sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Calda Bordalesa - Uma alternativa ecológica para controle de doenças fúngicas e bacterianas

Calda Bordalesa – Uso, Composição e Preparo na Jardinagem

A calda bordalesa é uma mistura tradicional de sulfato de cobre e cal hidratada, diluída em água, usada como fungicida protetor de contato. Atua principalmente na prevenção de doenças causadas por fungos e algumas bactérias, formando uma camada protetora na superfície das folhas, ramos e frutos.

Composição

  • Sulfato de cobre (CuSO₄·5H₂O): responsável pela ação fungicida, liberando íons Cu²⁺ que inibem a germinação de esporos fúngicos.

  • Cal hidratada (Ca(OH)₂): neutraliza a acidez do cobre, reduzindo fitotoxicidade e ajudando na fixação da calda nas plantas.
  • Água limpa: solvente e veículo da aplicação.


Indicações na jardinagem

  • Prevenção de doenças fúngicas como míldio, ferrugens, antracnose, pinta-preta e manchas foliares.

  • Utilizada em: rosas, hortênsias, plantas ornamentais de jardim, frutíferas (citros, videira, mangueira) e hortaliças.

  • Importante: é um tratamento preventivo, não curativo.


Receita prática (para 10 litros de calda a 1%)

Ingredientes:

  • 100 g de sulfato de cobre (CuSO₄·5H₂O).

  • 100 g de cal hidratada (Ca(OH)₂).

  • 10 litros de água limpa.

Preparo passo a passo:

  1. Dissolver 100 g de sulfato de cobre em 5 litros de água, em recipiente plástico ou de madeira (não usar metal).

  2. Em outro recipiente, dissolver 100 g de cal hidratada em 5 litros de água, coando para eliminar impurezas.

  3. Lentamente, despejar a solução de sulfato de cobre sobre a solução de cal, mexendo constantemente.

  4. Testar o pH da calda (deve estar entre 6,5 e 7,5).

    • Se estiver muito ácido, adicionar mais cal; se muito alcalino, pode reduzir a eficiência

    • Utilizar a calda imediatamente após o preparo.

Cuidados no uso

  • Usar equipamentos de proteção individual (EPI): luvas, máscara, óculos de proteção.

  • Não aplicar em horários de sol forte ou temperaturas acima de 30 °C (risco de fitotoxicidade).

  • Intervalo de segurança: evitar aplicações muito próximas à floração ou colheita (respeitar 7 a 15 dias, dependendo da cultura).

  • Armazenar os insumos em local seguro, fora do alcance de crianças e animais.



quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Doenças de plantas de jardim - Cuidados na primavera

 

🌸 Cuidados Fitossanitários e Manutenção em Jardins na Primavera (Hemisfério Sul)



A primavera no Hemisfério Sul (setembro a dezembro) é marcada por aumento da temperatura média, maior luminosidade e elevação da umidade relativa do ar em muitas regiões. Essas condições favorecem o crescimento vegetal, mas também a incidência de pragas e doenças.

As doenças mais comuns em plantas ornamentais nesse período incluem:

  • Oídio (Erysiphales spp.) – manchas brancas pulverulentas em folhas novas;

  • Ferrugem (Pucciniales spp.) – pontuações alaranjadas no verso das folhas;

  • Manchas foliares fúngicas (Cercospora, Alternaria, Colletotrichum) – necroses circulares ou irregulares;

  • Podridões radiculares e de colo (Phytophthora, Pythium, Rhizoctonia) – murcha, apodrecimento e morte de mudas;

  • Mofo-cinzento (Botrytis cinerea) – ataque em flores e botões em ambientes úmidos;

  • Vírus ornamentais (ex.: vírus do mosaico) – manchas cloróticas e deformações, transmitidos por insetos vetores.



O manejo recomendado combina prevenção cultural, monitoramento e controle biológico/químico responsável.


📅 Atividades de Primavera – Cuidados com Doenças e Manutenção



Principais riscos fitossanitáriosAtividades de manejo preventivo e corretivoManutenção geral de jardim

Surgimento de oídio e manchas foliares em brotações novas; alta incidência de pulgões (vetores de vírus).- Monitorar folhas jovens 2x/semana.
- Aplicar biofertilizantes foliares (ex.: extrato de algas, calda bordalesa leve).
- Incentivar inimigos naturais (joaninhas, crisopídeos).
- Limpeza pós-inverno: retirar folhas secas.
- Adubar com composto ou NPK equilibrado.
- Replantio de mudas de primavera.

