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quarta-feira, 5 de novembro de 2025

A importância do uso de húmus e biofertilizantes líquidos no jardim



O cuidado com o solo é um dos pontos mais importantes para manter plantas saudáveis em jardins, hortas e vasos. Entre os insumos naturais mais eficazes estão o húmus de minhoca e os biofertilizantes líquidos. Ambos atuam na nutrição vegetal e na regeneração da vida do solo, mas cada um possui funções específicas e complementares.

O que é o Húmus de Minhoca

O húmus é o produto final da decomposição de resíduos orgânicos realizada pelas minhocas. Trata-se de um material escuro, leve e rico em nutrientes, além de conter alta atividade microbiológica.

Características e Propriedades

  • Rico em nutrientes básicos: nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K).
  • Alta presença de microrganismos benéficos que estruturam o solo.
  • Melhora da retenção de água, reduzindo estresse hídrico.
  • Aumenta a CTC (Capacidade de Troca Catiônica), facilitando a absorção de nutrientes pelas raízes.
  • pH geralmente neutro, o que favorece uma ampla variedade de plantas.


Como Aplicar

Tipo de plantio Aplicação recomendada
Vasos e floreiras Misturar 20% de húmus ao substrato.
Canteiros e hortas Incorporar cerca de 2 a 5 litros por m².
Cobertura superficial      Espalhar uma camada de 1 a 2 cm ao redor das plantas.

Plantas que se beneficiam

  • Hortaliças em geral (folhosas, frutos e raízes)
  • Plantas ornamentais
  • Frutíferas jovens
  • Plantas em recuperação pós-poda ou estresse


O que são Biofertilizantes Líquidos

São soluções obtidas por fermentação de materiais orgânicos, geralmente compostos por esterco, restos vegetais, melaço e microrganismos. Podem ser produzidos artesanalmente ou adquiridos prontos.

Características e Propriedades

  • Nutrientes disponíveis de forma imediata, principalmente nitrogênio.
  • Estimulação da microbiota do solo, favorecendo a decomposição e mineralização.
  • Podem conter fitohormônios naturais que estimulam o crescimento.
  • Atuam também como revitalizadores foliares.

Vias de Uso

  • Via solo: Aumenta fertilidade e atividade microbiana.
  • Via foliar: Fornece micronutrientes rapidamente e fortalece tecidos da planta.

Como Diluir e Aplicar

Aplicação Diluição Indicada Frequência
Foliar 1:20 (1 parte de biofertilizante para 20 de água) A cada 10 a 15 dias
Solo 1:10 a 1:15 Irrigar 1 vez por semana
Sementes e mudas 1:30 Umedecer substrato antes do plantio

Observação: sempre aplicar em horários de temperatura amena, preferencialmente cedo ou ao entardecer.

 

Plantas que mais respondem ao uso

  • Hortaliças folhosas (crescem mais vigorosas)
  • Frutíferas em desenvolvimento vegetativo
  • Plantas ornamentais de folhas largas (ex.: costela-de-adão, alpínia, samambaias)
  • Plantas que apresentem sinais de amarelecimento ou baixa vitalidade

Como o Húmus e o Biofertilizante se Complementam
Húmus Biofertilizantes
Atua no solo, longo prazo Atua de forma rápida nas plantas
Melhora estrutura e vida do solo Fornece nutrientes disponíveis
Mantém umidade e equilíbrio nutricional Estimula crescimento e verde mais intenso

O uso combinado fortalece o ciclo natural da fertilidade, reduz dependência de insumos químicos e favorece a resiliência ecológica do jardim.

Referências e Fontes Consultadas


domingo, 2 de novembro de 2025

Manual Agroecológico de Novembro: cuidados, pragas e caldas naturais

 


O mês de novembro marca a transição da primavera para o verão no hemisfério sul.

Com o aumento das chuvas e das temperaturas, o jardim entra em uma fase de crescimento intenso, mas também de maior pressão de pragas e doenças.
É o momento ideal para reforçar os cuidados agroecológicos e preparar caldas naturais fitoprotetoras que fortalecem as plantas sem agredir o meio ambiente.

 O clima de novembro e o comportamento das plantas

Nos jardins e hortas brasileiras, novembro traz:

  • Maior luminosidade solar, que estimula floração e frutificação.

