sua adubação orgânica: compostagem doméstica e vermicompostagem

Compostagem Doméstica e Vermicompostagem: Tipos, Propriedades e Como Usar na Jardinagem

A compostagem é um processo natural de transformação de resíduos orgânicos em um material rico em nutrientes conhecido como composto. Esse composto melhora a fertilidade do solo, aumenta a retenção de água e estimula a vida microbiana. Existem várias formas de compostagem, mas duas se destacam para quem cultiva em casa ou no jardim: compostagem doméstica comum e vermicompostagem (com minhocas).

Por que compostar?

  • Reduz o lixo doméstico

  • Enriquece o solo sem precisar de adubos químicos

  • Estimula a biodiversidade do solo

  • Cria um ciclo natural entre cozinha e jardim


Compostagem Doméstica (Comum)

Como funciona

É o processo de decomposição dos resíduos orgânicos em um recipiente ou leira, utilizando microrganismos já presentes no ambiente. Não exige minhocas, apenas equilíbrio entre materiais ricos em nitrogênio (verdes) e ricos em carbono (secos).

Verdes (Nitrogênio):

  • Restos de frutas e legumes

  • Café usado

  • Sachês de chá

  • Grama recém-cortada

Secos (Carbono):

  • Folhas secas

  • Serragem sem tratamento

  • Papelão picado

  • Palha

Proporção recomendada

Para evitar mau cheiro e excesso de umidade:

2 partes de materiais secos : 1 parte de materiais verdes

Tempo de decomposição

De 2 a 6 meses, dependendo do clima, umidade e aeração.

Uso na jardinagem

  • Misturar ao solo na proporção de 1 parte de composto para 3 partes de terra

  • Usar como cobertura (mulch) em canteiros

  • Aplicar no preparo de hortas, viveiros e vasos grandes

Benefícios:

  • Melhora a textura e a drenagem do solo

  • Aumenta a retenção de água

  • Estimula microrganismos benéficos



Vermicompostagem (Com Minhocas)

Como funciona

A vermicompostagem utiliza minhocas, geralmente Eisenia fetida (conhecidas como minhocas californianas), para acelerar a decomposição dos resíduos orgânicos. O resultado é o húmus de minhoca, considerado um dos adubos naturais mais completos.

Materiais indicados

  • Restos de frutas e hortaliças

  • Casca de ovo triturada (ajuda a reduzir acidez)

  • Borra de café e filtros de papel

  • Folhas secas e papel picado sem tinta colorida

Evitar

  • Cítricos em excesso

  • Alho, cebola

  • Carne, gordura ou laticínios

Condições ideais

  • Ambiente arejado e úmido, porém não encharcado

  • Temperatura entre 18°C e 28°C

Tempo de produção

De 45 a 90 dias, dependendo da população de minhocas.

Uso na jardinagem

  • Misturar diretamente no solo em pequenas quantidades

  • Ideal para mudas e plantas sensíveis

  • Pode ser diluído em água para fazer chá de húmus (biofertilizante)



Receitas Práticas

1. Terra Adubada para Vasos

  • 3 partes de terra comum

  • 1 parte de composto doméstico

  • 1 parte de areia grossa
    Misture bem e use como base para vasos de plantas ornamentais ou hortaliças.

2. Chá de Húmus (Biofertilizante Líquido)

  • 1 copo de húmus de minhoca

  • 1 litro de água sem cloro
    Deixe descansar por 24 horas, coe e use para regar a cada 15 dias.

3. Cobertura de Solo (Mulch)

  • Folhas secas picadas

  • Palha ou serragem fina
    Aplique uma camada de 3 a 5 cm sobre o solo para manter umidade e nutrir lentamente.


Fontes e Referências Confiáveis

 

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Fungos, decompositores da natureza - sua importância para a fertilidade do solo

                               

Os fungos são parceiros invisíveis do jardineiro. Como decompositores, eles são essenciais para a fertilidade do solo e substratos. Suas hifas atuam como uma rede, decompondo matéria orgânica (como galhos e folhas) e transformando-a em nutrientes acessíveis para as plantas.