Aumento da umidade → ferrugem e mofo-cinzento em roseiras e ornamentais floríferas.- Melhorar ventilação entre plantas.
- Evitar molhar folhas ao regar.
- Aplicar fungicidas biológicos (Trichoderma, Bacillus subtilis).
- Podar ramos secos e malformados.
- Tutoramento de plantas altas.
- Plantio de flores anuais e arbustos.

Alta temperatura + chuvas 
podridões de raiz
(Phytophthora,
Pythium) e aumento de
trips/ácaros.
- Garantir drenagem dos canteiros.
- Evitar excesso de água.
- Tratar mudas com micorrizas/Trichoderma.
- Monitorar insetos vetores
.
.




✅ Recomendações gerais de manejo integrado

  • Prevenção cultural: boa ventilação, espaçamento adequado, poda de limpeza, rega no solo e não nas folhas.

  • Controle biológico: uso de microrganismos benéficos (Trichoderma, Bacillus, Beauveria) e conservação de inimigos naturais.

  • Nutrição equilibrada: plantas bem nutridas resistem melhor a infecções. Evitar excesso de nitrogênio, que favorece oídio e pulgões.

  • Monitoramento constante: inspeção semanal das folhas, flores e raízes previne surtos graves.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Montar vasos para Polinizadores

 

Como Fazer e Usar “Pollinator Pots” (Vasos para Polinizadores)



🌸 O que são Pollinator Pots?

“Pollinator pots” são vasos ou jardineiras preparados especialmente com plantas que atraem e sustentam polinizadores — como abelhas nativas, borboletas, beija-flores e até morcegos nectarívoros. Eles oferecem néctar, pólen e abrigo, contribuindo diretamente para a conservação da biodiversidade, mesmo em pequenos espaços como varandas, quintais e jardins urbanos.


🚀 Passo a Passo para Montar um Pollinator Pot



🪴 1. Escolha do Vaso

  • Pode ser de cerâmica, barro, cimento ou plástico reciclado.

  • Tamanho mínimo recomendado: 30 a 40 cm de diâmetro e profundidade de pelo menos 25 cm, para que as raízes tenham espaço.

  • Garanta furos no fundo para drenagem.

🌱 2. Preparação do Substrato

  • Mistura rica e bem drenada:

    • 40% terra vegetal

    • 30% composto orgânico (húmus ou composto caseiro)

    • 20% areia grossa ou perlita para drenagem

    • 10% pó de rocha, cinza ou biochar (opcional, para remineralização)

🌼 3. Escolha das Plantas 

  • Opte por plantas com floração contínua, preferencialmente nativas da sua região, que oferecem néctar e pólen.

  • Para abelhas:

    • Manjericão (Ocimum basilicum)

    • Alecrim (Salvia rosmarinus)

    • Alfazema (Lavandula dentata)

    • Malvavisco (Malvaviscus arboreus)

    • Capuchinha (Tropaeolum majus)



  • Para borboletas:

    • Verbena (Verbena rigida)

    • Lantana (Lantana camara) — atenção ao controle, é invasora em alguns biomas

    • Asclepias (Asclepias curassavica) — essencial para borboletas como a monarca

  • Para beija-flores:

    • Hibisco (Hibiscus rosa-sinensis)

    • Russélia (Russelia equisetiformis)

    • Sálvia-vermelha (Salvia splendens)



  • Plantas aromáticas e hortaliças também atraem: coentro, cebolinha, salsinha, hortelã.

🌿 4. Montagem do Vaso

  1. Coloque uma camada de pedras ou cacos no fundo para drenagem.

  2. Adicione o substrato preparado.

  3. Distribua as mudas conforme o porte (maiores no centro, menores nas bordas).

  4. Complete com cobertura morta (palha, folhas secas, serragem) para proteger o solo.


🐝 Cuidados e Manejo dos Pollinator Pots

  • Regas: Frequentes, mantendo o solo úmido, mas nunca encharcado.

  • Poda: Remova flores secas para estimular nova floração.

  • Adubação: A cada 30-45 dias, aplique adubo orgânico (chorume de compostagem, húmus, bokashi).

  • Evite: Agrotóxicos, inseticidas e defensivos químicos que prejudicam os polinizadores.


  Dicas Extras para Maximizar os Benefícios

  • Combine vários vasos, criando um mini jardim para polinizadores.

  • Inclua uma pequena fonte ou pratinho com água e pedrinhas, para que abelhas e borboletas possam beber.