  • Aumento da umidade, que favorece fungos e insetos.

  • Crescimento rápido de gramíneas e plantas espontâneas.

Por isso, o manejo neste período deve equilibrar nutrição, ventilação e proteção.
Manter o solo coberto com mulch ou palha é essencial para evitar erosão, conservar a umidade e proteger a microbiota do solo.


Principais cuidados agroecológicos do mês

a) Solo e irrigação

  • Revolva levemente o solo superficial, sem expor as raízes.

  • Reforce a cobertura morta com palha, folhas secas ou capim triturado.

  • Regue pela manhã ou no fim da tarde, evitando o desperdício.

  • Use água de reúso (chuva ou cozinha) quando possível.

b) Adubação e fortalecimento

  • Aplique biofertilizantes líquidos (como o de esterco curtido e plantas verdes).

  • Pulverize chá de compostagem ou húmus nas folhas a cada 15 dias.

  • Evite adubos nitrogenados em excesso — podem atrair pulgões.

                                        

🐛Pragas mais comuns em novembro e como manejar naturalmente

Com o calor e a umidade, as seguintes pragas se tornam frequentes:

PragaSintomasControle Agroecológico
Pulgões e cochonilhasFolhas enroladas, seiva açucaradaCalda de sabão neutro + óleo de neem
LagartasBuracos nas folhasColeta manual e pulverização de calda de fumo ou nim
Mosca-brancaManchas amareladas e folhas murchasExtrato de alho, pimenta e sabão
Fungos (míldio, oídio, ferrugem)Manchas esbranquiçadas ou ferruginosasCalda bordalesa ou sulfocálcica preventiva
Formigas cortadeirasCorte de brotos e folhas novasIscas naturais com fubá e óleo vegetal

Essas soluções são eficazes, seguras e não intoxicam o ambiente.
Além disso, preservam os inimigos naturais — como joaninhas, aranhas e crisopídeos — fundamentais no controle biológico.


Caldas naturais recomendadas para o mês

🌱 Calda de sabão e óleo de neem (uso semanal)

Ingredientes:

  • 1 litro de água

  • 1 colher (chá) de sabão neutro

  • 1 colher (chá) de óleo de neem

Modo de uso: Misture bem e pulverize sobre as folhas atacadas no fim da tarde.
💡 Efeito: repele insetos sugadores e auxilia na limpeza da folhagem.

🍃 Calda bordalesa (uso preventivo quinzenal)

Ingredientes:

  • 100 g de cal virgem

  • 100 g de sulfato de cobre

  • 10 litros de água

Modo de preparo: Dissolva os ingredientes separadamente, misture lentamente e coe antes da aplicação.
💡 Efeito: previne fungos e doenças foliares em frutíferas, hortaliças e ornamentais.

🌼 Calda de alho e pimenta (uso intercalado)

Ingredientes:

  • 1 cabeça de alho

  • 2 pimentas malaguetas

  • 1 litro de água e 1 colher de sabão neutro

Preparo: Bata tudo no liquidificador, coe e aplique diluído em 5 litros de água.
💡 Efeito: repelente natural contra mosca-branca, ácaros e pulgões.



  Plantas indicadas para cultivo em novembro

Época ideal para flores tropicais, ervas e hortaliças de verão:

  • 🌸 Flores: girassol, zínia, tagetes (cravo-de-defunto), hibisco e cosmos.

  • 🌿 Hortaliças: manjericão, quiabo, pimentão, jiló, abóbora, alface e cebolinha.

  • 🌳 Nativas ornamentais: ipê-amarelo, lantana, erva-de-bicho, cambará e margaridão.

Essas espécies são adaptadas ao clima quente, atraem polinizadores e reduzem o uso de água.


Novembro é um mês de abundância e cuidado preventivo.

Ao adotar caldas naturais e práticas agroecológicas, o jardineiro:

  • fortalece suas plantas,

  • protege o solo,

  • reduz a dependência de produtos químicos,

  • e mantém o jardim em equilíbrio com a natureza.

🌿 “O segredo de um jardim saudável está no cuidado constante e no respeito à terra."


domingo, 26 de outubro de 2025

Caldas naturais vs. defensivos químicos: qual protege melhor o seu jardim?

