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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Como escolher plantas nativas para o seu jardim e reduzir o uso de água


Em tempos de estiagens mais longas e de escassez hídrica em várias regiões do Brasil, a escolha das plantas certas para o jardim é uma das estratégias mais eficazes de adaptação ecológica e economia de água.

As plantas nativas brasileiras — ou seja, aquelas que evoluíram naturalmente em determinado bioma — apresentam alta resistência climática, menor necessidade de irrigação e desempenham papel essencial na manutenção da biodiversidade local.

De acordo com a Embrapa Meio Ambiente (2023), o uso de espécies nativas pode reduzir o consumo de água na jardinagem em até 40%, além de dispensar fertilizantes químicos e defensivos artificiais.

O que são plantas nativas e por que escolher essas espécies

Plantas nativas são as que ocorrem naturalmente em uma região sem intervenção humana. Diferem das exóticas (trazidas de outros países) e das naturalizadas (que se adaptaram, mas não são originais do bioma).
Quando cultivadas em jardins, as nativas:

  • Adaptam-se melhor às condições locais de clima e solo.

  • Necessitam de menos água e insumos.

  • Favorecem a fauna polinizadora — abelhas nativas, borboletas e aves.

  • Fortalecem o equilíbrio ecológico e reduzem a invasão de espécies estrangeiras.




Estratégias para reduzir o uso de água no jardim

 a) Escolher espécies adaptadas ao bioma local

Cada região brasileira possui plantas adaptadas à sua luminosidade, tipo de solo e regime de chuvas.

  • Cerrado: quaresmeira (Tibouchina granulosa), barba-de-bode (Aristida longiseta), ipê-amarelo (Handroanthus albus).

  • Mata Atlântica: manacá-da-serra (Tibouchina mutabilis), bromélias, jabuticabeira (Plinia cauliflora).

  • Caatinga: mandacaru (Cereus jamacaru), coroa-de-frade (Melocactus bahiensis), umbuzeiro (Spondias tuberosa).

  • Pampa: capim-mimoso (Axonopus affinis), maria-mole (Senecio brasiliensis).

  • Amazônia: helicônias, andiroba (Carapa guianensis), vitória-régia (Victoria amazonica).



 b) Implantar jardins xerófitos ou de baixa irrigação

Jardins xerófitos são aqueles compostos por plantas adaptadas a ambientes secos — não apenas cactos, mas também gramíneas e herbáceas de raízes profundas.
Dicas práticas:

  • Use mulch (palha, folhas secas ou casca de pinus) para conservar a umidade.

  • Agrupe plantas com necessidades hídricas semelhantes.

  • Prefira irrigação localizada (gotejamento) e evite aspersão em horários quentes.

c) Manter o solo coberto e vivo

Solos descobertos evaporam até 80% mais água. A cobertura orgânica e o manejo ecológico (compostagem, biofertilizantes, húmus de minhoca) ajudam a:

  • Melhorar a infiltração e retenção de umidade.

  • Reduzir a erosão.

  • Alimentar microrganismos benéficos e raízes profundas.


      Exemplo de composição de jardim nativo e econômico em água

Jardim de Cerrado Urbano (para clima tropical/semiárido):

EstratoEspécieFunção ecológica
ArbóreoIpê-amarelo (Handroanthus albus)Sombreamento e florada de polinizadores
ArbustivoLantana (Lantana camara)Atrai borboletas e abelhas
HerbáceoBarba-de-bode (Aristida longiseta)Reduz evaporação e forma maciços
CactáceaMandacaru (Cereus jamacaru)Resistência e beleza escultural
CoberturaFolhas secas e composto orgânicoConserva umidade e protege o solo

Benefícios ecológicos e econômicos

  • Economia de até 50% de água na irrigação (FAO, 2021).

  • Aumento da biodiversidade urbana e dos polinizadores locais.

  • Redução de resíduos verdes e fertilizantes artificiais.

  • Maior resiliência climática em períodos de seca ou calor extremo.