  • Se possível, ofereça também locais de abrigo — como pequenos hotéis para abelhas solitárias (feitos com bambus, troncos perfurados ou blocos de barro).



Cuidados Essenciais para Prevenir o Mosquito da Dengue nos Jardins de Polinizadores (Pollinator Pots)

1. Evitar Acúmulo de Água Parada

  • Drenagem eficiente: Certifique-se de que os vasos, floreiras e potes tenham furos de drenagem adequados.

  • Use uma camada de drenagem (pedrisco, cacos de telha, argila expandida) no fundo dos vasos.

  • Não permita que pratinhos acumulem água. Se forem necessários, encha-os com areia grossa até a borda, que impede o desenvolvimento das larvas do mosquito.

2. Cuidado com Elementos Decorativos e Bebedouros para Polinizadores

  • Se instalar bebedouros para abelhas e borboletas, utilize materiais que permitam renovar a água diariamente.

  • Prefira sistemas com esponjas, pedrinhas ou gravetos, pois além de ajudar os polinizadores a pousar, esses elementos também impedem que o mosquito deposite ovos.

  • Evite pratos fundos, fontes ou recipientes que fiquem sem manutenção diária.

3. Escolha de Plantas

  • As plantas para polinizadores não oferecem risco direto, mas evite aquelas que naturalmente acumulam água em folhas ou estruturas, como:

    • Bromélias de tanque (que acumulam água no centro).

  • Dê preferência a plantas como:

    • Lavanda, alecrim, manjericão, sálvia, girassol, lantana, cosmos, zínias, cravinas, margaridas, verbena, entre outras que atraem polinizadores e não acumulam água.



4. Manutenção Frequente

  • Faça inspeções semanais para:

    • Remover folhas secas que possam formar depósitos.

    • Verificar e limpar ralos, calhas e frestas ao redor dos jardins.

  • Se usar compostagem, tampe bem os recipientes.

5. Uso de Armadilhas Biológicas

  • Instale armadilhas simples para o mosquito da dengue, como as desenvolvidas por instituições públicas (Ex.: armadilha do projeto UFRJ/Fiocruz), que ajudam a monitorar e reduzir a população de Aedes aegypti.

  • Fontes confiáveis de construção de armadilhas:

6. Educação e Conscientização

  • Inclua placas informativas nos jardins indicando os cuidados adotados.

  • Envolver a comunidade na manutenção é uma excelente prática de educação ambiental.


🏡 Esquema Seguro de Pollinator Pots

  • 🌼 Vaso com boa drenagem

  • 🌱 Areia no pratinho (se houver)

  • 🐝 Bebedouro com pedrinhas e água trocada diariamente

  • 🚫 Inspeção semanal por acúmulo de água



terça-feira, 30 de setembro de 2025

Cuidados com Pragas de Plantas de Jardim na Primavera

 




A primavera é marcada por temperaturas amenas, aumento da luminosidade e maior disponibilidade de água, criando condições ideais para o crescimento das plantas e também para a proliferação de pragas. Em jardins ornamentais, hortas domésticas e pomares urbanos, os pulgões, cochonilhas, mosca-branca, lagartas e ácaros são os principais insetos que se multiplicam rapidamente nesta estação.

O manejo agroecológico busca reduzir o uso de agrotóxicos sintéticos, privilegiando práticas de prevenção, diversificação e controle biológico, que mantêm o equilíbrio do agroecossistema e preservam inimigos naturais como joaninhas, crisopídeos, vespas parasitoides e fungos entomopatogênicos.


Principais Estratégias de Controle Agroecológico

  1. Prevenção e monitoramento

    • Vistorias semanais para identificar sintomas iniciais (manchas, folhas enroladas, presença de insetos).

    • Diversificação de espécies no jardim para reduzir a propagação de pragas.

    • Rotação e consórcio de hortaliças e flores repelentes (tagetes, manjericão, alecrim).

  2. Práticas culturais

    • Irrigação equilibrada para evitar excesso de umidade que favorece fungos.

    • Adubação orgânica equilibrada (evitar excesso de nitrogênio, que atrai pulgões e mosca-branca).

    • Retirada manual de folhas infestadas ou ramos comprometidos.

  3. Controle biológico e biopreparados

    • Uso de caldas naturais (ex.: calda de fumo, extrato de alho, calda bordalesa, sabão de potássio).

    • Aplicação de óleo de neem ou óleo mineral leve em pragas sugadoras.