 



Manter um jardim saudável envolve muito mais do que combater pragas: é cuidar do equilíbrio entre solo, plantas e insetos.

Nos últimos anos, cresce o uso de caldas fitoprotetoras naturais — soluções produzidas a partir de ingredientes simples e ecológicos — em substituição aos defensivos químicos, que, embora eficientes a curto prazo, podem causar sérios impactos ambientais e à saúde humana.

"As caldas naturais e os defensivos químicos são dois métodos amplamente utilizados no controle de pragas e doenças na agricultura. Cada um possui características específicas que impactam a eficiência, a sustentabilidade e a segurança ambiental do manejo agrícola".

Segundo estudos da Embrapa Agroecologia (2022) e da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), práticas agroecológicas com caldas naturais reduzem em até 60% o uso de agrotóxicos e ajudam na recuperação da fauna útil no ambiente de cultivo.



O que são caldas naturais (fitoprotetoras)

As caldas naturais são preparos líquidos feitos com ingredientes vegetais, minerais ou orgânicos que atuam como repelentes, fungicidas, bactericidas ou fortificantes.
Elas não intoxicam o ambiente, ajudam a fortalecer as defesas naturais das plantas e mantêm o equilíbrio biológico do jardim.

São produzidas a partir de ingredientes naturais, como plantas, minerais e subprodutos orgânicos. Os exemplos incluem calda de fumo, calda bordalesa (mistura de sulfato de cobre e cal) e extratos vegetais.

🌱 Exemplos comuns:

Tipo de CaldaIngredientes principaisAção
Caldas de sabão neutro e óleo de neemSabão neutro, óleo vegetal, neemControla pulgões e cochonilhas
Caldas bordalesa e sulfocálcicaCal virgem, cobre, enxofrePrevine fungos e ferrugens
Extrato de alho e pimentaAlho, pimenta, álcool, sabãoAção repelente contra insetos sugadores
Biofertilizante líquidoRestos vegetais fermentadosFortalece e nutre as folhas

Origem histórica: As caldas naturais são utilizadas desde o século XIX e fazem parte do manejo orgânico e biodinâmico adotado por produtores agroecológicos em todo o mundo.


O que são defensivos químicos

Os defensivos químicos sintéticos (inseticidas, fungicidas e herbicidas) são produtos industriais desenvolvidos para eliminar pragas ou doenças rapidamente.

Embora eficazes a curto prazo, seu uso contínuo causa desequilíbrio ecológico, morte de insetos benéficos e contaminação do solo e da água.

🚫 Principais riscos:

  • Resíduos tóxicos em folhas, flores e frutos.

  • Contaminação de abelhas e outros polinizadores.

  • Redução da vida microbiana do solo.

  • Resistência de pragas com o uso prolongado.

  • Impactos na saúde humana (problemas respiratórios e hormonais).


Comparativo técnico: Caldas Naturais x Defensivos Químicos

CritérioCaldas NaturaisDefensivos Químicos
OrigemIngredientes naturais (minerais, plantas, orgânicos)Substâncias sintéticas e tóxicas
EfeitoAção preventiva e gradualAção rápida e agressiva
Impacto ambientalBaixo – biodegradáveisAlto – contaminam solo e água
Efeito sobre fauna útilPreserva abelhas, joaninhas e minhocasElimina insetos benéficos
Risco à saúde humanaNulo ou mínimoElevado em contato direto
Custo e acessoBaixo custo, pode ser feito em casaAlto custo e controle regulado
Frequência de usoAplicação periódica e preventivaAplicação emergencial e pontual
SustentabilidadeAlta – integra o manejo agroecológico
Baixa – causa dependência química

Benefícios práticos das caldas naturais

  • Regeneram o solo e estimulam a vida microbiana.

  • Evitam o uso de venenos no ambiente doméstico e urbano.

  • Fortalecem as plantas, tornando-as menos suscetíveis a pragas.

  • Podem ser feitas artesanalmente, com baixo custo.

  • São seguras para jardins com crianças, pets e hortas familiares.

     Ilustração comparativa (descrição técnica)

Imagine dois jardins lado a lado:

🌿 Jardim A – Manejo com caldas naturais

  • Flores cheias de abelhas e borboletas.