"Escolher plantas nativas não é apenas uma questão estética ou técnica: é um
ato de conservação ambiental"

Cada jardim que adota espécies locais e reduz o consumo de água transforma-se em um microecossistema regenerativo, que devolve vida, sombra e equilíbrio à paisagem urbana.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Controle de pragas de jardim



 

Controle agroecológico de pulgões (Aphididae) e cochonilhas (Coccoidea) em jardins e vasos

O controle agroecológico baseia-se na integração de medidas culturais, de monitoramento, bióticas (predadores/parasitoides), físicas e, quando necessário, produtos de baixo impacto (sabões, óleos hortícolas, neem). O objetivo é reduzir a população da praga abaixo do limiar de dano econômico/estético e preservar inimigos naturais, minimizando insumos químicos sintéticos.

Monitoramento

  • Inspecione semanalmente: verifique a face inferior das folhas, gemas e rebentos. Procure presença de pulgões, ninfas de cochonilha, secreção açucarada (melada) e fumagina (fungo preto que indica povoamentos de sugadores).

  • Use métodos simples: lupa 10×, crachá amarelo (armadilhas adesivas para pragas voadoras/níveis de infestação), e registro fotográfico para acompanhar evolução.

                         

Quando intervir

  • Em jardins ornamentais ou vasos a ação é recomendada quando houver: (a) manchas de melada/fumagina cobrindo folhas; (b) deformação visível de brotos; (c) presença numerosa de indivíduos (quando a população aumenta rapidamente) — em vasos pequenos, uma colônia localizada já costuma justificar ação. (Não existe um “número mágico” universal; avalie dano e tendência.)

Medidas culturais e preventivas (prioridade)

  1. Evitar estresse hídrico e nutricional: plantas vigorosas toleram melhor ataque e permitem maior atividade de inimigos naturais.

  2. Diversificar plantas: consorciar com flores e ervas que atraem predadores (ex.: flores umbelíferas atraem sírfidos e vespas parasitoides).

  3. Remoção mecânica: poda de ramos muito infestados e eliminação de colônias grandes de cochonilha (retirar manualmente com cotonete embebido em álcool para cochonilhas isoladas).

  4. Lavagem por jato de água: para pulgões em plantas robustas, jatos fortes de água removem grande parte das colônias sem uso de químicos.
    Essas medidas reduzem a pressão populacional e favorecem inimigos naturais.




Inimigos naturais recomendados (controle biológico)

  • Joaninhas (Coccinellidae): devoram pulgões; eficazes em jardins e vasos quando há alimento disponível.

  • Lacewings (Chrysoperla spp.): predadores de ninfas de pulgões e pequenas cochonilhas.

  • Vespas parasitoides (ex.: Aphidius sp.): parasitam pulgões — recomendadas em áreas protegidas/estufas.
    Favorecer o habitat desses agentes (flores hospedeiras, abrigos, evitar sprays de amplo espectro).

Produtos de baixo impacto (receitas, indicações e evidências)

Os produtos a seguir são compatíveis com manejo agroecológico quando aplicados corretamente: sabões inseticidas, óleos hortícolas (ou óleo mineral/vegetal apropriado), extratos de nim (neem) e preparações fitoterápicas. Estudos e revisões mostram eficácia variável — bons resultados em controle de pulgões e estágios jovens de cochonilha, com limitações (curta persistência, necessidade de contato direto).

Atenção geral antes de aplicar

  • Teste sempre numa folha pequena e espere 48–72 h por fitotoxicidade (algumas espécies sensíveis: cítricos jovens, begônias, certas fucsias).

  • Aplique no início da manhã ou ao entardecer (evitar sol forte e temperaturas altas).

  • Reaplicar conforme necessidade (intervalo 5–10 dias) até controle — porque esses materiais atuam por contato e têm baixa persistência.

   Insecticida de sabão (inseticida caseiro, solução de sabão potássico ou      água + sabão neutro)

  • Concentração efetiva: 1–2% (v/v) é o intervalo usual e seguro para a maioria das plantas. Isso equivale a 10–20 mL de sabão líquido/óleo de coco suave por litro de água (ou 10–20 g por litro se for sabão em barra dissolvido).

  • Modo de preparo: dissolver o sabão em água morna, esfriar, colocar em pulverizador e aplicar cobrindo bem a face inferior das folhas.