    • Liberação de inimigos naturais em cultivos protegidos (joaninhas contra pulgões, Trichogramma contra lagartas).




📊 Tabela de Pragas, Sintomas e Controle Agroecológico

🐞 Praga🌱 Plantas Afetadas🔎 Sintomas Principais🌿 Manejo Agroecológico
Pulgões (Aphididae)Roseiras, hibiscos, hortaliças folhosasFolhas enroladas, brotos deformados, presença de melada
- Pulverizar solução de sabão de potássio
- Introduzir joaninhas (Coccinellidae)
- Plantar tagetes e manjericão como repelentes
Cochonilhas (Coccoidea)Citros, palmeiras, plantas ornamentaisPontos esbranquiçados/castanhos nos caules e folhas, seiva sugada
- Aplicar óleo de neem ou óleo mineral
- Escovação manual em ramos infestados
- Favorecer presença de crisopídeos
Mosca-branca (Bemisia tabaci)Hortaliças (tomate, couve), flores ornamentaisAmarelecimento das folhas, secreção de melada, fumagina
- Armadilhas adesivas amarelas
- Óleo de neem
- Plantio de crotalária e tagetes para atração de inimigos naturais
Lagartas (Lepidoptera)Hortaliças, frutíferas jovens, floresPerfurações em folhas, desfolha intensa
- Coleta manual em hortas pequenas
- Aplicar Bacillus thuringiensis (Bt)
- Manter diversidade de plantas atrativas a vespas parasitoides
Ácaros (Tetranychus spp.)Roseiras, morangueiros, ornamentaisPontuações amareladas, folhas secando, teias finas
- Pulverização com enxofre molhável
- Uso de extrato de alho ou calda de fumo
- Incentivo a ácaros predadores (Phytoseiulus persimilis)

  • Frequência de monitoramento: semanal em setembro/outubro; duas vezes por semana em novembro.

  • Rotação de biopreparados: alternar extratos vegetais (alho, nim, pimenta) com produtos biológicos (Bt, óleo mineral) para maior eficácia.

  • Integração com práticas culturais: adubação orgânica equilibrada, irrigação controlada e diversificação de espécies.

  • Segurança: usar luvas e máscaras ao manipular caldas e soluções; armazenar longe de crianças e animais.




📅 Manejo Agroecológico


🌱 Setembro – Despertar do Jardim

Monitoramento:

  • Vistoria semanal em roseiras, citros, hortaliças e ornamentais.

  • Atenção a pulgões e cochonilhas em brotações novas.

Ações agroecológicas:

  • Pulverizar óleo de neem (a cada 15 dias).

  • Aplicar sabão de potássio em folhas infestadas.

  • Plantio de tagetes e manjericão como repelentes.

  • Retirada manual de folhas atacadas.


🌸 Outubro – Crescimento Ativo

Monitoramento:

  • Vistoria semanal em hortaliças de verão (tomate, pimentão, couve).

  • Observar mosca-branca, ácaros e sinais de fumagina.

Ações agroecológicas:

  • Instalar armadilhas adesivas amarelas contra mosca-branca.

  • Pulverizar extrato de alho + pimenta (repelente).

  • Aplicar enxofre molhável contra ácaros.

  • Uso de Bacillus thuringiensis (Bt) contra lagartas.

  • Incentivar inimigos naturais (joaninhas, crisopídeos).


🌻 Novembro – Consolidação e Frutificação

Monitoramento:

  • Vistoria 2 vezes por semana (maior calor e umidade).

  • Atenção a lagartas e ácaros em ornamentais e hortaliças.

  • Observar frutíferas (maracujá, goiabeira, citros).

Ações agroecológicas:

  • Aplicar Bt em caso de lagartas.

  • Pulverizar calda de fumo ou extrato de nim em sugadores.

  • Aplicar óleo mineral leve em citros contra cochonilhas.

  • Plantar flores atrativas a inimigos naturais (crotalária, girassol).

  • Reduzir irrigação excessiva para prevenir fungos.


✅ Dicas Gerais

  • Realizar pulverizações no início da manhã ou final da tarde.

  • Alternar biopreparados para evitar resistência das pragas.

  • Priorizar prevenção: plantas bem nutridas resistem melhor.