  • Folhas verdes e resistentes.

  • Solo úmido, coberto com palha e cheio de vida.

  • O jardineiro prepara uma calda de sabão neutro e neem a cada 15 dias.

☠️ Jardim B – Manejo com defensivos químicos

  • Poucos insetos e flores silenciosas.

  • Folhas amareladas, solo seco e endurecido.

  • O jardineiro aplica fungicidas e inseticidas sintéticos toda semana.

  • O solo perde vida e o jardim precisa cada vez de mais produtos.

O primeiro jardim vive em equilíbrio ecológico, o segundo em dependência química.
A diferença está na forma de cuidar.

As caldas naturais são a escolha certa para quem quer plantar com consciência ecológica, reduzir custos e proteger o meio ambiente.

Elas não substituem apenas o veneno, mas também promovem vida no solo, nas plantas e na vizinhança.


A transição para práticas agroecológicas no jardim é um passo simples e transformador:

🌱 “Cuidar das plantas sem envenenar a terra é um ato de amor e consciência.”.

 "A escolha entre caldas naturais e defensivos químicos deve considerar o equilíbrio entre eficiência sem controle, impacto ambiental e saúde humana. Uma estratégia integrada, que combina o uso racional de defensivos químicos com caldas naturais, tende a promover uma agricultura mais sustentável e segura".


Veja também no Blog: Caldas Fitoprotetoras, Calda Bordalesa, Defensivos químicos


terça-feira, 21 de outubro de 2025

Controle de pragas de jardim



 

Controle agroecológico de pulgões (Aphididae) e cochonilhas (Coccoidea) em jardins e vasos

O controle agroecológico baseia-se na integração de medidas culturais, de monitoramento, bióticas (predadores/parasitoides), físicas e, quando necessário, produtos de baixo impacto (sabões, óleos hortícolas, neem). O objetivo é reduzir a população da praga abaixo do limiar de dano econômico/estético e preservar inimigos naturais, minimizando insumos químicos sintéticos.

Monitoramento

  • Inspecione semanalmente: verifique a face inferior das folhas, gemas e rebentos. Procure presença de pulgões, ninfas de cochonilha, secreção açucarada (melada) e fumagina (fungo preto que indica povoamentos de sugadores).

  • Use métodos simples: lupa 10×, crachá amarelo (armadilhas adesivas para pragas voadoras/níveis de infestação), e registro fotográfico para acompanhar evolução.

                         

Quando intervir

  • Em jardins ornamentais ou vasos a ação é recomendada quando houver: (a) manchas de melada/fumagina cobrindo folhas; (b) deformação visível de brotos; (c) presença numerosa de indivíduos (quando a população aumenta rapidamente) — em vasos pequenos, uma colônia localizada já costuma justificar ação. (Não existe um “número mágico” universal; avalie dano e tendência.)

Medidas culturais e preventivas (prioridade)

  1. Evitar estresse hídrico e nutricional: plantas vigorosas toleram melhor ataque e permitem maior atividade de inimigos naturais.

  2. Diversificar plantas: consorciar com flores e ervas que atraem predadores (ex.: flores umbelíferas atraem sírfidos e vespas parasitoides).

  3. Remoção mecânica: poda de ramos muito infestados e eliminação de colônias grandes de cochonilha (retirar manualmente com cotonete embebido em álcool para cochonilhas isoladas).

  4. Lavagem por jato de água: para pulgões em plantas robustas, jatos fortes de água removem grande parte das colônias sem uso de químicos.
    Essas medidas reduzem a pressão populacional e favorecem inimigos naturais.




Inimigos naturais recomendados (controle biológico)

  • Joaninhas (Coccinellidae): devoram pulgões; eficazes em jardins e vasos quando há alimento disponível.

  • Lacewings (Chrysoperla spp.): predadores de ninfas de pulgões e pequenas cochonilhas.

  • Vespas parasitoides (ex.: Aphidius sp.): parasitam pulgões — recomendadas em áreas protegidas/estufas.
    Favorecer o habitat desses agentes (flores hospedeiras, abrigos, evitar sprays de amplo espectro).