  • Efeito: age por contato, rompendo a camada cerosa e desidratando pulgões e ninfas de cochonilha jovens. Não controla ovos. Repetir 3 aplicações em intervalos de 5–7 dias.

  • Fonte/nota técnica: orientações de extensões e literatura técnica sobre sabões inseticidas corroboram 1–2% como faixa segura/eficaz.




    Óleo hortícola / óleo mineral (para cochonilhas e estágios de pulgões)

  • Concentração: produtos comerciais indicam 1–3% (ver rótulo). Em uso caseiro, 1–2% (10–20 mL por litro) é comum para aplicações foliares em vasos.

  • Modo de ação: sufocamento (recobrimento do corpo do inseto), boa eficácia em ninfas/estágios móveis e em ovos jovens; menor efeito em cochonilhas muito encravadas ou protegidas.

  • Aplicação: cobrir completamente o inseto (face inferior), repetir conforme observado. Estudos mostram mortalidade substancial em cochonilhas jovens com óleos e sabões.

     Neem (Azadirachta indica) — extrato ou óleo

  • Concentração prática doméstica: 0,25–0,5% v/v é uma boa referência para pulverização foliar (ou seja, 2.5–5 mL de óleo de neem por litro de água); algumas receitas práticas usam 3–8 mL/L. Sempre seguir instruções do produto comercial quando houver.

  • Como preparar: misture o óleo de neem com água morna + 1–2 mL (algumas gotas) de sabão líquido para emulsificar; agitar bem antes de aplicar. Aplicar ao entardecer ou manhã cedo.

  • Efeito: neem contém azadiractina e outros constituintes que atuam como antialimentares, inibidores de crescimento e têm efeito de contato/repelência. Revisões científicas mostram boa eficácia contra pulgões; eficácia contra cochonilhas varia com formulação e estágio do inseto.

   Combinações práticas (exemplo de pulverização para infestação                 moderada)

  • Receita (1 L): 1 L água morna + 5 mL óleo de neem + 10 mL sabão líquido (≈1% soap + 0.5% neem). Agitar bem e pulverizar. Reaplicar após 7 dias se houver reinfestação. Testar antes em parte da planta. 

  Outras preparações com respaldo técnico (receitas tradicionais)

  • Embrapa e manuais de controle alternativo descrevem preparações à base de sabão, extratos de pimenta, álcool para cochonilhas localizadas, e decocções específicas — úteis como complemento, mas sempre testar fitotoxicidade.

  Táticas físicas e de intervenção local

  • Cotonete com álcool (70%) — para cochonilhas isoladas (mealybugs/cochonilhas farinhentas): esfregar diretamente e remover.

  • Poda — retirar partes muito infestadas em vasos pequenos.

  • Cobertura de solo e limpeza — evitar queda de brotos infestados que possam reinfestar.

   Segurança e impactos não intencionais

  • Sabões e óleos são menos tóxicos para mamíferos, mas podem afetar insetos benéficos que entrarem em contato direto com o spray. Portanto, evite pulverizar em flores com visitas de abelhas e aplique preferencialmente em horários de menor atividade de polinizadores.

  • Leia rótulos dos produtos comerciais (óleo, neem) e respeite recomendações; alguns óleos não são indicados em altas temperaturas.



   Fluxo de ação recomendado (passo a passo resumido)

  1. Monitorar semanalmente.

  2. Ao detectar colônias iniciais: tentar lavagem por jato de água e retirada manual.

  3. Se persistir: usar sabão 1–2% (aplicar cobrindo bem). Repetir 2–3 vezes em 5–7 dias.

  4. Para infestações estabelecidas (cochonilha com melada/ fumagina): combinar poda, cotonete com álcool em colônias localizadas + aplicação de óleo hortícola (1–2%) em duas aplicações com 7–10 dias.

  5. Estimular/introduzir inimigos naturais e evitar inseticidas de amplo espectro.

   Limitações e evidências

  • Produtos biorracionais (sabões, óleos, neem) apresentam boa eficácia sobre estágios móveis e ninfas de pulgões e cochonilhas jovens, mas têm baixa persistência e exigem aplicação de contato e repetições. Evidências científicas e extensões descrevem mortalidades altas quando aplicados corretamente, porém variabilidade existe segundo formulação, espécie da praga e estágio.