  • Registrar observações em caderno ou planilha de campo.

sábado, 27 de setembro de 2025

Poda na Primavera - Orientações

 


🌱 Poda na Primavera

A poda é uma prática fundamental na jardinagem e fruticultura, realizada com objetivos distintos como formação, renovação, frutificação e controle fitossanitário. Na primavera, as condições de temperatura amena, fotoperíodo crescente e maior disponibilidade hídrica estimulam a brotação e o crescimento ativo das plantas, favorecendo a cicatrização dos cortes e a emissão de novos ramos.


🔎 Tipos de Poda

  1. Poda de Formação

    • Realizada em mudas jovens para definir a arquitetura da planta (ex.: copa, condução de trepadeiras, cercas vivas).

    • Muito importante em arbustos ornamentais e frutíferas recém-implantadas.

  2. Poda de Limpeza ou Sanitária

    • Remoção de ramos secos, doentes, malformados ou quebrados.

    • Deve ser feita de forma contínua, mas a primavera favorece a recuperação da planta.

  3. Poda de Floração

    • Aplicada em espécies ornamentais que florescem em ramos novos, como roseiras (Rosa spp.), hibiscos (Hibiscus rosa-sinensis) e buganvílias (Bougainvillea spp.).

    • O objetivo é estimular brotação vigorosa e aumento da floração.

  4. Poda de Frutificação

    • Usada em frutíferas de clima tropical e subtropical, como goiabeira (Psidium guajava), videira (Vitis vinifera), maracujazeiro (Passiflora edulis) e citros.

    • Estimula a emissão de ramos produtivos e a entrada em produção equilibrada.

  5. Poda de Condução ou Contenção

    • Indicada para controlar o porte de arbustos, cercas vivas e plantas trepadeiras.

    • Mantém a estética e melhora a ventilação, reduzindo o risco de pragas e doenças.


🌸 Plantas que Devem Ser Podadas na Primavera

  • Ornamentais:

    • Roseiras (estimular floração)

    • Hibiscos, buganvílias e lantanas

    • Cercas vivas (duranta, ligustro, murta)



  • Frutíferas:

    • Videira – poda verde (condução de brotações e desfolha leve)

    • Goiabeira – ramos malformados e excesso de brotações

    • Maracujazeiro – condução dos ramos principais nas espaldeiras



    • Citros – retirada de ramos ladrões e secos

  • Gramados e herbáceas:

    • Tosquia regular para adensamento e renovação do tapete verde


  Ferramentas Utilizadas na Poda

  • Tesoura de poda manual: Para ramos finos (até 2 cm de diâmetro).



  • Tesoura de poda tipo bypass: Ideal para cortes limpos em ramos verdes.

  • Tesoura de poda tipo anvil (bigorna): Recomendada para ramos secos ou lenhosos.

  • Serrote de poda: Para ramos médios e grossos (> 3 cm).

  • Tesoura de poda longa (cabo extensor): Para alcançar ramos altos sem escada.

  • Motosserra ou serra elétrica leve: Para galhos grossos em árvores de maior porte.

  • Luvas e óculos de proteção: Indispensáveis para segurança durante o manejo.

Cuidados técnicos:

  • As lâminas devem estar sempre afiadas e esterilizadas (com álcool 70% ou solução de hipoclorito a 1%) para evitar transmissão de patógenos.

  • Cortes devem ser feitos próximos a gemas ou bifurcações, evitando tocos longos que apodrecem.

  • Após cortes grossos, recomenda-se aplicação de pasta cicatrizante à base de cobre ou argila para prevenir infecções fúngicas.


✅ Considerações Técnicas

  • A poda na primavera deve ser moderada, evitando cortes drásticos que possam comprometer o crescimento vigoroso típico da estação.

  • Em espécies que florescem no inverno ou início da primavera (ex.: azaléia, camélia), a poda deve ser feita após a floração, e não antes.

  • O sucesso da poda está diretamente relacionado ao momento fenológico da planta e às condições climáticas locais.


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Agenda do jardineiro - Primavera

 Agenda de Jardinagem para a Primavera





A primavera é a estação de transição entre o inverno e o verão, marcada pelo aumento gradual da temperatura, maior intensidade luminosa e regularidade das chuvas em diversas regiões do Brasil. Esses fatores estimulam o crescimento vegetativo, a floração e a frutificação de muitas espécies ornamentais, hortícolas e frutíferas. Assim, o jardineiro deve ajustar suas práticas de manejo para potencializar o desenvolvimento das plantas e prevenir pragas e doenças.

1. Planejamento e Preparo do Solo

  • Capina e limpeza: Remover ervas espontâneas que competem por nutrientes e água.

  • Aeração: Revolver levemente o solo para melhorar a oxigenação das raízes.