Produtos de baixo impacto (receitas, indicações e evidências)

Os produtos a seguir são compatíveis com manejo agroecológico quando aplicados corretamente: sabões inseticidas, óleos hortícolas (ou óleo mineral/vegetal apropriado), extratos de nim (neem) e preparações fitoterápicas. Estudos e revisões mostram eficácia variável — bons resultados em controle de pulgões e estágios jovens de cochonilha, com limitações (curta persistência, necessidade de contato direto).

Atenção geral antes de aplicar

  • Teste sempre numa folha pequena e espere 48–72 h por fitotoxicidade (algumas espécies sensíveis: cítricos jovens, begônias, certas fucsias).

  • Aplique no início da manhã ou ao entardecer (evitar sol forte e temperaturas altas).

  • Reaplicar conforme necessidade (intervalo 5–10 dias) até controle — porque esses materiais atuam por contato e têm baixa persistência.

   Insecticida de sabão (inseticida caseiro, solução de sabão potássico ou      água + sabão neutro)

  • Concentração efetiva: 1–2% (v/v) é o intervalo usual e seguro para a maioria das plantas. Isso equivale a 10–20 mL de sabão líquido/óleo de coco suave por litro de água (ou 10–20 g por litro se for sabão em barra dissolvido).

  • Modo de preparo: dissolver o sabão em água morna, esfriar, colocar em pulverizador e aplicar cobrindo bem a face inferior das folhas.

  • Efeito: age por contato, rompendo a camada cerosa e desidratando pulgões e ninfas de cochonilha jovens. Não controla ovos. Repetir 3 aplicações em intervalos de 5–7 dias.

  • Fonte/nota técnica: orientações de extensões e literatura técnica sobre sabões inseticidas corroboram 1–2% como faixa segura/eficaz.




    Óleo hortícola / óleo mineral (para cochonilhas e estágios de pulgões)

  • Concentração: produtos comerciais indicam 1–3% (ver rótulo). Em uso caseiro, 1–2% (10–20 mL por litro) é comum para aplicações foliares em vasos.

  • Modo de ação: sufocamento (recobrimento do corpo do inseto), boa eficácia em ninfas/estágios móveis e em ovos jovens; menor efeito em cochonilhas muito encravadas ou protegidas.

  • Aplicação: cobrir completamente o inseto (face inferior), repetir conforme observado. Estudos mostram mortalidade substancial em cochonilhas jovens com óleos e sabões.

     Neem (Azadirachta indica) — extrato ou óleo

  • Concentração prática doméstica: 0,25–0,5% v/v é uma boa referência para pulverização foliar (ou seja, 2.5–5 mL de óleo de neem por litro de água); algumas receitas práticas usam 3–8 mL/L. Sempre seguir instruções do produto comercial quando houver.

  • Como preparar: misture o óleo de neem com água morna + 1–2 mL (algumas gotas) de sabão líquido para emulsificar; agitar bem antes de aplicar. Aplicar ao entardecer ou manhã cedo.

  • Efeito: neem contém azadiractina e outros constituintes que atuam como antialimentares, inibidores de crescimento e têm efeito de contato/repelência. Revisões científicas mostram boa eficácia contra pulgões; eficácia contra cochonilhas varia com formulação e estágio do inseto.

   Combinações práticas (exemplo de pulverização para infestação                 moderada)

  • Receita (1 L): 1 L água morna + 5 mL óleo de neem + 10 mL sabão líquido (≈1% soap + 0.5% neem). Agitar bem e pulverizar. Reaplicar após 7 dias se houver reinfestação. Testar antes em parte da planta. 

  Outras preparações com respaldo técnico (receitas tradicionais)

  • Embrapa e manuais de controle alternativo descrevem preparações à base de sabão, extratos de pimenta, álcool para cochonilhas localizadas, e decocções específicas — úteis como complemento, mas sempre testar fitotoxicidade.

  Táticas físicas e de intervenção local

  • Cotonete com álcool (70%) — para cochonilhas isoladas (mealybugs/cochonilhas farinhentas): esfregar diretamente e remover.

  • Poda — retirar partes muito infestadas em vasos pequenos.

  • Cobertura de solo e limpeza — evitar queda de brotos infestados que possam reinfestar.