    Referências e leituras recomendadas (links)

  1. FAO — Integrated Pest Management (princípios de IPM). Open Knowledge FAO

  2. Pretty J. et al., Integrated Pest Management for Sustainable Intensification — revisão sobre integração de táticas e papel dos inimigos naturais. PMC

  3. EMBRAPA — Preparados para controle de pragas / Controle alternativo (receitas tradicionais e orientações técnicas). Embrapa

  4. Colorado State University Extension — Insect Control: Insecticidal Soap (propriedades, concentrações e cuidados; recomendações 1–2%). extension.colostate.edu

  5. Quesada et al., ASHS HortTechnology (2017) — Efficacy of horticultural oil and insecticidal soap against scale insects (estudo mostrando mortalidade significativa em estágios jovens). ASHS

  6. Campos EVR et al., Neem Oil and Crop Protection: From Now to the Future — revisão sobre neem: mecanismos, potencial e limitações. PMC

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

A Raiz: Estrutura, Tipos e Funções

 



A raiz é o órgão da planta que normalmente cresce para baixo, dentro do solo. Ela é responsável por fixar a planta e absorver água e nutrientes essenciais para seu crescimento. É uma das partes mais importantes do vegetal, pois garante sua sustentação e sobrevivência.

O conhecimento do tipo de raiz da planta que está utilizando no ajardinamento é de suma importância para o jardineiro pois irá ditar sobre a preferência das plantas vizinhas e, sobretudo, o tipo de rega que será praticado.


Estrutura da Raiz

As raízes possuem várias partes, cada uma com funções específicas:

  1. Coifa (ou caliptra) – pequena capa na ponta da raiz que protege o tecido de crescimento contra o atrito com o solo.

  2. Zona de crescimento (ou meristemática) – região logo acima da coifa, onde as células se dividem rapidamente, fazendo a raiz crescer.

  3. Zona de alongamento – as células aumentam de tamanho, alongando a raiz.

  4. Zona de diferenciação (ou de absorção) – onde se formam os pelos absorventes, responsáveis por captar água e sais minerais.

  5. Cilindro central – região interna por onde a seiva bruta (água e nutrientes) é transportada para o caule.




🌾 Tipos de Raiz

As raízes podem ter diferentes formas e funções, dependendo da espécie e das condições do ambiente. Os principais tipos são:

  1. Pivotante (ou axial) – apresenta uma raiz principal mais desenvolvida, da qual partem raízes secundárias.
    🔹 Exemplo: feijão, cenoura, alface, ipê.

  2. Fasciculada (ou cabeleira) – formada por várias raízes finas, de tamanho semelhante, que se espalham pelo solo.
    🔹 Exemplo: milho, arroz, capim, cebola.

  3. Adventícia – nasce em outras partes da planta, como caules ou folhas, e não da raiz principal.
    🔹 Exemplo: samambaias, heras, milho (raízes de apoio).



🌍 Funções da Raiz

As raízes exercem várias funções vitais para as plantas:

  • Fixação: mantém a planta firme no solo.

  • Absorção: retira água e sais minerais do solo.

  • Condução: transporta a seiva bruta até o caule.

  • Armazenamento: em algumas espécies, acumula nutrientes e reservas (como amido).
    🔹 Exemplo: beterraba, mandioca, cenoura.

  • Apoio e sustentação: algumas raízes ajudam a sustentar plantas grandes, como as do mangue (raízes pneumatóforas) ou do milho (raízes escoras).

  • Respiração: em ambientes alagados, certas raízes adaptam-se para trocar gases com o ar, como nas plantas de manguezal.

                                    

🌿 Curiosidade

Nem todas as raízes crescem para baixo!
Algumas, como as das orquídeas epífitas, crescem expostas ao ar e absorvem umidade da atmosfera. Essas são chamadas de raízes aéreas.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Tendência da jardinagem em 2026

 Jardinagem de Precisão: A Revolução Tecnológica no Cultivo Sustentável






A integração entre tecnologia e jardinagem vem transformando a forma como cuidamos dos jardins, tornando o manejo mais eficiente, sustentável e acessível. Essa nova abordagem, conhecida como jardinagem de precisão, aplica ferramentas digitais e sensores inteligentes para monitorar, planejar e otimizar o cultivo das plantas, reduzindo desperdícios e melhorando a saúde do ecossistema do jardim.

