Mostrando postagens com marcador compostagem. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador compostagem. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Faça sua compostagem e adubação verde no Verão de maneira correta

 


Durante o verão, o solo do jardim enfrenta um conjunto particular de desafios: alta evaporação, maior atividade microbiana, aceleração do metabolismo das plantas e, muitas vezes, chuvas intensas alternadas com períodos secos. Nesse cenário, a compostagem, a adubação verde e os biofertilizantes caseiros tornam-se ferramentas essenciais para manter a fertilidade, a estrutura do solo e o equilíbrio ecológico do jardim.


Compostagem acelerada com temperaturas elevadas

As temperaturas mais altas típicas dos meses quentes são uma vantagem natural no processo de compostagem. O calor aumenta a velocidade de decomposição da matéria orgânica, favorece a multiplicação de microrganismos benéficos e ajuda a eliminar sementes de plantas invasoras e potenciais patógenos.

No verão, a pilha de compostagem pode alcançar facilmente 55–65 °C, faixa ideal para a fase termofílica, em que a decomposição se torna mais intensa e eficiente. Para aproveitar esse potencial, alguns cuidados ajudam a evitar problemas comuns:

  • Umidade controlada: a pilha deve permanecer com umidade semelhante a uma esponja espremida. Temperaturas altas podem secar rapidamente o material, exigindo regas periódicas.

  • Aeração frequente: revolver a pilha a cada 5–7 dias acelera o aporte de oxigênio e evita a compactação.

  • Equilíbrio entre materiais verdes e secos: a proporção média de 1 parte de verdes (restos de frutas, podas frescas, borra de café) para 2 partes de secos (folhas, palha, serragem) mantém a relação carbono:nitrogênio ideal para uma decomposição rápida.

  • Sombreamento parcial: proteger a composteira do sol direto evita ressecamento extremo e perda de nutrientes voláteis.

Com esses ajustes, o composto pode ficar pronto em poucas semanas, chegando ao jardim justamente quando a reposição de matéria orgânica é mais necessária.



Adubos verdes de ciclo curto para o verão

A adubação verde é uma prática ecológica capaz de melhorar a estrutura do solo, aumentar a disponibilidade de nutrientes e estimular a biodiversidade subterrânea. No verão, o ideal é utilizar espécies de ciclo curto e grande tolerância ao calor, garantindo rápido crescimento e bom volume de biomassa.


Espécies recomendadas para verão no hemisfério sul

  • Feijão-de-porco (Canavalia ensiformis) – leguminosa rústica, de crescimento rápido, excelente para fixação de nitrogênio.

  • Crotalária juncea e Crotalária spectabilis – muito usadas para recuperação de solos, controle de nematoides e adição de biomassa.

  • Mucuna-preta (Mucuna pruriens) – cobre rapidamente o solo e reduz a incidência de plantas indesejadas.

  • Milheto (Pennisetum glaucum) – gramínea de alto vigor, ideal para solos compactados, promovendo descompactação biológica.

  • Nabo-forrageiro (Raphanus sativus var. oleiferus) – raiz pivotante que atravessa camadas endurecidas, criando canais de aeração.

Essas espécies, semeadas no início do verão, podem ser roçadas e incorporadas ao solo em 35 a 70 dias, formando uma manta orgânica que melhora a retenção de água e reduz a temperatura superficial do solo — dois fatores essenciais para o bom desempenho do jardim nessa estação.



Biofertilizantes líquidos caseiros

Os biofertilizantes líquidos são soluções nutritivas produzidas a partir da fermentação de materiais orgânicos. No verão, sua produção é beneficiada pelo calor, que acelera o processo e aumenta a disponibilização de nutrientes solúveis.


Receita básica de biofertilizante de fermentação anaeróbica

Ingredientes:

  • Restos vegetais frescos (folhas verdes, ervas espontâneas, cascas de vegetais)

  • 1 parte de esterco curtido ou composto

  • 1 parte de açúcar mascavo ou melaço

  • Água sem cloro

Modo de preparo:

  1. Encher 2/3 de um balde com os materiais vegetais picados.

  2. Adicionar o esterco ou composto e o açúcar mascavo.

  3. Completar com água, deixando espaço para fermentação.

  4. Tampar bem e deixar fermentar de 15 a 20 dias no verão.

  5. Coar e diluir antes de usar: normalmente de 1:10 a 1:20 para regas ou pulverizações.

O resultado é um fertilizante rico em nutrientes solúveis e microrganismos benéficos, ideal para fortalecer plantas estressadas pelo calor ou por períodos de estiagem.

Uso e recomendações

  • Aplicar no fim da tarde para evitar perda de nutrientes por volatilização.

  • Usar a cada 10 a 15 dias em jardins externos, vasos e canteiros internos.

  • Evitar excesso para não saturar o solo em nutrientes facilmente lixiviáveis.