   Segurança e impactos não intencionais

  • Sabões e óleos são menos tóxicos para mamíferos, mas podem afetar insetos benéficos que entrarem em contato direto com o spray. Portanto, evite pulverizar em flores com visitas de abelhas e aplique preferencialmente em horários de menor atividade de polinizadores.

  • Leia rótulos dos produtos comerciais (óleo, neem) e respeite recomendações; alguns óleos não são indicados em altas temperaturas.



   Fluxo de ação recomendado (passo a passo resumido)

  1. Monitorar semanalmente.

  2. Ao detectar colônias iniciais: tentar lavagem por jato de água e retirada manual.

  3. Se persistir: usar sabão 1–2% (aplicar cobrindo bem). Repetir 2–3 vezes em 5–7 dias.

  4. Para infestações estabelecidas (cochonilha com melada/ fumagina): combinar poda, cotonete com álcool em colônias localizadas + aplicação de óleo hortícola (1–2%) em duas aplicações com 7–10 dias.

  5. Estimular/introduzir inimigos naturais e evitar inseticidas de amplo espectro.

   Limitações e evidências

  • Produtos biorracionais (sabões, óleos, neem) apresentam boa eficácia sobre estágios móveis e ninfas de pulgões e cochonilhas jovens, mas têm baixa persistência e exigem aplicação de contato e repetições. Evidências científicas e extensões descrevem mortalidades altas quando aplicados corretamente, porém variabilidade existe segundo formulação, espécie da praga e estágio.

    Referências e leituras recomendadas (links)

  1. FAO — Integrated Pest Management (princípios de IPM). Open Knowledge FAO

  2. Pretty J. et al., Integrated Pest Management for Sustainable Intensification — revisão sobre integração de táticas e papel dos inimigos naturais. PMC

  3. EMBRAPA — Preparados para controle de pragas / Controle alternativo (receitas tradicionais e orientações técnicas). Embrapa

  4. Colorado State University Extension — Insect Control: Insecticidal Soap (propriedades, concentrações e cuidados; recomendações 1–2%). extension.colostate.edu

  5. Quesada et al., ASHS HortTechnology (2017) — Efficacy of horticultural oil and insecticidal soap against scale insects (estudo mostrando mortalidade significativa em estágios jovens). ASHS

  6. Campos EVR et al., Neem Oil and Crop Protection: From Now to the Future — revisão sobre neem: mecanismos, potencial e limitações. PMC

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Caldas Fitoprotetoras

 

🌿 Importância do Uso das Caldas Fitoprotetoras na Jardinagem



1. Conceito

As caldas fitoprotetoras são preparações artesanais ou semiartesanais à base de minerais ou extratos vegetais, utilizadas no manejo agroecológico e orgânico para proteger plantas contra doenças e pragas.
Atuam principalmente como fungicidas, inseticidas ou repelentes naturais, reduzindo a necessidade de produtos químicos sintéticos e contribuindo para a saúde do jardim e equilíbrio ambiental.


2. Importância na jardinagem

  • 🌱 Sustentabilidade: alternativas seguras ao uso de agrotóxicos, evitando contaminação do solo, da água e da biodiversidade.

  • 🐞 Controle biológico complementar: muitas caldas preservam inimigos naturais (joaninhas, crisopídeos, abelhas).

  • 🌻 Prevenção de doenças: atuam na proteção da superfície das folhas, dificultando a entrada de patógenos.

  • 🏡 Jardinagem doméstica segura: podem ser usadas em hortas urbanas, jardins ornamentais e frutíferas de quintal com baixo risco de toxicidade.

  • 📈 Eficiência comprovada: amplamente utilizadas em agricultura familiar e orgânica (videiras, hortaliças, citros, ornamentais).


3. Exemplos de Caldas Fitoprotetoras

🔵 3.1. Calda Bordalesa

  • Composição: Sulfato de cobre + cal hidratada + água.

  • Função: Fungicida protetor, eficaz contra míldio, antracnose, ferrugens e manchas foliares.

  • Uso na jardinagem: Rosas, hortênsias, frutíferas e hortaliças sensíveis a doenças fúngicas.


🟠 3.2. Calda Sulfocálcica

  • Composição: Enxofre + cal + água (fervida → polissulfetos de cálcio).

  • Função: Fungicida, acaricida e inseticida natural.