Além de reciclar nutrientes, essa rede melhora a estrutura do solo, aumentando sua aeração e capacidade de reter água. Um solo rico em fungos é um solo vivo e fértil, onde as plantas crescem mais fortes e saudáveis. Respeitar estes organismos é a chave para um jardim próspero.


A rede de fungos no solo e sua importância para a fertilidade                                                                                 

No solo de florestas, campos e jardins há uma verdadeira estrutura viva subterrânea formada por fungos. Esses organismos desempenham papéis essenciais na nutrição das plantas, na saúde do solo e no ciclo de matéria orgânica. A seguir explico de forma simples e ilustrativa como funciona essa rede, quais são os principais tipos de fungos em cada ambiente e por que ela é fundamental para a fertilidade do solo.


O que é a “rede de fungos”

Fungos do solo formam filamentos chamados hifas, que se conectam em redes muito extensas e finas além das raízes das plantas. Neste sistema:

  • Fungos decompositores quebram matéria orgânica morta (folhas, galhos, raízes) e liberam nutrientes para o solo. ohioline.osu.edu+1

  • Fungos micorrízicos se unem às raízes das plantas (em mutualismo) e ampliam a área de absorção de água e nutrientes, especialmente fósforo. PMC+2nationalforests.org+2

  • Essa rede ajuda a agregar o solo (melhorando sua estrutura), reter água, prevenir erosão e manter os nutrientes no sistema. PMC+1

Em linguagem ilustrativa: pense nos fungos como “vias alternativas” que conectam plantas, solo e nutrientes — auxiliando para que a vida subterrânea floresça e sustente o que vemos acima do solo.


                            

Principais fungos e onde atuam

Floresta

Em florestas naturais, dominam os fungos micorrízicos do tipo ectomicorrízico (EcM) associados a árvores como pinheiros, faias, carvalhos. Eles formam “mangas” visíveis nas raízes e trocam carboidratos da planta por nutrientes do solo. Essa rede ajuda a árvore a explorar solo mais pobre e sustenta grandes ecossistemas. nph.onlinelibrary.wiley.com+1

Campo (agricultura/gramados)

Em áreas de campo e gramados, predominam os fungos micorrízicos arbusculares (AM), que colonizam uma grande variedade de plantas cultivadas. Eles aumentam a absorção de fósforo, nitrogênio e melhoram a resposta a estresses (seca, solos compactados). MDPI+1

Jardim/doméstico

No solo de jardins, vasos e hortas, há tanto fungos micorrízicos como muitos fungos decompositores que atuam sobre os restos de poda, folhas caídas e matéria orgânica adicionada (composto, adubo). Esses fungos reciclam nutrientes que você adiciona e ajudam a manter o solo “vivo” e fértil. Frontiers


Responsabilidades para a fertilidade do solo

Essa rede fúngica contribui para a fertilidade do solo de várias formas práticas:

  • Melhoria da absorção de nutrientes: Como as hifas vão além das raízes, elas acessam fósforo, potássio e micronutrientes que as raízes isoladas dificilmente alcançariam. PMC+1

  • Matéria orgânica e estrutura do solo: A atividade fúngica ajuda a formar agregados do solo, que aumentam a porosidade, retenção de água e redução da erosão. ohioline.osu.edu

  • Ciclagem de nutrientes: Fungos decompositores quebram restos vegetais e liberam nutrientes lentamente, mantendo um suprimento contínuo para plantas. Frontiers

  • Resiliência do ecossistema: Em solos desgastados, compactados ou submetidos a práticas intensivas, a rede fúngica ajuda a restaurar a saúde do solo, reduzindo a necessidade exclusiva de fertilizantes químicos. MDPI


Dicas práticas para o jardineiro

  • Evite mexer excessivamente o solo (como revolver ou escarificar demais) porque isso pode romper as hifas e desservir a rede fúngica.

  • Promova cobertura de solo (palhas, restos de poda) e matéria orgânica para dar alimento aos fungos decompositores.

  • Em hortas e jardins, considerar inoculação ou uso de solo saudável de referência para favorecer os fungos micorrízicos, especialmente se o solo for recém-preparado ou muito degradado.