O verão transforma o jardim em um ambiente de intensa atividade biológica. Ao compreender como o calor afeta a compostagem, escolher adubos verdes adaptados à estação e preparar biofertilizantes líquidos adequados, o jardineiro consegue atuar junto à natureza, fortalecendo o solo e promovendo um ciclo mais saudável e sustentável no jardim.


Referências confiáveis

(Seleção de bases científicas, institucionais e técnicas reconhecidas)

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

O que é compostagem doméstica — e por que fazer

 


  • A compostagem doméstica é o processo de transformar resíduos orgânicos — restos de comida, cascas, folhas secas, restos de poda — em adubo natural, por ação de micro-organismos e/ou minhocas.

  • Ao compostar, você reduz a quantidade de lixo enviada para aterros e, ao mesmo tempo, gera húmus e composto rico em nutrientes para sua horta/jardim — promovendo solo mais fértil e plantas mais saudáveis.


Tipos de composteiras domésticas

A escolha do sistema depende do espaço disponível, da quantidade de resíduos e do tempo que você quer dedicar. Abaixo, os principais tipos usados por quem cultiva hortas/jardins em casa ou vive em apartamento.


Vermicompostagem (com minhocas)

  • Usa minhocas (geralmente minhocas vermelhas ou “californianas”) para decompor os resíduos. Essas minhocas aceleram o processo e transformam resíduos em húmus rico em nutrientes.

  • A composteira costuma ser formada por 2 ou 3 caixas plásticas empilhadas. As duas de cima, onde ocorre a compostagem, devem ter furos para ventilação e troca de ar; a caixa de baixo normalmente serve para coletar o líquido (chorume), com torneira para drenagem.

  • Vantagens: ocupa pouco espaço, não costuma cheirar mal, pode ser mantida em apartamento ou em áreas reduzidas. O húmus produzido é de alta qualidade para hortas e jardins.


Compostagem aeróbica tradicional (sem minhocas)

  • Consiste simplesmente em acumular resíduos orgânicos (restos de cozinha, folhas secas, podas, etc.) em um recipiente ou pilha, e deixar a natureza decompor com a ajuda de microrganismos aeróbios.

  • Pode ser feito em caixas de madeira, caixotes, caixas plásticas ou até pilhas diretamente no solo — desde que haja ventilação ou espaço entre as madeiras/paredes para entrada de ar.

  • Esse método requer revirar (“arejar”) o composto periodicamente para oxigenar e acelerar a decomposição. A umidade deve ser controlada (como uma esponja torcida, úmida, mas não encharcada).



Compostagem tipo "tumbler" / tambor giratório

  • É uma composteira em forma de tambor ou tambor giratório, fechada, onde você coloca resíduos e gira o tambor de tempos em tempos para “arejar” e misturar o material. Isso acelera a decomposição e mantém o processo mais uniforme.

  • Vantagens: bastante eficiente, mais rápida do que a compostagem tradicional estática, e reduz o risco de odores e insetos.

  • Adequado para quem tem um quintal ou espaço externo — menos prático em espaços pequenos ou apartamentos sem área externa.


Bokashi (fermentação anaeróbica)

  • Diferente da compostagem aeróbica tradicional, Bokashi utiliza fermentação anaeróbica — ou seja, sem oxigênio — em um recipiente fechado. Usa um “inoculante” microbiano (geralmente chamado de “bokashi bran”) para fermentar resíduos.

  • Uma vantagem significativa: pode compostar restos que normalmente não vão bem em composteiras tradicionais, como restos de comida cozida, carnes e laticínios (dependendo do sistema), o que amplia o tipo de resíduos domésticos reciclados.

  • Após a fermentação (geralmente algumas semanas), o material deve ser enterrado no solo ou misturado a uma composteira tradicional para completar a decomposição.

  • Esse sistema é especialmente útil para quem vive em apartamento ou tem pouco espaço, já que é compacto e relativamente limpo — mas requer acesso a solo para enterrar o material fermentado depois.


Passo a passo básico para montar sua composteira em casa

1. Separar os resíduos

  • Separe restos de alimentos (casca de frutas e verduras, borra de café, cascas de ovos — preferencialmente moídas), restos de jardim (folhas secas, grama cortada, galhos finos), serragem, palhas, etc. Esses materiais servem como “matéria verde” (ricos em nitrogênio) e “matéria seca” ou “matéria marrom” (ricos em carbono).

  • Evite colocar carne, restos de laticínios, óleo de fritura, adubos químicos, plantas doentes — pois podem atrair pragas, dar mau cheiro e comprometer o processo.

2. Montar a composteira (ex: versão com baldes plásticos)

  • Utilize três baldes plásticos com tampa e empilhe-os: os dois de cima para compostagem, o de baixo para coletar líquido (chorume).

  • Faça furos nas laterais superiores e no fundo dos dois baldes de cima — isso garante ventilação e drenagem.