1. Conceito e Aplicação da Jardinagem de Precisão

Inspirada na agricultura de precisão, a jardinagem de precisão utiliza dispositivos eletrônicos, sensores e softwares para coletar dados sobre o solo, o clima e as plantas. Esses dados são interpretados em tempo real, permitindo que o jardineiro tome decisões assertivas sobre irrigação, adubação, poda e controle de pragas.

O objetivo principal é otimizar recursos naturais — principalmente água e nutrientes — e aumentar a resiliência das plantas frente às variações ambientais.




2. Sensores de Umidade e Monitoramento do Solo

Os sensores de umidade do solo são dispositivos que medem a quantidade de água disponível na zona radicular das plantas. Conectados a aplicativos ou sistemas automáticos, eles enviam alertas quando o solo está seco ou excessivamente úmido, ajudando a:

  • Evitar o estresse hídrico e o apodrecimento de raízes;

  • Economizar água, aplicando-a apenas quando necessário;

  • Ajustar o manejo de irrigação conforme a espécie e a estação do ano.

Modelos populares incluem sensores de tensão matricial, capacitivos e de condutividade elétrica, todos adaptáveis a jardins domésticos e profissionais.

📚 Referência: Food and Agriculture Organization (FAO). Smart Irrigation Practices for Sustainable Water Use. 2022. https://www.fao.org


3. Sistemas de Irrigação Automática e Inteligente

Os sistemas automáticos de irrigação podem ser programados com base em horários fixos ou acionados por sensores de umidade e temperatura. As versões mais modernas utilizam controladores conectados à internet (Wi-Fi), integrados a dados meteorológicos locais.

Esses sistemas ajustam o volume e a frequência da irrigação conforme a previsão do tempo, evitando o desperdício em dias de chuva e garantindo a umidade ideal em períodos de seca.

  • Vantagem técnica: uniformidade de irrigação e economia de até 50% de água.

  • Aplicação prática: uso em gramados, hortas urbanas e jardins verticais.

📚 Referência: U.S. Environmental Protection Agency (EPA). WaterSense: Smart Irrigation Controllers. 2023. https://www.epa.gov/watersense





4. Aplicativos para Diagnóstico de Doenças e Pragas

Com o avanço da inteligência artificial (IA) e do reconhecimento de imagem, surgiram aplicativos capazes de identificar doenças, pragas e deficiências nutricionais a partir de fotos tiradas pelo celular.
Alguns exemplos populares incluem:

  • Plantix (FAO/PEAT): diagnóstico de doenças e recomendações de manejo ecológico;

  • PictureThis: identificação de espécies e alertas sobre pragas comuns;

  • AgroApp BR (Embrapa): informações sobre manejo e controle biológico.

Essas ferramentas democratizam o acesso ao conhecimento técnico e reduzem a dependência de agroquímicos, estimulando práticas mais ecológicas e precisas.

📚 Referência: Embrapa. AgroApp: Tecnologia Digital Aplicada à Agricultura Sustentável. 2024. https://www.embrapa.br


5. Softwares e Dados Climáticos para Planejamento de Plantio

Os softwares meteorológicos e aplicativos de clima agrícola permitem programar o calendário de semeadura, poda e colheita com base em dados locais de temperatura, umidade e radiação solar.
Exemplos úteis para jardineiros:

  • Meteoblue Garden Planner: fornece previsões agrícolas detalhadas;

  • MySoil App (British Geological Survey): informações sobre tipos de solo e pH;

  • AgroMet Brasil: dados climáticos regionais e alertas agrometeorológicos.

Essas ferramentas ajudam a sincronizar o plantio com as condições ideais, reduzindo perdas e melhorando o vigor das plantas.

📚 Referência: World Meteorological Organization (WMO). Agrometeorological Services for Climate-Resilient Agriculture. 2023. https://public.wmo.int





6. Sustentabilidade e o Futuro da Jardinagem Inteligente

A jardinagem de precisão se alinha às metas de sustentabilidade urbana, pois promove uso racional de recursos naturais, redução de insumos químicos e fortalecimento da biodiversidade. A tendência é que, nos próximos anos, sistemas integrados conectem jardins domésticos a plataformas de monitoramento climático urbano, contribuindo para cidades mais verdes e inteligentes.