  • Prefira fertilizantes orgânicos ou práticas de adubação que estimulem a vida microbiana e fúngica, ao invés de produtos que matam fungos ou remoção total de matéria orgânica.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Principais Adubos Orgânicos – Parte 2



Farinha de Rocha (Pó de Rocha)

Características: Fertilizante natural obtido da moagem de rochas ricas em minerais. Libera nutrientes lentamente, corrigindo deficiências e revitalizando solos degradados.
Composição: Varía conforme a rocha; pode conter 4–12% de potássio (K₂O), 2–5% de fósforo (P₂O₅), cálcio, magnésio e micronutrientes como ferro e zinco.

Uso:
Aplicar incorporando ao solo (200 g/m² em hortas ou até 3 t/ha em lavouras). Melhora fertilidade a longo prazo e pode ser usado junto ao composto orgânico.


Húmus de Minhoca

Características: Resultado da digestão de resíduos orgânicos pelas minhocas (vermicompostagem). Rico em nutrientes, microrganismos e substâncias húmicas que estimulam o crescimento das plantas.
Composição: Contém cerca de 1,5–2,5% de nitrogênio, 1,5% de fósforo, 1–2% de potássio e alta matéria orgânica estável.

Uso:
Ideal para vasos e hortas — misturar 1 parte de húmus para 3 partes de terra. Pode ser aplicado em cobertura ou como adubo de base.


Palhas

Características: Restos vegetais secos (como palha de arroz, milho ou grama). Ricas em carbono, protegem o solo e ajudam na retenção de umidade, controlando a erosão e as ervas daninhas.
Composição: Alta relação C/N (~60:1), com teor de nitrogênio baixo (~0,5%), fósforo (~0,1%) e potássio (~1%).
Uso: Usadas como cobertura morta (mulching) ou na compostagem, equilibrando materiais verdes ricos em nitrogênio. Evite enterrar diretamente sem pré-decomposição.


Serragem

Características: Subproduto da madeira, excelente fonte de carbono e boa para retenção de umidade. Exige compostagem prévia para não imobilizar nitrogênio do solo.
Composição: Carbono elevado (C/N ≈ 200:1), pouca disponibilidade de nutrientes. Madeira tratada não deve ser usada.

Uso:
Empregada em compostagem com restos verdes ou como cobertura leve. Após curtida, melhora estrutura e aeração do solo.


Maravalha

Características: Fragmentos maiores de madeira leve, utilizados como cobertura orgânica ou para mistura em substratos. Boa aeração e retenção de umidade.
Composição: Rica em carbono (C/N ≈ 150–200:1), com baixos teores de nutrientes.
Uso: Ideal para cobrir canteiros, proteger raízes e conservar umidade. Deve passar por compostagem ou envelhecimento antes de misturar ao solo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Principais adubos orgânicos - Parte 1

Adubos Verdes




Características: Consistem no cultivo de plantas (leguminosas, gramíneas ou crucíferas) que são incorporadas ao solo ainda verdes ou após amadurecimento. Melhoram a estrutura física do solo, aumentam a matéria orgânica, ajudam na fixação biológica de nitrogênio (especialmente no caso de leguminosas) e reduzem a erosão. sistemafamato.org.br+3IBF+3Agrolink+3

Composição: Contêm biomassa vegetal com teores de nitrogênio variando em torno de 20-25 g kg⁻¹ em alguns casos, além de fósforo, potássio, cálcio e magnésio. eventossolos.org.br

Uso: Semeie espécies de cobertura entre safras ou antes da cultura principal. Após alcançar bom crescimento, incorpore ao solo (ou deixe como cobertura) cerca de 2-4 meses antes da cultura seguinte. Ideal para hortas, jardins e como estratégia agroecológica para solos cansados ou degradados.