  • Na base (balde de baixo), instale uma torneira (ou saída) para escoar o chorume, que pode ser usado como fertilizante líquido.

3. Alimentar e manter a composteira

  • Adicione os resíduos orgânicos “verdes” junto com uma camada de material seco. Uma proporção recomendada é cerca de 1 parte de material verde para 3 partes de material seco.

  • Se for vermicompostagem: coloque as minhocas — e uma camada de substrato (terra ou serragem) para acomodá-las. As minhocas farão a decomposição.

  • Mantenha a composteira em local arejado, protegido da chuva e do sol excessivo.

  • No caso da compostagem tradicional, é importante arejar ou revolver o material com uma pá ou garfo de jardim pelo menos uma vez por semana, para garantir oxigenação.

  • Controle a umidade: o composto deve estar úmido como “uma esponja bem torcida” — nem muito seco, nem encharcado.

4. Aguardar a decomposição e usar o adubo

  • Com vermicompostagem ou compostagem tradicional, após algumas semanas ou meses (dependendo do volume e método), você terá um adubo orgânico escuro, rico em nutrientes — ideal para usar em hortas, vasos e jardins.

  • Se sua composteira coleta chorume: esse líquido pode ser diluído em água e usado como fertilizante líquido para plantas (atenção à dosagem).

🌿 Dicas práticas e cuidados importantes

  • Mantenha a composteira em local ventilado, sombreado e protegido da chuva e do sol — isso garante temperatura e umidade adequadas, essenciais para microrganismos ou minhocas.

  • Ao adicionar resíduos orgânicos, sempre acrescente também material seco — isso equilibra carbono e nitrogênio, essencial para decomposição eficiente.

  • Não adicione resíduos proibidos: carne, laticínios, óleo, plantas doentes, papel colorido ou com tintas, exagero de frutas cítricas — esses materiais comprometem o processo.

  • A compostagem é um processo natural e demanda paciência — o tempo varia conforme método, volume, clima e materiais. Mas o resultado vale: solo mais saudável, menos lixo e maior autonomia para seu jardim/horta.


Por que vale a pena investir nessa prática

A compostagem domiciliar traz múltiplos benefícios para quem cultiva plantas, hortas ou cuida de jardins: recicla resíduos orgânicos, reduz desperdícios, diminui o impacto ambiental e produz adubo natural — diminuindo a necessidade de fertilizantes químicos. Para quem, como você, valoriza alternativas sustentáveis e o cuidado com o meio ambiente, esse processo se encaixa perfeitamente na filosofia de “Jardineiro Consciente”.

Além disso, com métodos adaptáveis a diferentes espaços (apartamento, varanda, quintal, horta urbana), a compostagem se torna uma prática acessível e transformadora.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Compostagem e Projeto de composteira


Compostagem
A compostagem é a forma de se produzir o melhor adubo orgânico para as plantas. Sua riqueza de nutrientes vai depender diretamente do material que entrará em processo de compostagem. Existem várias formas de se produzir um composto orgânico, a céu aberto ou em composteiras fechadas; com o uso de restos vegetais e animais, ou só de vegetais ou só de urinas e estercos, e vários outras, incluindo-se aí até a presença de adubos químicos para enriquecer o composto.
1. Matéria Orgânica
§  Vegetal – restos de folhas, caules, flores e frutos;
§  Animal – estercos e urinas.
*Quanto mais picado for o material, mais rápido acontecerá o processo de compostagem.

2. Elementos Necessários para Compostagem
§  Matéria Orgânica
§  Oxigênio
§  Temperatura
§  Umidade

A Composteira
Abaixo relacionamos o material necessário para a produção de uma composteira mista, construída em madeira  com base de alvenaria e ferramentas e equipamentos necessários para os trabalhos de
manejo e manutenção da composteira.

Material e Ferramentas
20 ripas de madeira 1,10m X 0,10m X 0,02m
04 caibros de madeira 1,5m cada
80 pregos
200 tijolinhos
05 tábuas 1,10m X 0,20m X 0,03m
15 kg de cimento
¼ de areia de construção
01 tonel de 200 l
1,5 tela plástica (malha de 5cm)
01 picador de resíduos orgânicos
01 forcado
01 pá
01 enxada
01 carrinho de mão
01 mangueira 50m
01 peneira de aço (malha de 1,5cm)
01 rastelo
01 vassoura de aço

 

A palhada do chão de lavouras permanentes e o esterco de animais que pastam nessas áreas são excelentes componentes para uma boa compostagem


Manejo da Composteira

 O manejo consiste na observação e cuidados com o processo de fermentação do composto. Periodicamente deve ser observados a umidade, temperatura e fazer reviramento do composto para que haja homogeneidade na fermentação. A composteira deve ser protegida da chuva e do sol.
O composto estará pronto, quando não estiver mais perdendo água e liberando o calor da fermentação (mede-se com uma barra de ferro enfiada por dez minutos no composto a liberação de calor).