  • Uso na jardinagem: Controle de ácaros, cochonilhas e oídio em frutíferas (mangueira, goiabeira), roseiras e plantas ornamentais.


🟢 3.3. Calda de Fumo (ou Extrato de Nicotina)

  • Composição: Fumo de corda macerado + água + sabão neutro.

  • Função: Inseticida natural, atuando contra pulgões, tripes e lagartas jovens.

  • Uso na jardinagem: Controle em plantas ornamentais, hortaliças folhosas e roseiras.
    ⚠️ Deve ser usada com cautela, em baixas concentrações, devido à toxicidade da nicotina.


🟡 3.4. Calda de Sabão

  • Composição: Sabão neutro + água.

  • Função: Age como inseticida de contato, dissolvendo a camada cerosa de insetos sugadores (pulgões, mosca-branca).

  • Uso na jardinagem: Hortaliças, plantas ornamentais de interior, frutíferas jovens.


🟤 3.5. Biofertilizantes líquidos (ex.: Supermagro, Chorume de Composteira)

  • Composição: Mistura de esterco, minerais e água fermentada.

  • Função: Fortalecimento nutricional, indiretamente aumenta a resistência a pragas e doenças.

  • Uso na jardinagem: Pulverização foliar em hortas e jardins para vigor das plantas.


4. Considerações práticas

  • As caldas devem ser preparadas e aplicadas corretamente, respeitando concentrações para evitar fitotoxicidade.

  • Sempre aplicar em dias nublados ou no fim da tarde, para maior eficácia e menor risco de queima foliar.

  • Podem ser usadas de forma integrada em programas de manejo agroecológico, combinando nutrição equilibrada, podas e diversidade vegetal.

Calda Bordalesa - Uma alternativa ecológica para controle de doenças fúngicas e bacterianas

Calda Bordalesa – Uso, Composição e Preparo na Jardinagem

A calda bordalesa é uma mistura tradicional de sulfato de cobre e cal hidratada, diluída em água, usada como fungicida protetor de contato. Atua principalmente na prevenção de doenças causadas por fungos e algumas bactérias, formando uma camada protetora na superfície das folhas, ramos e frutos.

Composição

  • Sulfato de cobre (CuSO₄·5H₂O): responsável pela ação fungicida, liberando íons Cu²⁺ que inibem a germinação de esporos fúngicos.

  • Cal hidratada (Ca(OH)₂): neutraliza a acidez do cobre, reduzindo fitotoxicidade e ajudando na fixação da calda nas plantas.
  • Água limpa: solvente e veículo da aplicação.


Indicações na jardinagem

  • Prevenção de doenças fúngicas como míldio, ferrugens, antracnose, pinta-preta e manchas foliares.

  • Utilizada em: rosas, hortênsias, plantas ornamentais de jardim, frutíferas (citros, videira, mangueira) e hortaliças.

  • Importante: é um tratamento preventivo, não curativo.


Receita prática (para 10 litros de calda a 1%)

Ingredientes:

  • 100 g de sulfato de cobre (CuSO₄·5H₂O).

  • 100 g de cal hidratada (Ca(OH)₂).

  • 10 litros de água limpa.

Preparo passo a passo:

  1. Dissolver 100 g de sulfato de cobre em 5 litros de água, em recipiente plástico ou de madeira (não usar metal).

  2. Em outro recipiente, dissolver 100 g de cal hidratada em 5 litros de água, coando para eliminar impurezas.

  3. Lentamente, despejar a solução de sulfato de cobre sobre a solução de cal, mexendo constantemente.

  4. Testar o pH da calda (deve estar entre 6,5 e 7,5).

    • Se estiver muito ácido, adicionar mais cal; se muito alcalino, pode reduzir a eficiência

    • Utilizar a calda imediatamente após o preparo.

Cuidados no uso

  • Usar equipamentos de proteção individual (EPI): luvas, máscara, óculos de proteção.

  • Não aplicar em horários de sol forte ou temperaturas acima de 30 °C (risco de fitotoxicidade).

  • Intervalo de segurança: evitar aplicações muito próximas à floração ou colheita (respeitar 7 a 15 dias, dependendo da cultura).

  • Armazenar os insumos em local seguro, fora do alcance de crianças e animais.