Bokashi

Características: Fertilizante orgânico fermentado em ambiente anaeróbico ou microaeróbico, feito a partir de resíduos de farelos, tortas, cascas, microrganismos eficientes (EM) e melaço ou açúcar. O processo acelera a decomposição, preserva nutrientes e estimula a biologia do solo. Agrolink+2Infoteca Embrapa+2

Composição: Exemplos de formulação incluem ~50 % farelos de cereais, ~35-40 % tortas de oleaginosas, até ~15 % outros materiais vegetais, além de 1 % de microrganismos eficientes + 1 % de melaço/ açúcar. Infoteca Embrapa Em análises comerciais, pode haver ~1 % de nitrogênio solúvel em água. plantei.com.br

Uso: Misture o bokashi no preparo de canteiros ou vasos, cerca de 200 g/m² em hortas ou 1 000 kg/ha em preparação de solo, aguarde ~10 dias antes de plantar. Excelente para jardins urbanos, hortas em vasos, cultivo orgânico e como complemento de matéria orgânica e nutrientes.


Esterco de Aves

Características: Fezes e cama de galináceos (galinhas, galos etc.), altamente nutritivo, com rápida mineralização. Deve ser curtido ou compostado para evitar “queima” das raízes e excessos de amônia. santinatocafes.com+1

Composição: Valores médios: nitrogênio elevado (~17-28 kg N/t), fósforo (P₂O₅) ~22-37 kg/t, potássio (K₂O) ~12-17 kg/t. santinatocafes.com+1

Uso: Use como adubo de base em hortas, plantas frutíferas ou ornamentais, incorporando bem no solo ou vermiculando. Dose com cuidado (ex: 5-10 t/ha ou proporcional em vasos) e sempre após compostagem ou cura para evitar fitotoxicidade.


Esterco de Ruminantes

Características: Proveniente de bovinos, ovinos ou caprinos, mistura de fezes, urina e cama/palha. Libera nutrientes de forma mais lenta que esterco de aves, melhora a estrutura do solo, aumenta retenção de água e favorece vida microbiana. ipef.br+2amigodoprodutor.com.br+2

Composição: Valores médios para esterco bovino fresco: nitrogênio ~5 g/kg (≈0,5 %), fósforo ~2,6 g/kg, potássio ~6 g/kg. ResearchGate+1

Uso: Curtido ou compostado, pode aplicar 20-40 t/ha dependendo do solo. Ideal para jardins maiores, canteiros ecológicos ou gramados que recebem matéria orgânica. Em hortas domésticas, misture alguns litros por metro quadrado no preparo de solo no outono ou antes da plantação.


Esterco de Suínos

Características: Inclui dejetos de suínos (fezes, urina, restos de ração, cama), com boa disponibilidade de nutrientes, mas requer manejo cuidadoso para evitar perdas de nitrogênio, contaminação ou excesso de umidade. Infoteca Embrapa+1

Composição: Em média, na massa seca de dejeto líquido de suínos: nitrogênio ~3 %, fósforo (P₂O₅) ~4 %, potássio (K₂O) ~4 %. Sistema FAEP

Uso: Após compostagem ou fermentação (~60-65 dias) para reduzir patógenos, aplique em hortas, culturas ou jardins (ex: 30-60 m³/ha para líquido, ou 5-10 t/ha para sólido). Misture bem ao solo para evitar odores e volatilização, e ajuste conforme análise de solo para não excessar nitrogênio.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Jardins Comestíveis e Hortas Domésticas

 

Jardins Comestíveis e Hortas Domésticas no Início de Outubro (Hemisfério Sul)




Cultivo, espécies recomendadas, calendário e manejo orgânico

O início de outubro marca um dos períodos mais favoráveis do ano para o cultivo de hortas domésticas e jardins comestíveis no hemisfério sul. As temperaturas se elevam, o solo aquece e a fotoperíodo aumenta, criando condições ideais para a germinação de sementes, o crescimento vigoroso das plantas e o manejo de hortaliças e ervas aromáticas de forma orgânica e sustentável.

1. Conceito e importância dos jardins comestíveis

Os jardins comestíveis integram espécies ornamentais e alimentícias, aliando estética e produtividade. Eles podem ser implementados em quintais, varandas, canteiros mistos, vasos, floreiras ou sistemas verticais, promovendo autonomia alimentar, biodiversidade, bem-estar e equilíbrio ecológico. Além disso, estimulam o consumo de alimentos frescos, reduzem o desperdício e incentivam práticas agroecológicas em pequena escala.