  • Correção: Realizar análise de solo e aplicar calcário se necessário, observando a saturação por bases.

  • Adubação orgânica: Incorporar composto, esterco curtido ou húmus de minhoca para aumentar a fertilidade e a atividade biológica.

2. Plantio e Transplante

  • Espécies anuais de primavera-verão: Girassol (Helianthus annuus), zínia (Zinnia elegans), cosmos (Cosmos bipinnatus).

  • Hortaliças de clima quente: Tomate, pimentão, abóbora, pepino, quiabo, milho verde.

  • Frutíferas tropicais: Maracujá, mamoeiro, bananeira e citros, que se beneficiam da estação para crescimento vigoroso.

  • Transplante de mudas: Realizar em dias nublados ou no fim da tarde, minimizando estresse hídrico.

3. Poda e Condução

  • Plantas ornamentais: Podar roseiras para estimular brotação e floração.

  • Arbustos e cercas vivas: Realizar podas de formação e contenção.

  • Frutíferas: Podas leves em goiabeiras e videiras, retirando ramos secos ou malformados.

4. Irrigação

  • Frequência: Aumentar gradualmente a irrigação, ajustando de acordo com as chuvas da estação.

  • Método: Preferir irrigação localizada (gotejamento) para reduzir perdas por evaporação.

  • Evitar encharcamento: Fundamental para espécies ornamentais em vasos e canteiros.

5. Adubação de Cobertura

  • Nutrientes essenciais: Aplicar NPK equilibrado (por exemplo, 10-10-10) ou fórmulas específicas para flores e frutíferas.

  • Matéria orgânica: Renovar cobertura morta (mulching) com palha, casca de pinus ou folhas secas para conservar umidade e reduzir ervas invasoras.

6. Controle Fitossanitário

  • Pragas comuns na primavera: Pulgões, cochonilhas, lagartas e ácaros.

  • Manejo integrado: Monitoramento constante, uso de armadilhas adesivas e pulverizações preventivas com biofertilizantes (ex.: extrato de nim, calda de fumo ou óleo de neem).

  • Doenças: Evitar excesso de irrigação para reduzir incidência de fungos como oídio e míldio.

7. Manutenção Geral

  • Grama: Aumentar a frequência de cortes e adubar com N rico em ureia ou esterco curtido.

  • Vasos e jardineiras: Trocar substrato envelhecido, verificar drenagem e replantar se necessário.

  • Estruturas de apoio: Revisar tutores, treliças e sistemas de irrigação.

A primavera é um período estratégico para intensificar os cuidados com o jardim. O manejo correto do solo, a escolha de espécies adaptadas à estação, o controle fitossanitário preventivo e a adubação equilibrada são fatores determinantes para garantir vigor, floração abundante e colheitas saudáveis.


                 Agenda de jardinagem para a primavera - Tabela Prática


📅 Mês🌱 Tarefas Principais🔎 Observações Importantes
Set- Preparo do solo (capina, revolvimento, adubação orgânica)
- Plantio de flores anuais (girassol, zínia, cosmos)
- Hortaliças de verão (tomate, pimentão, pepino, quiabo, milho)
- Plantio de frutíferas (citros, mamoeiro, maracujá)
- Podas em roseiras e videiras
- Adubação inicial em gramados
- Fazer análise de solo antes de adubar
- Realizar podas em dias secos
- Monitorar pulgões e cochonilhas
Out- Transplante de mudas de hortaliças e flores
- Adubação de cobertura (NPK ou esterco curtido)
- Irrigação mais frequente
- Fertilização para floração (rico em P e K)
- Podas leves em frutíferas (goiabeira, jabuticabeira)
- Instalar tutores em mudas
- Cobertura morta (mulching)
- Preferir transplantes em dias nublados
- Evitar excesso de N em plantas floríferas
- Intensificar monitoramento de fungos (oídio, míldio)
Nov- Plantio de hortaliças de ciclo rápido (alface, rúcula, rabanete, cebolinha)
- Continuidade no plantio de flores anuais
- Reforço da adubação potássica para frutificação (cinzas, farinha de ossos, NPK 4-14-8)
- Podas de condução em arbustos e cercas vivas
- Irrigação mais regular
- Controle de pragas (armadilhas adesivas, bioinseticidas)
- Adubação e corte de manutenção em gramados
- Evitar encharcamento, principalmente em vasos
- Manter inspeção semanal de pragas
- Adaptar frequência de irrigação às altas temperaturas