A tecnologia é hoje uma aliada essencial da jardinagem moderna. Ao combinar sensores, automação e dados digitais, o jardineiro contemporâneo pode cultivar de forma mais eficiente, ecológica e alinhada às condições reais do ambiente.
O resultado é um jardim mais saudável, produtivo e sustentável, onde o conhecimento técnico e a inovação caminham lado a lado.

📗 Fontes de referência confiáveis:

  • FAO (2022). Smart Irrigation Practices for Sustainable Water Use.

  • EPA (2023). WaterSense: Smart Irrigation Controllers.

  • Embrapa (2024). Tecnologias Digitais na Agricultura Sustentável.

  • WMO (2023). Agrometeorological Services for Climate-Resilient Agriculture.

domingo, 5 de outubro de 2025

Plantas Ornamentais para o início da primavera

 

🌼 Plantas Ornamentais que Florescem no Fim do Inverno e Início da Primavera no Hemisfério Sul



O período de transição entre o inverno e a primavera representa uma fase de reativação fisiológica nas plantas ornamentais, com elevação gradual das temperaturas e aumento do fotoperíodo (horas de luz). Essas condições estimulam a brotação, emissão de botões florais e início da floração, tornando os jardins mais coloridos após o período de dormência.

Selecionar espécies adaptadas a esse momento do ciclo vegetativo é essencial para garantir floradas precoces, equilibradas e duradouras, respeitando as condições climáticas do hemisfério sul.


🌺 Principais Espécies Ornamentais com Floração no Fim do Inverno / Início da Primavera



🌸 Espécie (Nome popular / científico)🌿 Características e Época de Floração🌞 Exigências e Cuidados
Camélia (Camellia japonica)Arbusto lenhoso de floração intensa entre julho e setembro. Flores grandes e vistosas, simples ou dobradas.Prefere meia-sombra, solos ácidos e ricos em matéria orgânica. Evitar ventos frios e sol forte da tarde.
Azaleia (Rhododendron simsii)Uma das mais cultivadas no inverno, floresce de julho a setembro.Gosta de locais com boa luminosidade e solo levemente ácido. Requer regas regulares sem encharcamento.
Amor-perfeito (Viola tricolor)Planta anual de clima frio; floresce do fim do inverno até meados da primavera.Ideal para vasos e bordaduras. Prefere clima ameno e solo fértil.
Prímula (Primula obconica / P. vulgaris)Produz flores delicadas em tons de rosa, lilás, branco e roxo entre agosto e outubro.Cultivo em meia-sombra, com substrato úmido e bem drenado. Sensível ao calor intenso.
Cinerária (Pericallis × hybrida)Planta anual com flores abundantes no final do inverno. Muito usada em vasos e floreiras.Prefere temperaturas amenas e locais protegidos de ventos. Solo fértil e úmido.
Calêndula (Calendula officinalis)Planta herbácea anual, flores laranja ou amarelas, que surgem de julho a setembro.Gosta de sol pleno e solos férteis. Também tem uso medicinal e repelente de insetos.
Lantana (Lantana camara)Floração contínua que se intensifica no final do inverno e início da primavera.Planta rústica e atrativa para polinizadores. Resiste bem ao sol e à seca.
Copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica)Floresce no final do inverno e primavera em regiões úmidas.Cultivo em solo úmido e fértil, com boa exposição solar. Sensível à seca.
Magnólia (Magnolia soulangeana)Arbusto ou árvore ornamental de flores grandes e perfumadas, que antecedem a folhagem.Floração entre agosto e setembro. Gosta de sol e solos bem drenados.
Durillo (Viburnum tinus)Arbusto lenhoso com flores brancas no fim do inverno.Resistente a baixas temperaturas e fácil de manter. Ideal para cercas vivas.