2. Cultivo no início de outubro: condições ideais

Outubro é o início da primavera plena, com temperaturas médias entre 18°C e 28°C, umidade adequada e menor risco de geadas. O solo deve estar rico em matéria orgânica, bem drenado e aerado. Recomenda-se revolver a camada superficial (15–20 cm), incorporar composto orgânico bem curtido e realizar cobertura morta (palha, folhas secas, casca de arroz ou serragem sem tratamento) para conservar umidade e equilibrar a temperatura.

Cuidados gerais:

  • Luz solar: no mínimo 5 a 6 horas de sol direto por dia.

  • Rega: manter o solo úmido, mas sem encharcamento. Regas diárias no início da manhã ou fim da tarde.

  • Rotação de culturas: evitar plantar espécies da mesma família sucessivamente no mesmo local.

  • Consórcios benéficos: associar espécies que se complementam nutricionalmente e afastam pragas.



3. Legumes e hortaliças ideais para semear e plantar em outubro

A seguir, uma lista de espécies indicadas para o início de outubro, de acordo com o clima predominante do hemisfério sul (subtropical e tropical):


Grupo

  Espécies indicadas

  Dicas de cultivo

Folhosas

Alface, rúcula, agrião, espinafre, acelga

Germinam rápido; preferem solos leves e ricos em matéria orgânica; irrigação constante.

Frutíferas de ciclo curto

Tomate, pimentão, berinjela, abóbora, pepino

Exigem calor e sol pleno; transplantar mudas quando atingirem 10–15 cm; tutorar espécies trepadeiras.

Leguminosas

Feijão-vagem, ervilha, feijão-de-metro

Fixam nitrogênio no solo; ideais para consórcio com milho e abóbora (sistema milpa).

Raízes

Cenoura, beterraba, rabanete, nabo

Solos soltos e profundos; evitar adubo fresco; manter umidade constante.

Ervas aromáticas

Manjericão, coentro, salsa, cebolinha, alecrim, hortelã, tomilho

Cultivar em vasos ou bordaduras; boa insolação; podas leves estimulam o crescimento.



4. Calendário de cultivo e plantio para outubro


Semana do mês

Atividade principal

Observações

1ª semana

Preparação do solo, compostagem, semeadura de alface, rúcula e cenoura

Aproveitar início das chuvas para semeadura direta

2ª semana

Plantio de mudas de tomate, pimentão e ervas aromáticas

Tutorar plantas jovens e iniciar cobertura morta

3ª semana

Repiques e desbaste de folhosas

Eliminar mudas muito próximas e reforçar adubação orgânica

4ª semana

Monitoramento de pragas e doenças

Iniciar pulverização preventiva com caldas naturais e biofertilizantes



5. Técnicas orgânicas de manejo

A horticultura orgânica prioriza o uso de insumos naturais e práticas de conservação do solo, da água e da biodiversidade.

a) Adubação orgânica

  • Composto orgânico: mistura de restos vegetais, esterco curtido e cinzas de madeira.

  • Biofertilizantes líquidos: obtidos da fermentação de esterco e plantas como tanchagem e urtiga.

  • Farinha de ossos e torta de mamona: fornecem fósforo e nitrogênio de liberação lenta.

b) Controle biológico e fitossanitário

  • Caldas protetoras: bordalesa, sulfocálcica e de fumo diluído para fungos e insetos.

  • Extratos vegetais: alho, nim e pimenta repelem pulgões e cochonilhas.

  • Armadilhas naturais: garrafas com melaço ou vinagre atraem moscas e besouros.

c) Cobertura morta e conservação do solo

A palhada regula temperatura, evita erosão e retém umidade. Recomenda-se palha de grama seca, folhas trituradas ou serragem grossa.

d) Polinização e biodiversidade

Intercalar flores (calêndula, manjerona, tagetes) atrai abelhas e joaninhas, promovendo polinização e controle natural de pragas.

Outubro é o mês ideal para iniciar ou renovar hortas e jardins comestíveis no hemisfério sul. O uso de espécies adaptadas à estação, aliado a técnicas orgânicas de manejo, garante produtividade, sustentabilidade e saúde ambiental. Um jardim comestível bem planejado se transforma num ecossistema equilibrado, educativo e prazeroso — um verdadeiro espaço de reconexão com a natureza.