🌿 Aspectos Técnicos e Fisiológicos

Durante o fim do inverno, ocorre a mobilização de reservas acumuladas nas raízes e ramos, que sustentam o crescimento dos novos brotos e botões florais. Espécies adaptadas a este ciclo geralmente apresentam:

  • Tolerância ao frio e à variação térmica;

  • Necessidade de vernalização (período frio que estimula a floração);

  • Alta exigência luminosa no início da primavera para manter o ritmo fotossintético e de florescimento.

A adubação equilibrada com fósforo e potássio (NPK 4-14-8 ou 10-20-10) é recomendada no fim do inverno para favorecer a formação de botões florais e intensificar a coloração das flores.




🌸 Recomendações de Manejo

  • Podas de limpeza em julho e agosto estimulam a brotação e renovação de tecidos.

  • Adubação orgânica de base (composto, húmus, torta de mamona) deve ser feita antes da floração.

  • Controle de pragas iniciais (pulgões, tripes, cochonilhas) deve ser realizado de forma preventiva com biopreparados como óleo de neem ou sabão de potássio.

  • Evitar o uso excessivo de nitrogênio, que favorece folhas em detrimento das flores.

As plantas ornamentais que florescem no fim do inverno e início da primavera são fundamentais para marcar a transição sazonal nos jardins, oferecendo floração precoce, atração de polinizadores e um visual vibrante após o período de dormência.

O uso dessas espécies, aliado a boas práticas de manejo e ao acompanhamento de calendários lunares e biodinâmicos, favorece jardins mais equilibrados, resilientes e ecológicos.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

O que você deve saber sobre podas



A poda é uma técnica muito utilizada na jardinagem, ela pode ter várias finalidades:

        §  Formação inicial das mudas transplantadas;
        §  Formação de arbustos;
        §  Eliminação de partes doentes, galhos secos, etc.;
        §  Aumento de floração;
        §  Aumento da densidade foliar;
       §  Condução da planta (diminuição, direção, rebaixamento ou levantamento de copa);
        §  Rejuvenescimento;
        §  Cerca viva;
        §  Aeração e luminosidade.



As ferramentas utilizadas na poda são a tesoura de poda, tesoura de tosa manual, serrote curvo, serrote comum, canivete curvo e podador de árvore; devem estar bem afiadas e limpas. Após a poda as ferramentas devem ser limpas e desinfectadas para evitar a transmissão de males com cortes de partes afetadas.


Para  iniciar uma poda primeiro se encontram as gemas ou olhos, que geralmente localizam-se lateralmente e no ápice dos ramos, elas devem ser deixadas, se quisermos que aquela parte da planta continue crescendo e eliminada na poda se desejar-mos o contrário.

A poda de floração deve ser drástica e feita durante o inverno, tosando-se os galhos quase rentes ao chão.

Deve-se optar pelo corte em diagonal, que é o indicado para a realização da poda, pois facilita a cicatrização, dificulta o acúmulo de água e por isso evita infecções.

A melhor época para a poda de espécies ornamentais é no inverno, pois é o momento em que grande parte das plantas encontra-se em dormência e portanto, a perda de seu material nutritivo é bem menor. Não devem ser podadas nessa época as plantas que se encontram em fase de floração, como também as plantas com flores, frutos, sementes ou brotos novos não devem ser podadas. 

As podas devem ser feitas de 3 em 3 meses, sendo que no inverno é realizada as podas mais rigorosas.


Para uma boa poda:

• Remova galhos quebrados ou doentes porque eles retiram a força da planta e ainda atrapalham o acesso de luz e ar no interior da copa. Ao cortá-los logo acima de uma gema (pequeno nó), um novo ramo irá nascer. Para eliminar o galho todo, corte rente ao caule ou ao ramo maior. Folhas secas e flores murchas também devem ser retiradas.

 • Algumas árvores costumam produzir um ramo que se diferencia dos demais por ser grande, vigoroso e com crescimento muito superior aos outros. Chamado de galho-ladrão, ele rouba a força dos outros ramos e atrapalha o desenvolvimento da planta. Corte-o sem dó até o tronco. Sua simples retirada já faz com que a planta floresça e frutifique mais. 

• Esterilize a tesoura de poda. Depois, use uma pasta bordalesa após o corte passando na ferramenta e na área do corte que ficou exposto. Pesquise e utilize cicatrizantes naturais, eles ajudam a evitar a entrada de pragas e doenças.